Sobre ciúmes e a posição da mulher na luta não-monogâmica

Quando eu comecei a me relacionar de forma livre, foi com um cara mais velho, mas era tudo muito novo. Inclusive eu. Vale colocar aqui que isso sempre acaba sendo bem delicado, porque a mulher já tem seu papel submisso reservado no mundo. Em uma relação com um homem mais velho, mais reservado ainda: você precisa aprender muitas coisas, e quem está ali pra te ensinar – com o poder do conhecimento e experiência -, é o homem.

Então foi assim. As coisas aconteciam e eu me esforçava pra entender e me adaptar. Ele beijava outras moças na minha frente, convivia com muitas pessoas e amores. Mas de certa forma focava a relação em mim. Eu nunca fui ciumenta e era fácil lidar com tudo isso.

Um tempo depois eu comecei a me relacionar com outras pessoas e percebi que isso não estava sendo da forma como eu imaginava: o rapaz não respeitava meu espaço, reclamava comigo e ainda me colocava como culpada.

Exemplificando: quando me via com um homem, ele vinha e me dava um beijo pra marcar território. Vez em quando dizia que fazia de tudo pra me ver e quando chegava, eu estava com outro e que isso o fazia mal. Vale acrescentar que não havia combinado encontro com ele, e estava apenas conversando com o outro rapaz. Quer dizer, vale acrescentar isso apenas porque ele realmente me tornava culpada, me fazendo esquecer que quem estava errado, e censurando minha liberdade, era ele.

Pra isso existe um nome: GASLIGHTING. Que é, resumidamente: uma pessoa agir de forma com que você passe a duvidar de si mesma, fazendo você se sentir culpada (mesmo sendo você a vítima), duvidando do seu próprio caráter. É óbvio que isso costuma acontecer em relacionamentos entre homem e mulher.

Certa vez, esse homem me disse o seguinte, após beijar uma de suas amigas: “seria muito legal arrumarmos uma menina pra você ficar hoje!”

Começando minhas reflexões. Temos aqui um homem, mais velho, tentando ensinar uma menina o que é amor livre. Um homem que acha legal que a mulher se relacione com outras mulheres, mas não com outros homens.

Misoginia: o cara despreza as mulheres, as relações entre elas, e fundamenta tudo isso na inferiorização das mesmas. Porque claro, uma mulher não representa uma ameaça aos pés da que um homem representaria. Fora a parte da fetichização. Homens, entendam: as mulheres se amam e não fazem isso pra agradar vocês.

E sobre não permitir relação com outros homens: ciúme. O que ciúme sugere é um sentimento devido a falta de exclusividade. Tem sensação de exclusividade quem tem posse sobre algo, controle, poder.

O ciúme dos homens vem disso: posse, controle e poder sobre as mulheres.

Continuando a historinha: esse mesmo homem, após alguns meses, passou a se relacionar com outra moça e me contava que era tudo muito difícil, que ela não entendia a forma livre dele de ser, não se esforçava e que ela tinha muito ciúme. Depois me contou que a tal moça, um dia, foi contar a ele que havia ficado com outro homem. E ele, contando, me disse: “mas como ela não entende, ela veio me contar se sentindo culpada, com ar de quem fez coisa errada, sabe? Então eu fiquei chateado, claro.”

O que é isso? Sim, a mesma coisa que aconteceu comigo. Ele podia ser livre, mas ela não, e ainda colocou a culpa nela por fazê-lo sentir ciúme (posse, poder, controle, exclusividade). E mais uma vez, Gaslighting.

Agora vamos pensar sobre o tal “ciúme” e a falta de esforço dessa moça. Não só dessa, mas de todas as moças. Nós, mulheres, somos ensinadas a competir umas com as outras. A fazer o melhor o tempo todo pra agradar o pretendente. A ter o corpo perfeito. A fazer direito pro cara não ter que procurar na rua. Somos ensinadas a ser monogâmicas.

Somos ensinadas que o certo é buscar um homem para a vida toda, alguém que nos dê segurança (física, econômica, sentimental). Alguém que cuide de nós. Porque não nos ensinam a nos cuidar, a nos amar e a nos proteger. A nos fortalecer. Não nos ensinam que podemos fazer isso, para que então nós precisemos da figura masculina pra cumprir esse papel. Enquanto os homens são ensinados a tudo que é oposto a isso, e a terem muitas mulheres.

Pra ilustrar: quando, num casamento, o marido passa a se relacionar com outra mulher, é comum que a esposa (por conta dessa educação toda que nos é destinada) desenvolva grande ódio por essa mulher. E pelo marido não. E ela ainda vai se sentir péssima, por não ter feito tudo de forma boa o bastante para que ele não precisasse buscar outra.

