Sobre aquela mesma coisa de sempre disfarçada de amor-livre

Já faz um tempo que não estou buscando (mais) uma relação sexo-livre, como as outras que eram comuns me acontecerem – por alguns motivos que vou explicar mais pra frente. Mas como as coisas vão acontecendo, organicamente, por elas mesmas, a gente muitas vezes perde a racionalidade e deixa acontecer. Tudo bem, embora eu não busque, é bom (exceto pelos motivos que me fizeram encher o saco disso).

Pelas minhas experiências nesse tipo de relação, e observando o que acontece de forma parecida nas outras – principalmente com as moças -, consigo perceber que alguma coisa bem estranha acontece nesse universo.

As pessoas com quem desenvolvi, até sem saber, relações sexo-livre são geralmente: homens que buscam/lutam (ou pelo menos mantém esse discurso) para se afastar das amarras monogâmicas. Com a posição de “amor sem posse é possível, o amor é livre”, etc. Muito bonito, muito harmonioso. Só que pelo que pude perceber, é que eles acabam não mergulhando, e sim só molhando os pés.

Abrindo um parênteses imaginário pra explicar melhor: eu busco me relacionar de forma diferente e, usando de comparação ou pequena análise, as pessoas podem me enxergar no grupo de pessoas “livres”. Ou seja, estou disponível, assim como não vou encrencar com nada também. Então conheço essas pessoas, trocamos muitas ideias interessantes e na semana seguinte tomamos uma cerveja, nos beijamos, transamos. Aí isso se repete algumas vezes, mas as trocas de ideias vão sendo bem escassas, o interesse no outro menor ainda. Mas eu permaneço sendo alguém disponível para sexo.

Enquanto eu desenvolvo um grande apreço pela pessoa, por poder compartilhar com ela algumas trocas (ideais e corporais) – tendo ela como personagem vivo e presente no meu processo de desconstrução, o mesmo não acontece de forma recíproca.

Nos encontramos algumas vezes, – por acaso, na maioria delas -, um “oi, tudo bem?” esquisito, seguido por um beijo (beijo esse que não é a demonstração do carinho/apreço/afeto, e sim apenas um passo pra ter certeza de que o sexo ainda pode acontecer). Então esse beijo aceito significa que sim, o caminho continua aberto e sim, eu ainda faço parte desse universo dele. E aí, foi só um beijo, dois beijos e lá vou eu novamente sendo guiada pra um sexo completamente estranho, mas bem comum, disfarçado de liberdade – onde eu não me sinto nada segura.

Esses caras não vão criar vínculo nenhum. Não serão pessoas que falarão “oi, tudo bem?” realmente importando-se com isso, porque não se importam. Quer dizer, percebo que os homens chegam até mim demonstrando interesse, falando de relações livres e de como o mundo é bonito. E depois que dormimos juntos, o objetivo “livre” já foi alcançado e eles podem continuar vivendo normalmente e me colocando na lista de pessoas disponíveis. O que é isso senão continuar reproduzindo a ideia pessoa-produto? Ou, no caso, mulher-produto.

Aprofundando na minha situação enquanto mulher na posição sexo-livre: os homens não me consideram uma pessoa para somar, trocar. E sim pra fugir do usual. Inclusive muitas vezes percebo que na verdade eles estão até buscando um amor romântico e fantasiado com alguém, paralelamente, mas mantendo o discurso amor livre comigo pra ter sexo livre.
Quero dizer que é fácil gritar amor livre aos ventos. Qualquer um pode fazer isso. Mas o que eles estão fazendo de diferente? Se antes de questionarem a monogamia, eles também tinham várias parceiras sexuais, sem envolvimento, preocupação e cuidado – e ainda com respaldo pra isso? Não só respaldo, como também um grande prêmio por isso. Na verdade o que acontece então é a mesma coisa de sempre, mas com um nome diferente. Ou seja, sem desejo algum de realmente criar laços mais verdadeiros.

Não reduzo esses laços apenas às relações nesse campo, repensar nossas relações significa olhar pro que o capital impõe. Falta de tempo, competitividade, pressa, não ouvir o outro, não se importar com o outro. Falta de presença nas relações, de ser, de estar, de disponibilizar a sua existência. Só que romper com isso é um processo. Um processo a ser descoberto e construído de forma individual, mas com toda certeza coletivamente. Isso envolve diálogo, verdade e presença.

