peso excede

Como nunca
pego os vôos
A indisposição tem dúvida se é minha
ou das asas comigo
Não sei quanto peso.

Me amam demais exceto
quando desfaleço
Sou isso com aviso de que não tem
jeito

Pagamos sempre pelo preço excedente
do não dizer noturno
depois de digerir
as que nos couberam letras
engolidas do desconforto

Tenho cisma em me sentar equivocada
destruo as vértebras
e as decisões precipitam

Todos caem

Estão cansadas de mim
as asas

liquidada

formato de escrita
artística chamada
pra editar al público
espaço separado de exibir discurso
al diferente
recital gráfico
pego minha mão e tudo que criara
a ameaço com pontadas múltiplas de garfo
escolho um pedaço comível e ofereço
quem degusta muito crítico infalível
no provável vômito
negativa
penso quem sabe a outra
pego minha mão e tudo que errara
a escavo violenta de mistura e colher
escolho um pedaço bem visto e ofereço
quem vitrina muito crítico infalível no provável
não quer
pego minhas duas mãos
liquidifico

efêmea

Emudo dente que nao cala
desdenhante às insurgências
de sofá

Nas salas
minha revolução em cama

nada dito sobre romântica

movo milênios imundos
sem fita métrica esquartilho
mundos
formalizados em aprendizes de atar prazeres

autogesto
e a dedicação nasce crescente
aos trabalhos braçais
repetição além de vezes
produzidas com orgulho

concentração vencendo
guerra
mental supera
trégua

subo

os oito mil
segundos da vitória

exercitando serena

Eu não estou brava, questione isto por melhor, você, esses olhos de observar bem. Estou perdida no odor do mal esgotamento de minha imagem, detestosa de que me vejam escrever em público furiosa em espaço que se usa pra ser jovem; daqueles exaltando o que hoje é um dia que não tenho, certo. Não brava. Ausentam-me os ânimos, não me graceja nada quando preciso comunicar, exceto quanto vago, as luzes sao belíssimas. Permaneco tolerante a espontaneidade dos encontros fugazes mas não as permanências; as explicações infernais se tornam e odiosa me torno só dizer deste assunto, so tenho virado disto? Você podia com boa vista pegar minhas coisas me dizer se desgasta, fico tremula, em poucos serei vista, fingirei a mulher serena que me evocam, a que eu atuei tao bem ate perde-la entre os exercícios do corpo.

bem-cansada

dormi que casei
comigo mesma

cerimonia a mais bela
o vestido sonhado de
mamae

o companheiro que só a isto
me ajudara a ler os votos
contando como homem a importancia
decidir
o assim feito

depois eu
que meu corpo tanta coisa
sem sentido tanta entrega
havendo comigo tanto
furo
tanta pendencia

desterra

as cenas esgotam-se de serem criadas. fosse o caso de os ciclos terminarem em paz com seu tempo este piso de brilho cerâmico seria ferro, sendo o caso da garantia ao corpo de poder se encerrar, o que se descarta vai a fora de não poder ser eterno, graças; fosse o caso da exigência de recatar-se não existir, estaria sendo sujo, o máximo sujo pra que se pudesse depois ser limpo, não por muito, mas o que bastaria até que pudesse sujar do que é novo. este acúmulo torna as contrações as mais doloridas e o auge permanece enterrado, o segredo dos séculos por baixo de pó, de pó sendo perfumado as vezes todas que se sopra aroma do fundo; as cenas esgotam-se de não acontecidas, a cobrança vem no aperto e não se é capaz de mover nada senão ouvir os sermões do ontem.