Enquanto os homens são ensinados a ser livres, as mulheres são ensinadas a ser decentes. A se darem ao respeito. A “sociedade” não enxerga com bons olhos a mulher que se relaciona com diversas pessoas. Muito menos com diversas pessoas ao mesmo tempo.

Dessa forma, homem e mulher não ocupam a mesma posição na luta não-monogâmica.

As mulheres sentem insegurança, se sentem inferiores. Isso é fruto de uma educação machista e patriarcal. O ciúme das mulheres não diz respeito ao controle sobre o corpo do homem, sobre posse em relação ao mesmo. Diz respeito ao que ela foi ensinada a ser, a posição que ela foi imposta a ocupar. A não se sentir boa o bastante. A mulher foi ensinada a se sentir uma bosta quando seu companheiro está interessado por outra mulher. E aí, a gente pode chamar isso de ciúme? É certo culparmos uma mulher por isso? Não.

O que a gente chama de “ciúme”, quando se trata da mulher, deve ser combatido. Mas não porque é ciúme. Não é. Não é poder, nem controle, nem posse. Mulher não tem esse poder sobre o homem. É justamente insegurança por não conseguir ter poder suficiente pra conseguir exclusividade (desejo consequente de um sistema que visa a propriedade privada, competição, etc). É a mulher ser ensinada a ser dependente. A não ser auto-suficiente. É fruto do privilégio do homem. E não é culpa dela. Homens devem retroceder. O que os homens vão chamar de ciúme, ao se referir a uma mulher, é conseqüência de um poder que ele exerce, que ele sustenta e que ele construiu/constrói.

Um homem que não apóia a emancipação de sua companheira, e muito menos a ajuda nesse processo, inferioriza a mesma quando ela demonstra “ciúmes”, não reconhece seus privilégios e nem retrocede, é um homem que não está fazendo nada de diferente. E essas relações “livres” serão iguais às relações monogâmicas, em termos de poder sobre a liberdade do outro.

É fácil pra um homem culpar sua companheira por falta de compreensão, enquanto ele sempre foi livre o suficiente pra exercer sua liberdade sobre ela.

Então, é muito ruim achar que mulheres estão em equidade nessa luta. São outros enfrentamentos, outras desconstruções. Se o homem não se dispuser a rever seus privilégios, numa relação hetero – principalmente -, sempre haverá reprodução de valores patriarcais, machistas e misóginos. E por que estamos nessa luta? É pra simplesmente poder “estar” com muitas pessoas?

Passando por meu texto anterior a esse (Sobre aquela mesma coisa de sempre disfarçada de amor livre), reafirmo que as mulheres continuarão sendo produto adquirido por esses homens, que exercerão sua liberdade violenta disfarçada de “amor livre”. E não vai ter amor, não vai ter cuidado, não vai ter compreensão com a parceira. Esses homens continuarão colecionando mulheres. E por serem mulheres lutando pela não-monogamia, serão lidas como “disponíveis para sexo”. E então eles terão o aval do “amor livre”, tão lindo e admirado, para simplesmente continuarem reproduzindo o que sempre reproduziram. Vivendo um amor neo-liberal, que transforma tudo em mercadoria para benefício próprio.

Como eu imagino, a luta pela desconstrução da monogamia – como sistema imposto e sustentador de diversas outras imposições – é uma luta por emancipação.

E enquanto não pensarmos, não lutarmos e não darmos espaços para as emancipações da mulher, da negra, do pobre, de todos os grupos oprimidos, não haverá nada de diferente do que havia nas relações monogâmicas.

Vale atentar ao fato de que, assim como a mulher não está na mesma posição de liberdade que o homem, diversos outros grupos lutam de posições diferentes. Uma mulher negra não está na mesma posição de liberdade que uma mulher branca, um homem negro não está na mesma posição que um branco, uma mulher gorda não está na mesma posição que uma magra, o burguês não está na mesma posição que um trabalhador, uma pessoa cis não está na mesma posição que uma pessoa trans, etc.

Ao ignorarmos a existência de diferentes posições de poder, daremos espaço para que as relações livres conversem apenas com grupos que estão suficientemente livres para poderem participar. Ou seja: homens cis, brancos e heteros, $. Que permanecerão em suas posições, apenas continuando a exercer poder sobre as outras tantas mulheres e grupos oprimidos, desprezando suas posições e colocando um rótulo de incapaz.