E eu não estou esperando um amor romântico de filme, que a pessoa se apaixone por mim loucamente. Pelo contrário. Eu luto pra que a gente se importe um com o outro, eu espero que o porteiro do meu prédio sinta-se amado quando eu pergunto se ele está bem, porque eu espero que ele esteja bem e espero que ele sinta-se confortável pra me pedir ajuda. Porque sim, as pessoas precisam de ajuda, precisam da relação com o outro de forma verdadeira (e o caos se sustenta justamente nesse afastamento, nesse não estar presente. E é contra isso que estamos, ou não?)

Eu até gosto de sexo-livre, quando a relação me deixa bem consciente do que tá acontecendo. Eu tenho tesão, gosto de dividir essa disponibilidade com alguém. Sexo é divertido, gostoso, saudável. Mas são pessoas. Ou seja, são pessoas com quem me relaciono. E pra mim, por ser mulher, preciso parar e pensar a cada momento sobre qual papel eu estou ocupando.

Resumindo: ter sexo livre da forma sacaneada como ele acontece, principalmente pras mulheres, não vai sanar minha sede por relações verdadeiras num mundo caótico. Não vai.

Relações livres, ou qualquer uma que se disponha a questionar a monogamia, não diz respeito a quantos parceiros sexuais você tem. E sim à forma como voce se relaciona.
Percebo que repensar isso – falando pessoalmente – significa transformar como eu me posiciono diante das outras pessoas. Refletir que situações de poder existem em toda relação, seja ela “amorosa” ou não. E que precisamos nos cuidar, ajudar o outro a se cuidar e cuidarmos juntos. Até poderia fazer considerações sobre a dificuldade da mulher (e de diferentes “ser mulher”) nessa desconstrução toda, mas prefiro deixar pra outro momento.

E é com muito auto-cuidado que escrevo. Esse texto começou com uma vontade de tornar explícito algo que me incomoda. Mas é um texto pra mim, antes de tudo.

Cuidando pra que não aconteça da forma que eu não gosto. Como proteção, auto-cuidado, por saber a minha posição.

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106 comentários sobre “Sobre aquela mesma coisa de sempre disfarçada de amor-livre

    • Verbalizou tudo que eu penso sobre o “amor livre” pregado hoje em dia!
      Já havia comentado com algumas amigas da superficialidade das relações que se dizem livres e que eu não concordava com isso, pois o amor livre real seria outra coisa que não esse oba oba sexual. As pessoas que se amam se importam com a outra não é mesmo! Esse amor pode ser livre de amarras mas não quer dizer sexo livre. Excelente texto!

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  1. É uma triste situação a que nós mulheres nos encontramos nesse mundo ainda tão embutido de preconceito. Ser dona de sua própria vontade, desejo e principalmente do próprio corpo é algo que não é tangível para muitas mulheres. Mas, creio que quanto mais mulheres como você, que enfrentaram situações tão doloridas, exporem ao mundo o que está por trás de um falso sorriso de felicidade, muitos verdadeiros sorrisos de alegria e satisfação poderemos encontrar pelas ruas.
    Muito bom o seu texto pelo fato de ser tão verdadeiro! Abraços.

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  2. Que texto bárbaro! Adoro quando a sinceridade transborda pelas linhas. Obrigada por externar, também por mim, algo que sentia aqui dentro. 🙂
    Saiba que essa disponibilidade e disposição para criar laços sempre irão abrir portas para você.
    Sinta-se abraçada! ❤

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  3. Adorei seu texto, concordo com cada palavra que você disse, também amei seu texto sobre o o orgasmo e a falsa liberdade sexual, você consegue externalizar nos seus textos cada palavra e cada sentimento que nós mulheres muitas vezes ocultamos, justamente por essa educação machista que fomos submetidas. Parabéns.