Não existirá relação livre, enquanto a maioria – que ainda é tratada como minoria – não for livre.

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64 comentários sobre “Sobre ciúmes e a posição da mulher na luta não-monogâmica

  1. Sou homem, sempre fui educado para me relacionar apenas com uma mulher. Assim como meu pai foi. Assim como o pai dele foi. Vejo com maus olhos tanto mulheres quanto homens que se relacionem com várias pessoas (mais ainda se for ao mesmo tempo). Não apenas vejo com maus olhos, mas todos (sim, TODOS) que conheço (tanto homens quanto mulheres) que mantêm vários relacionamentos ao mesmo tempo, fingem se sentirem livres e realizados assim, digo que fingem pois eles próprios se abrem pra mim e dizem que queriam largar esse estilo de vida e “sossegar”. Muitos erros são cometidos aqui, desde a ridícula generalização do esteriótipo machista e patriarcal do homem, até o simples ignorar das diferenças psicológicas e emocionais que existem entre homens e mulheres. A opressão existe? Obviamente. É forte como dizem? sim. É geral como pregam? nem de longe.

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    • Mathresan, adorei o seu post! Sou casada há 32 anos, em uma relação monogâmica de ambas as partes. Amar sempre envolve alguma posse. Eu não toleraria ver meu marido com outra mulher, ou mesmo ouvir falar a respeito. Sei que ele também tem ciúmes de mim. Nada doentio, nada exagerado, mas algo normal entre duas pessoas que se amam.
      Ensinei às minhas duas filhas e ao meu filho a sempre serem fiéis, e sempre estarem em relações monogâmicas.
      Como as pessoas complicam a vida!

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      • Ser fiel é ser sincero aos seus sentimentos. Relações não-monogâmicas saudáveis também são recheadas de sentimentos e apreço pelo o outro. Tanto relações monogâmicas como as não-monogâmicas estão expostas a pessoas que sacaneam umas as outras. Onde vcs acham que estaria o problema nesse caso?

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      • Respeito sua opinião, mas acredito que ele não está alinhado com a natureza humana e sim com a monogamia imposta pela sociedade patriarcal que visou privilegiar a posse e a propriedade privada, amparada e incentivada pelo cristianismo, que, infelizmente, ainda está impregnada em nossa cultura. Felizmente, esse modelo cultural começa a mudar, muito embora a passos lentos.
        Penso que o grande erro dos relacionamentos conjugais e pensar que a fidelidade conjugal pressupõe exclusividade sexual. O grande numero de separações conjugais retrata muito bem esse erro. Amor e sexo não caminha necessariamente juntos.

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    • Assim, acho que há uma diferença entre promiscuidade e amor livre, como tem no texto, amor livre é quando vc está firme com uma pessoa, mas se relaciona com outras, isso preenche a pessoa que vive dessa maneira, ela ama uma pessoa que tb a ama, mas sai com outras. Liberdade é isso. Mas assim como vc falou, fomos ensinados a ser monogâmicos, mas quase ngm suporta regras e imposições, sabendo disso, entende-se o motivo das traições (além do fato do macho se mostrar alfa,claro). Mas voltando a questão da promiscuidade, os adeptos a monogamia se sentem vazios pq não sabem uq buscam, não se sentem amados ou amando, e vc só se sente bem qdo está num relacionamento saudável e sincero. O que claro, não ocorre com os monogâmicos promíscuos.
      **só uma perspectiva diferente.

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    • Defendo o direito de você defender sua opinião, mas não defendo a opinião defendida por você. Por mais amor que exista entre os integrantes do relacionamento conjugal, um nunca conseguirá satisfazer todas as necessidades do outro, sobretudo sexuais. Acho normal minha esposa manter relacionamento sexual com outra pessoal, pois, sei que isso é para atender sua necessidade e ela retornará para o nosso lar conjugal sem prejudicar nossa vida amorosa e sexual. Nem pense que eu não consiga dar prazer sexual à ela, pois temos uma vida sexual super ativa. Amor pressupõe liberdade, ainda que para perder a exclusividade sexual. O grande erro dos relacionamentos é pensar que a fidelidade conjugal pressupõe exclusividade sexual. A fidelidade conjugal pressupõe companheirismo e respeito mútuo, que pressupõe entender e aceitar as necessidades do parceiro conjugal que, muitas vezes, não pode ser satisfeita no âmbito do relacionamento. A exclusividade sexual pressupõe posse e restrição da liberdade, que são incompatíveis com as premissas do amor, que pressupõe desapego e liberdade. Quero que minha esposa seja livre, inclusive de mim mesmo.

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  2. Nossa.
    Da vontade de te dar um abraço.
    Ele reflete todas as minhas dores em uma relação livre – o sentimento de inferioridade constante perante ao homem. Insufiência, etc.
    Nossa, sério, muito bom poder ler uma coisa assim, tão empoderadora, pois nunca tinha conseguido por em palavras isso que eu sentia nessa relação – por mais que meu companheiro fosse uma pessoa super legal comigo – eu nunca entendi porque eu sofria tanto.

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  3. Concordo em partes. De fato, ciumes em uma relação que foi estabelecida como LIVRE, é estranho. Ainda mais quando se impõe culpa à uma mulher que se relaciona com outro homem, mas com outra mulher e de preferencia junto com ele seria totalmente aceitável. Isso sim, concordo, sentimento de posse. Sem contar que esta banalizando a relação entre duas mulheres, como se elas se relacionassem somente pra satisfazer uma fantasia masculina, me poupem!
    Mas o ciume em si, não está só ligado a sentimento de insegurança, posse, desejo. Mas entra a questão da lealdade a um sentimento. Em uma relação fechada, onde envolve sentimentos, sem permissões a outros relacionamentos paralelos, não é significa ciume é por posse, mas o fato de se relacionar com outras pessoas, machuca o parceiro(a). Não me relaciono com outras pessoas, por lealdade aquele sentimento que meu parceiro tem por mim, e eu por ele, porque sei que me machucaria vê-lo com outra, como posso provocar essa dor nele ? Quando se envolve amor essas questões ficam complicadas, e relações homoafetivas são exemplos de que o genero nem sempre interfere nisso. Ou vocês acham que numa relação entre duas mulheres, ou entre dois homens não há ciumes? Não se machucam quando são traídos ? Nada de generalizar…
    Defendo que para aqueles que o desejo está acima do sentimento, então que procurem pessoas que estejam abertas a esse tipo de relacionamento. Onde não haverá cobranças, posse e nem corações partidos.

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    • Por que o fato de se relacionar com outras pessoas machuca o outro parceiro? Porque em relações monogamicas subentende-se que o outro é sua propriedade e vice-versa. E tem esse acordo estabelecido: voce é meu, eu sou seu. Isso é sentimento de posse. E quando quebramos esse acordo, nos relacionando com outra pessoa, isso é considerado errado porque o que vale mais é o “permanecer meu”, do que a validade do sentimento. Quero dizer que nessas relações nao é levado em consideraçao os sentimentos do outro, como por exemplo a possibilidade de amar mais de uma pessoa.
      Numa relação entre pessoas do mesmo gênero podem haver outros tipos de opressão e diferentes niveis de poder de posse.
      E se relacionar e amar varias pessoas é possivel. A lealdade passa a ser outra. Passa a ser mais importante cuidar e fazer o outro se sentir amado, do que simplesmente nao ficar com outras pessoas. E é amor, pra quantas pessoas eu amar.

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      • Ju, discordo quando você diz que em relações monogamicas não é levado em consideração o direito do outro de amar outras pessoas … mas, em relações poligamicas, quando existe amor intenso, profundo, sincero, você ver a pessoa que estava com você ontem, hoje, semana passada, te amando, dentro do seu corpo, te envolvendo, se tornando um, essa mesma pessoa se entregando a outro … isso te coloca em choque consigo, pelo menos comigo funciona assim … eu começo a colocar em dúvida os sentimentos do outro por mim – talvez isso seja insegurança da minha parte, e algo a ser trabalhado em mim – mas a sensação que eu tenho, é que eu não signifiquei nada para a pessoa que estava comigo, me amando, ontem, e hoje está novamente fazendo isso com qualquer outra pessoa …

        é importante sempre lembrar que os seres tem capacidade ilimitada de amar, e que o amor do outro por outra não diminui, modifica nem prejudica o amor dele por você. acho que a base de qualquer relação é sempre o respeito e o consenso. na medida em que todos estiverem cientes e concordando com o que está rolando na relação, não vejo problema em nada…