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  4. Oi, moça! Tudo bem?
    Adoro ver que as pessoas estão mais soltas pra se expressar, cada vez mais. É assim que a evolução acontece.
    Tenho dezoito anos e também sou adepta do amor livre. Na verdade, hoje vejo que sempre fui, desde as primeiras relações, quando não conseguia entender quando desenvolvia afeto por alguém fora do namoro em que me encontrava. Não conseguia me sentir errada, achava que se eu sentia é porque devia sentir, mas estava namorando, então devia guardar pra mim que passava. Minha primeira vez foi aos doze, com um namorado que não queria transar porque tinha feito promessa de que só transaria com a mulher, depois de casado. Ele tinha quinze anos e a gente não aguentou os hormônios da adolescência. Já passei pela fase em que me sujeitava a todo aquele que me quisesse, porque me achava feia e desinteressante, que ninguém iria gostar, então, melhor aproveitar. Já tive namorado possessivo, machista. Hoje, tento manter minhas relações com pessoas em que o interesse seja mútuo, não só físico, mas de essência. Não consigo mais, embora já tenha sido, ser SÓ sexo-livre. Preciso ser AMOR livre. As pessoas com quem me relaciono às vezes estranham tanto carinho, mas na maioria das vezes elas já sentiram como eu sou, sempre conversam comigo antes e eu dou um jeito de avisar “ó, sou amor livre, tá?” como quem diz “ó, se tu for possessivo nem começa que tu vai sofrer”. E quando falo de amor livre ele é livre de conceitos, de número, de gênero, de padrão e de recíproca também. Eu sei que cada pessoa é um universo, que elas podem tentar arriscar mas depois desistir de tentar algo assim, que elas podem não entender direito ou não querer entender, ou que elas podem não encarar com tanta facilidade o ato de expressar livremente o que sentem. Talvez elas entendam errado quando veem que eu as amo, e queiram fugir com medo de eu ser a possessiva. Mas a verdade é que eu amo sem medo. Depois que a gente aprende a se amar, não tem medo de amar os outros. E se o outro não me amar, não tem problema, porque eu sei que a energia boa que saiu de mim foi suficiente pra me deixar bem e deixar a pessoa bem também, seja por uma hora ou uma vida.

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  5. Um dos primeiros textos sensatos que leio sobre isso de “Amor Livre”. Entrei nessa aos 18 anos, namorando um cara de quase 50 que usou do seu poder de manipulação pra cometer abusos morais e sexuais pesadíssimos contra mim durante 5 meses e me convencer do “estilo de vida” dele. Na verdade, o amor livre dele era transar deliberadamente com qualquer pessoa que aparecesse, porque ele é um doente e maníaco sexual. Mas disso só me dei conta uns 2 anos depois.

    Depois dele fiquei nessa de amor livre, andando com a galera da liberdade sem limites, e transando à beça, mas transava não pelo meu prazer, mas pela necessidade de afirmar essa falsa “liberdade” perante essa galera e a mim mesma. “Sou livre, dou pra quem eu quiser.” E nessa onda vários caras apareceram me admirando, dizendo que sou madura, que sou livre, e bla bla bla. E me fodiam quando queriam, e era só isso. Na maioria das vezes me sentia estranha depois, sem energia, meio desgastada energeticamente se vc me entende. No meio dessa galera livre, todo mundo se droga, se beija, se lambe, mas as conexões são tão pobres e tão superficiais que me enojam.

    Custei pra me encontrar, pra entender o quão traumatico esse primeiro relacionamento foi e o quanto eu ainda estava me sentindo na necessidade de provar alguma coisa pra pessoas que nem ao menos sabiam quem eu era. Depois que muita agua rolou debaixo da ponte, hoje estou em o que chamam de “relacionamento sério (?)”, descobrindo um sexo que eu não conhecia, descobrindo uma intimidade e companheirismo que só me trazem crescimento e auto conhecimento. Se vou continuar pelo caminho da monogamia ou não, não sei. Mas o que importa agora é que eu amo, por escolha própria, de corpo alma e espirito. Ainda sou livre e dou pra quem eu quiser, e sei guardar minha energia sexual para relações que realmente valem a pena, sejam elas curtas ou duradouras.