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  4. Oi Júlia, tudo bem? Li dois artigos seus (“sobre ciúmes…” e o “sobre aquela mesma coisa…”). Gostei muito e agradeço pelo cuidado e pela delicadeza na sua escrita. Quero contribuir um pouco a partir da minha posição na luta não-monogâmica: o ponto de vista do homem branco hetero cis que está tentando desconstruir o machismo que trazemos nas estranhas (ou seja, nós, todos os homens, trazemos: não há masculinidade sem machismo em algum nível, mesmo masculinidades gays, eu acho…) . Também tenho minhas dificuldades com ciúmes. E também gosto de politizar meus ciúmes. Não creio que se trata somente de “posse, exclusividade”. Há um fator que gostaria de chamar sua atenção: é difícil compartilhar o afeto por uma pessoa num mundo machista. Já vivi uma situação em que o outro parceiro ameaçou fisicamente a companheira que me acompanhava quando ficou sabendo de nossa relação não-monogâmica. Não sei como me comportar numa situação dessa. Acho muito paternalista ficar julgando a pessoa escolhida pelo outro, ficar avaliando se essa pessoa pode ser violenta ou não. Isso é coisa de Pequeno Príncipe aprisionando Roseira em cúpula de vidro. Não quero. Mas esse risco existe e produz medos, ciúmes, insônias. E num mundo machista, esse risco é maior do lado da mulher (não que esteja excluída a possibilidade de violência sobre o homem vindo de outros homens aparentados, como sogro, irmão, etc). Gostaria de saber o que você acha disso, caso faça algum sentido isso que eu falei. Mais uma vez, agradeço por compartilhar suas reflexões. Um grande abraço. P.S: que nojo esse tal de Mathresan…

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  5. Júlia, vc expressou tuas convicções de modo bem claro pra mim… tua leitura das diferentes posições dos diversos atores na vida, em relação a manter/desconstruir a estrutura cultural da monogamia ajudou muito minha reflexão nesse tema… quero ajudar a desconstruir com meu exemplo em relacionamentos… grato e parabéns pela exposição. Os comentários anteriores, mesmo os desfavoráveis à tese, ajudaram também.

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  6. Eu concordei com parte do texto. Acho que não “culpar” a mulher pq ela foi “ensinada” a ser dependente, e quanto o homem foi ensinado a ter o poder não funciona. Trás um status de inocente sobre qualquer circunstância. Acho que temos que pensar no papéis utilizados. Na relação amorosa alguém tem geralmente tem poder, mas esse poder não é permanente só com um, não se mantém só com o homem e pode variar. Não traz uma responsabilidade da pessoa que eh dependente; diminui a ideia que a principal buscar a mudar eh ela mesma. Eu acho que por isso faz um efeito meio ao contrário: de a mulher necessitar que o homem reconheça seus erros para que ela seja autônoma. E quando ela tiver sozinha? e quando ela for homo? a dependência desaparece?

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  7. Achei o texto muito bacana. A pesar de não conseguir me encherga em uma relação aberta por muitos dos motivos expostos neste texto. Mas gostaria de dizer para o companheiro a cima que o problema não é vc ser homem o problema é que quando não se está no mesmo lugar que o oprimido você pode até imaginar o que ele sente mas nunca vai saber discrever de fato o que ele sente, as dores que isso causa e as implicações praticas desse lugar social que ele ocupa na sociedade. Então por mais que se esforce um homem nunca vai conseguir compreender como uma mulher se sente na sociedade. E isso nao é vitimização são constatações da realidade não só que esse texto tras, mas também em muitos âmbitos da vida.

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  8. O texto tem muitas coisas que eu concordo, a começar pela análise de que a experiência relatada era um pseudo relacionamento aberto.

    Porém discordo totalmente da análise de que o homem tem mais liberdade que a mulher nesta briga, pelo menos não no caso dos que realmente são adeptos do amor livre.

    O homem pode ter a aceitação social de se relacionar com outras mulheres, mas está anos-luz longe de ter aceitação social de aceitar que sua mulher se relacione com outros homens. Nossa cultura machista também aprisiona o homem que quer se libertar dela, assim como as mulheres.

    Para termos realmente um relacionamento aberto de verdade, precisamos ser permitidos tanto a nos relacionarmos com outras pessoas quanto aceitar que o outro também tenha esta liberdade. Nossa sociedade permite uma coisa e nega a outra para ambos os sexos a diferença é que as liberdades estão trocadas para cada um.

    Meu primeiro relacionamento aberto, um casamento de 7 anos com uma mulher 14 anos mais velha que eu, teve um único caso que eu me senti incomodado e que não considero que seja ciúmes. Foi quando minha esposa teve um relacionamento com um colega do meu trabalho, que além de trabalhar comigo, era uma pessoa extremamente conservadora. O que me incomodou foi justamente por saber que isso afetaria minha carreira, pois para nossa sociedade um homem que não consegue controlar sua mulher (mesmo que ele não tenha a menor intenção de faze-lo), jamais vai conseguir controlar uma equipe.

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    • Minha posição é favorável a uma relação de respeito com o outro. Estar com mais de uma pessoa não diminui o respeito, há de se ter respeito com todas as pessoas com quem nos relacionamos (seja uma, duas, tres…). A quantidade de parceiros nao deve influenciar na dose de respeito que voce tem com cada um deles, acho que o texto anterior fala bem disso, inclusive. Abraços

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  9. Achei o texto muito bom!
    Elucida bem o sentimento de ciúmes que nós mulheres sentimos numa relação hetero poliamorosa. Estamos acostumadas a ver a outra pessoa da relação sempre como uma ameaça, ainda mais se for uma mulher. Há o sentimento de rejeição, de comparação e nos sentimos inferiorizadas pelo homem que escolhe “a outra”.
    Quando há uma amizade antre as parceiras que se relacionam com o homem creio que o ciúme seja minimizado, mas quando “a outra” é uma desconhecida inevitavelmente a vemos como uma concorrente.
    Creio que cabe ao parceiro compreender os papeis que nós mulheres a muito assumimos dentro da sociedade, identificar a real causa do ciúme e construir junto com a parceira o empoderamento da relação e isso perpassa pela reafirmação dessa mulher e dos sentimentos que se tem por ela, afim de que essa possa se sentir menos insegura e mais confiante.

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  10. Gostei muito desse texto. Ele é o retrato do que venho passando no último ano. E pior ainda é esse sentimento de culpa por sentir ciúmes. Ciúmes que agora entendo porque não é bem ciúmes, graças a seu texto. Muito esclarecedor. É insegurança, não ciúmes, insegurança por ser mulher num mundo machista. Muito pano pra manga! Obrigada

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  11. Muito obrigada por esse texto e também pelo outro “sobre aquela…”. Amo um homem que pratica o amor livre. Porém com o histórico familiar de homens dominantes que tenho, custo a acreditar que qualquer tipo de relação amorosa é verdadeira. E sempre me questiono se uma pessoa que é amor livre realmente faz isso por amar aos outros, ou se faz isso pra satizfazer seus próprios desejos iu também por ter medo de se aprofundar em uma relação que possa machucar, de algum modo. Fico em dúvida se é amor livre, amor próprio ou medo de se machucar por estar numa relação mais intensa com uma só pessoa e essa pessoa te decepcionar. Pelas conversas que tive com essa pessoa que me relacionei, para ele, amar não necessariamente é ter cuidado. Ele é autosificiente com tudo, não o importa se estou triste ou não, para ele isso não vai fazê-lo mudar de estado ou ficar preocupado comigo. Me senti culpada por me preocupar com pessoas. Me achei travada. Mas agora, não acho que estou errada em me dar pra pessoas do jeito que me dou. Gosto de me entregar inteira para a pessoa e não acho que estou errada nisso. Eu só realmente duvidava da capacidade dessa pessoa de amar a outros e não a si mesmo, como homem. Aida luto com isso. Me sentia mal quando ele não se importava comigo e me achava apegada demais por me importar muito com ele. Julia, queria te perguntar isso, pois ainda tenho algumas dúvidas e gosto do jeito que explica isso sem nos julgar e entender pelo o que passamos. Estou errada em me importar muito com a pessoa? Isso significa que estou apegada demais? Sou travada e errada por não sentir vontade de estar om outras pessoas quando estou com ele? Ou isso também pode existir, a vontade de estar com uma só pessoa? Ou essa vontade de não estar com outra pessoa eu sinto por ser mulher e estar inserida nessas codições de poder machistas da sociedade? É possível que ele ame de verdade a mais pessoas do que simplesmente satisfazer seus desejos egoístas? Sou eu uma pessoa travada por talvez duvidar desse tipo de amor livre? E quando saber diferenciar amor livre de amor próprio pra satisfazer unicamente seus próprios desejos?
    Novamente, estou perguntando isso por estar confusa sobre o assunto, pois gostaria de acreditar que é possivel, mas com o histórico familiar que tenho, não consigo acreditar que isso realmente exista. E acho que você pode me ajudar a esclarecer esse tipo de diferença para que consiga entender melhor o porque me sinto tão desconfotável com esse tipo de relação. Muito obrigada por seus textos e espero consiga me responder!