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    • Aplausos, Márcia… Embora tb ache mt válido o expressar da Diuliane… São universos de experiências diferentes, porém paralelos… Qualquer perfil de relacionamento o qual inexista ÉTICA é abusivo. Passei por uma situação parecida com a tua, Márcia, após descobrir que estava sendo exposta intimamente pelo meu ex namorado à uma amiga de longa data dele – detalhe este que me era desconhecido. Tive minha foto “vestida de céu” enviada sem o meu consentimento para a tal amiga dele, que descobri depois que ela tinha acesso não apenas ao número do meu celular, como também sabia dos detalhes da minha libido com ele, detalhes estes que só diziam respeito ao casal, posto que me dou a liberdade de apenas me compartilhar com quem eu escolho. Foi duro entender que eu estava ao lado de uma mente doentia, psicopata, manipuladora, fria, hedonista que pretendia me colocar num quadrado amoroso, onde a tal amiga dele era quem detinha poder junto com ele, que por sua vez compartilhava a namorada dela (a tal criatura fêmea se dizia feminista), que por sua vez me queria sexualmente para o bel prazer dela e do meu ex. Enfim, apesar de 10 meses sem me dar conta da barca furada em que havia me metido, consegui me desvencilhar desta ópera bufa. Não condeno os amores que se dizem livres (mesmo acreditando que o amor por si só já é livre). Cada um faz o que bem entende, o que melhor condiz com o que se entenda como lealdade particular. Todavia, bom senso é vital, assim como a ética entre seres humanos. Acho imprescindível sinceridade numa relação. Defendo o amor sem possessividade total, mesmo sendo da natureza humana o desenvolver apego e o sentir ciúme… o que não significa justificar o ciúme enquanto sentimento de posse para o matar passional. Todavia, por um lado e até certo ponto, creio que há demagogia quando se prega uma questionável liberdade amorosa, sexual… Como a Diuliane frisou, “cada ser humano é um universo”. Logo, em se tratando de humanas relações, a possibilidade de ocorrer disputas de poder é enorme e constantemente em voga. Se o relacionar é poliamoroso ou monogâmico, fica aos critérios das escolhas de cada um. Só não dá para refutar que a liberdade possui contextos tão amplos e que é necessário o haver RESPEITO, VERDADE e ATITUDE NO PREGAR DO QUE SE DIZ. Uma coisa porém, me chama a atenção: DST’s está à solta e pessoas que se compartilham intimamente podem ser uma “janela aberta” para a transmissão de enfermidades sexuais, mesmo com o uso de preservativos (por mais que uma relação monogâmica também esteja exposta a este risco para a saúde). Resta saber de que forma essa ordem de desconstrução íntima pode salvaguardar as pessoas envolvidas no que se supõe como “estrita liberdade amorosa”, o freio indispensável para critérios de minora de agravos afetivos.

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  6. Adorei o texto, me senti contemplada por suas palavras! Também estou passando por esse processo de desconstrução e cuidadosamente avaliando o comportamento dos homens em se apropriarem do discurso amor-livre para fazer sexo sem compromisso. Mais amor, por favor!

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  7. “Verbalizou tudo que eu penso sobre o “amor livre” pregado hoje em dia” x10000
    É muito fácil adotar esse discurso, pra se dizer ”diferente dos outros” ou ”um cara mente aberta”, mas no fim das contas, puf. Nem devem entender a complexidade desse tema. Segundo texto seu que leio e me identifico tanto… Tá de parabéns pelo blog ❤

    Curtido por 1 pessoa

  8. Quando assumimos um discurso e nos colocamos em determinada ‘caixinha’ conceitual, é bem provável que se cometa algum equívoco (ou de atitudes, ou de entendimento). Como diria um trecho do livro do Pirandello: “Um nome não é mais do que isso: um epitáfio. Convém aos mortos, aos que concluíram. Eu estou vivo e sem conclusão. A vida não tem conclusão – nem consta que saiba de nomes.”
    Eu nunca me identifiquei com amor livre ou sexo livre exatamente por isso, parecia pra mim que era implicito a ideia de consumo do corpo do outro de alguma forma – e que, inclusive, isso era uma consequência do capitalismo. Eu acredito que cada um tem o seu próprio tempo e entendimento do que é uma relação entre dois seres humanos, não acho que as pessoas com quem você se relacionou estavam se escondendo por trás da ideia de amor-livre ou sexo-livre, acho que eles tem o tempo deles e o entendimento deles disso (e sei que não é só entre os homens, porque vejo mulheres tomando essa posição de “só dar uma fodidinha”, mas entendo a importância de se focar a crítica aos homens em qualquer discussão desse tipo).
    No meu caso, tenho um tempo lerdo para relacionamentos afetivos(não consigo desvencilhar sexo/amor/afeto, tenho esse defeito, haha) porque eu preciso desse tempo para ver qual é esse entendimento da pessoa nesse sentido, acaba ficando algo parecido com monogamia, mas na verdade não tem amarra nenhuma, nem moral, só um certo tipo de entendimento da ética que está em jogo entre os dois antes, para depois não me sentir imerso em uma ideia de consumo.