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    • Oi Lari. Olha, amar é ter cuidado sim. Amar é se importar com os sentimentos do outro, e ainda mais quando o outro tem mais fragilidades que nós. é se colocar no lugar do outro. Amor livre nao significa nao aprofundar nas relaçoes, acho justamente o contrario: amor livre é se aprofundar o suficiente para que haja liberdade mútua, para que se construa confiança e entendimento – e isso é muita profundeza, diálogo, cuidado, preocupação, compromisso e responsabilidade afetiva.
      Se o seu companheiro nao liga pra sua tristeza, provavelmente ele é “sexo livre”. Porque nao vejo sentido pra isso, a nao ser colecionar mulheres, sabe?
      Eu acho possível sim amar mais de uma pessoa, embora saiba que já é dificil se dedicar a nós mesmos e a outra pessoa, imagine a várias. Ou seja, é preciso muito cuidado e preocupação em nao fazer a outra pessoa sofrer. Voce, pelo que entendi, possui esse cuidado; o erro nao está em ti. Ele parece nao querer se aprofundar nas relaçoes e isso nao é amor livre.
      Quando voce disse “amor proprio para satisfazer seus proprios desejos”, eu ouso dizer que isso é egoísmo tipicamente machista. Ele nao ta fazendo nada do que os ensinaram. E construir relaçoes diferentes é romper com esses padrões. Voce nao precisa se impor sentir nada, nem se impor a ficar com mais pessoas. é claro que pras mulheres a monogamia é compulsória, e isso afeta, mas se voce se sente bem assim, acha que pra ti é natural, ótimo! voce nao deve se forçar a nada. qualquer relaçao, pra ser justa, deve ser cuidadosa pras mulheres e saudavel para mulheres. Espero ter te ajudado! estou aqui pra quando precisar. beijao!

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      • Lari, pelo seu relato, a pessoa com quem você se relacionava se encaixa perfeitamente no estereotipo descrito pela Júlia. Amor livre ou preso é cuidado, é respeito, é envolvimento. Acredito no poliamor e tive a oportunidade de vivenciá-lo por um período de um relacionamento. Ambos vivenciamos isto. Além de não haver ciúme, havia naturalidade a ponto de comentarmos a quantas andavam nossos outros pares e mais que isso, nossa intimidade e cumplicidade não foi abalada. Não eram relacionamentos meramente sexuais nem o nosso era frio ou indiferente. Hoje dificilmente viveria uma nova história dessas não por ciúme mas porque para manter um relacionamento de qualidade, é necessário muito envolvimento. Para manter dois, o dobro de envolvimento e a conciliação de tempo e atenção aos demais pares. Nos dias corridos de hoje, uma verdadeira mágica. Boa sorte no amor! E que seja pleno!

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      • Muito obrigada por sua resposta. Me ajudou muuuito, ainda mais nesse momento que estou vivendo. Não tem ideia do quanto isso esclareceu minha cabeça e coração. Agradeço muito ❤

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    • Lari, me identifiquei muito com o seu relato, pois vivo uma relação homoafetiva aberta e que muitas vezes me sinto “descompensada” porque minha parceira se envolve com muitas pessoas. Daí, enquanto ela se envolve e gosta de outras pessoas, eu fico aqui parada, me envolvendo única e exclusivamente com ela. Não que isso seja uma corrida de quem se relaciona mais, só que nesse processo eu me entendi não tão não-monogâmica quanto eu me imaginava, pois eu qro ficar com ela e ficar só com ela me “bastaria” tranquilamente! E “sou dessas” como vc, que se preocupada e cuida mto do outro. Em dado momento passei a me achar trouxa por isso, hoje tento me aceitar assim, do jeito q sou, monogâmica e mto cuidadosa com o outro. Descobri além de tdo q é mto difícil pra mim encarar um relacionamento aberto em que “vou assistir” minha parceira ficando outras pessoas, se apaixonando por elas, e consequentemente (para este caso) cuidando menos de mim. :/
      Obrigada pelo seu relato. E Jú, obrigada pelo texto!

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  12. Chorei com esse texto, me li em várias linhas. Entendi, finalmente, o que senti. Vivi uma relação muito parecida com a sua e não entendia, porque nunca senti “ciúmes”, mas vivia insegura, com medo de errar….

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  13. E Quando existem filhos gerados desses relacionamentos abertos? Como quem fica grávida é a mulher e não o homem, a partir desse momento a liberdade se restringe apenas para o lado feminino. O homem continua “livre” para continuar a relação “não monogamica”. A mulher se recolhe com a prole. Penso que nesse tipo de relacionamento não cabem crianças.