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  9. Suas lindas! Amei cada palavrinha! É bom saber que não, não estamos sós, nem somos loucas, e que não há nenhum problema em querer amar, amar e amar. Amar necessariamente é criar esse laço. Estar disponível, como disseram, ao encontro. E encontro só se faz a dois, olhos nos olhos, pele na pele, máscaras caídas, espírito desnudo. É se importar com o outro, porque você também ama o outro, mesmo que você não queira ele pra si. O amor e a posse não são nem de longe afetos semelhantes, já sabemos disso, já sentimos isso!
    Aquela famosa palavrinha que de primeira vista parece insossa, mas que se chama a capacidade de empatia.
    O querido e lindo pensador Moreno escreveu esse trechinho para a técnica do psicodrama:
    “Um Encontro de dois:
    olhos nos olhos,
    face a face.

    E quando estiveres perto,
    arrancar-te-ei os olhos e
    colocá-los-ei no lugar dos meus;

    E arrancarei meus olhos
    para colocá-los no lugar dos teus;

    Então ver-te-ei com os teus olhos
    e tu ver-me-ás com os meus.”

    Todos somos um, eu sou tu, tu és eu: a rica e antiguíssima sabedoria Hindu. Somos o universo. E o amor nos liberta. É nossa redenção. O amor a si, claro, mas ao outro, um não está desconectado do outro, como tanto querem dizer por aí. O narcisista tem uma falsa ideia de que se ama, se respeita, mas está tão aprisionado quanto aquele que apenas ama o outro e o quer pra si, o amor deles não flui. Ah, que lindo lindo lindo é amar! ❤ Fiquei tão feliz com este texto que brotou uma ideiazinha de como seria conversarmos sobre isso olhos nos olhos, com a maciez da voz e a vivacidade da presença. Seria incrível! 🙂 Não, não sou maníaca (olha a paranóia de ser verdadeira que sempre nos ronda), mas em cada palavra pude conhece-las e ver que pessoas bonitas são! Como todas nós aqui, tentando colocar em palavras afetos (na verdade esse conglomerado palavra-é-afeto), estamos neste processo de busca pela batida perfeita, uma aposta e entrega de carne e alma por relações verdadeiras, pelo tão almejado fim do medo de ser quem se é, e compartilhar isso com o outro, e ser feliz neste encontro, ser pleno, fugir do daquilo que coordena nossos comportamentos e dita os padrões sem levar em consideração quem eu sou neste mundo. E nós somos amor sim, da cabeça aos pés!

    Isso de ser exatamente aquilo que se é ainda vai nos levar além!
    êta Leminski lindo! êta que há tantas pessoas especiais neste mundão a fora.
    Beijo meninas!

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  10. Júlia estou abismada, li os seus textos e passo por esse mesmo processo após perceber a ilusão que o discurso de sexo-livre nos impõe. Incrível como nossas observações são parecidas, também notei com meus parceiros a procura paralela de um relacionamento sério enquanto “viviam” a outra coisa comigo, entre todas as outras percepções. Infelizmente fiquei muito sozinha e nunca tive apoio externo para poder me dar conta disso mais cedo, agora corre em mim uma história que vai ser difícil para superar, mas isso já falo sobre o outro texto sobre orgasmo.. Não sei se é super comum, então não uma coincidência, mas todas as idades do ocorrido que você colocou fecham com as minhas! Bora fazer uma estatística! hahaha Primeira relação com 14, e até os 18 e ainda sem gozar com parceiro, quando decidi tentar sozinha com vibradores e etc.. Sobre ser a “amiga do grupo dos guris” e ser considerada madura.. Sobre querer agradar ele sempre, sobre o cara não se dispor a masturbação..
    Enfim, é muito bom ler em palavras o que nossos corações sentem inseguros por não se tornar sólido. Obrigada pelo texto 🙂

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  11. eu li isso e comecei a chorar tanto de tristeza por cair na real e de alívio por saber que não, não era coisa da minha cabeça e não era ‘noia’ como tanto me fazem acreditar ser. obrigada por escrever isso.

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  12. Já mandei o link do seu texto para o meu “amor livre”, porque verbalizou tudo que eu tentei falar durante 3 anos e não consegui que ele entendesse o quão difícil é essa situação para ambas as pessoas. No fim das contas, a confusão interna que ele tem, o prejudica demais desde decisões simples como a escolha da cor de uma camisa até a decisão mais difícil de assumir ou não um relacionamento com alguém. Enfim, adorei sua sensatez. Obrigada por falar por mim!

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  13. Um pequeno adendo : isso também é muito comum entre gays. Talvez até mais, pelo simples fato de serem homens cis se relacionando. Bom, ao menos são poucos que tem a cara de pau de levantar a bandeira do amor livre quando agem imaturamente dessa forma.

    Curtido por 1 pessoa

  14. Percebo que em TODAS as relações, o diálogo sincero se torna cada vez mais escaço.
    Vivemos no silêncio emotivo. E isso não tem como dar certo, seja no relacionamento livre ou monogâmico.
    As regras não são definidas por quem está de fora da relação. Só quem pode fazer as regras daquela relação é quem vive aquela relação. E não tem outro jeito de fazer dar certo sem dialogar.

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  15. A minha “armadilha” sempre foi mais ou menos parecida. Sexo casual, ficadas casuais, com pessoas com quem eu desejava um envolvimento monogâmico, tradicional… Aí sempre acabava sofrendo, me ferrando, achava que estava sendo moderninha, mas estava era sendo boba.
    Hoje em dia, sexo casual só com quem só me desperta tesão e não algum tipo de sentimento… Mas demorei uns quatorze anos pra descobrir isso, infelizmente…

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  16. Vontade de chorar. Muita vontade de chorar, o reconhecimento do abuso, do poder do patriarcado, o nosso anseio por liberdade, a nossa sexualidade, os relacionamentos, os caras que como no texto, perguntavam se eu estava bem sem se importar, o beijo que garante o sexo, o objetivo alcançado após ele. Eu pesquisei na Internet sobre o assunto e cai nos seus textos, porque eu to me sentindo mal, muito mal, três meses disso, eu querendo sair e nao conseguindo, porque não molhei os pés, eu me afundei. E é tao, tao doloroso perceber isso. Mas obrigada do fundo do coração pelas palavras que sabemos ser verdadeiras em cada detalhe, e o aceitar e fugir disso no dia a dia é mais foda ainda.

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  17. Julia, parabéns por essas reflexões. Eu, como muitas outras mulheres aqui, tive-as também, porém, mais tarde. Hoje, já depois dos 30, finalmente compartilho do tão falado amor-livre em uma relação de companheirismo que nunca imaginei existir.
    De fato, são muito raros os homens dispostos a entrar nessa de verdade. E é muito difícil aceitar e entender tudo que se passa com a gente depois de anos vivendo esse sexo-livre/abuso/mulher-objeto achando que é isso, quando na verdade não é. Ler isso de você aos 20 me deixou feliz por saber que meninas estão refletindo mais cedo sobre isso, sofrendo por.menos tempo, e me fez vir aqui dizer pra não desistir rs. Existem umas peças raras por aí! Abraços:)

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  18. Tem gente que acha que todo mundo que tenta viver um “amor-livre” está disposto a viver isso com toda pessoa que faz sexo. Não é assim nem com você que escreveu o texto, então é hipocrisia querer exigir isso de determinadas pessoas que você gostou mais a partir de uma relação sexual e de um troca de “ideais e corporais”, porque pode ser que para ela seja só sexo e troca de ideias mesmo. E isso vale pra homem e pra mulher. Existem muitas pessoas tentando aprender e vivenciar “modalidades” novas de relações e não é por isso que todos estão dispostos a disponibilizar sua vida emocional com todas as pessoas que se relaciona sexualmente. Pode ser que “esse cara” que é citado no texto que “… está té buscando um amor romântico e fantasiado com alguém” esteja disposto a se disponibilizar à outras pessoas que não você, então aceite, nossas vidas são rodeadas por muitas pessoas e se você acha sexo legal, gostoso, divertido e parará, saiba que muitas pessoas que vivem relações livres compartilham da mesma visão e podem não querer criar vínculo com todo mundo que faz sexo (cada um tem a “opção” de criar ou não vínculo com pessoas que tem relações sexuais, independente da frequência), então pare de demonizar homens, porque existem muitas mulheres que agem dessa mesma forma e tão cagando pra muitos caras que se disponibilizam sexualmente. O amor livre tem um aspecto bem parecido com o “amor romântico”, a gente não acha “alguém pra vida inteira” com sexo. Sei que pode estar escrevendo pra você, mas já que resolveu publicar e observou tantas relações como tu escreveu, deverias notar que certos comportamentos e opções não dependem de “gênero”.

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