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  14. Eu gostei muito dos textos que li!
    Mas me incomodou uma coisa, posso estar equivocada ao dizer isso, mas me parece que você prega que a relação não-monogâmica seja a mais certa, a mais livre, a menos opressiva, a que te permite ser você, colocando assim uma
    Negatividade na relação monoganica!
    Eu não sou adepta da relação não monogâmica, mas também não descrimino tal, acho que quem gosta, consegue (pois sim, é uma questão de superar o preconceito), parabenizo, bacana, se está feliz ok!
    Mas eu não, eu gosto da relação monoganica!
    Eu me relaciono com meninas, sou uma pessoa ciumenta sim, deixo isso claro, custo a tentar superar as minhas inseguranças, e você pode dizer sentimento de posse, mas eu não vejo problema em ser a única e que seja a única na minha vida! Eu nunca fui o tipo de pessoa que gostassem de ter várias outras em volta de mim, e isso é uma questão de personalidade, não de criação!
    Logo, a monogamia para mim é algo que me faz bem, porque eu sou assim!
    E você fez parecer ser um pouco errado nos comentários, enfim, posso estar errada, mas foi o que me pareceu.
    De qualquer forma, gostei muito dos textos !

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  15. A minha questão sobre a nao-monogamia ainda está nas relações em que mais de uma parte sobre um preconceito social. Eu como negro ao estar com uma mulher branca, acabo por ficar em uma posiçao abaixo nas relaçoes sociais.. até que ponto a poligamia será boa pra cada um? Principalmente pois xs negrxs sempre se sentem em uma relaçao de fetiche.. em um poligamia como iremos saber se é amor ou fetiche mascsrado de liberdade?

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  16. “As mulheres sentem insegurança, se sentem inferiores. Isso é fruto de uma educação machista e patriarcal. O ciúme das mulheres não diz respeito ao controle sobre o corpo do homem, sobre posse em relação ao mesmo. Diz respeito ao que ela foi ensinada a ser, a posição que ela foi imposta a ocupar. A não se sentir boa o bastante. A mulher foi ensinada a se sentir uma bosta quando seu companheiro está interessado por outra mulher. E aí, a gente pode chamar isso de ciúme? É certo culparmos uma mulher por isso? Não.”
    Obrigada por resumir uma parte da minha vida. Sério. Tive só uma experiência com relacionamento não-monogâmico e foi um desastre total. Meus problemas de auto-estima eram/são bizarros, e isso me limita de uma forma que só eu sinto. Tenho que respirar fundo duzentas vezes e repetir pra mim mesma na frente do espelho todos os dias que eu não sou uma merda, que eu não sou feia e que eu me basto. Eu estava a muito tempo procurando ler e debater coisas relacionadas a esse sentido, e rolou uma identificação linda com o que você escreveu. Obrigada ❤

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  17. Me dá um abraço. Sua história é parecidissima com a minha. O cara mais velho, o ciúme, e etc. (Comentei falando um pouco sobre isso no seu texto sobre amor livre).

    Hoje estou em uma relação monogâmica depois de vários “relacionamentos” livres. Coloco entre aspas porque nesses relacionamentos, meu corpo servia ao homem, apenas. E não havia nenhum tipo de companheirismo, afeto, carinho. Sentia falta de mergulhar em alguém, de amar alguém por dentro e me abrir sem medo. Acredito em um relacionamento livre sim, em amar uma pessoa por inteiro sem excluir seu amor por outras pessoas. Mas a maioria das pessoas só molha os pezinhos, e não permite que o mergulho aconteça, infelizmente.

    Nao acho que monogamia é a solução e nem que deve ser entendida como regra, até porque monogamia não garante amor nem esse mergulho no outro. Mas estou farta de superficialidades.

    E estou farta de macho que vem fazer você se sentir uma merda por não querer transar. Transo com quem eu quiser, e se é com uma pessoa só que eu quero agora, vai ser assim. Isso não faz ninguém mais careta, e não significa que estou em uma prisão. Já estou ficando nervosa aqui hahaha – não ao estupro disfarçado de “amor-livre”!!!

    Mais poder sobre nossas próprias escolhas! Mais prazer pra nós! ❤

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  18. Bom texto, mas com várias ressalvas. Entendo: o que foi escrito aqui é em grande parte baseado na sua experiência pessoal e o que ela lhe trouxe como aprendizado e vivência. Mas é complicado, partindo disso, generalizar regras tão universais. Discordo que o sentimento de ciúmes seja ESTRITAMENTE um eco da posse pelo outro. Muitos homens sentem ciúmes por se sentirem inseguros também, afinal, os padrões estéticos não são válidos apenas para vocês, por exemplo.Outro exemplo: eu, particularmente, não gosto da ideia de amor-livre, porque eu, particularmente, não CONSIGO me relacionar de maneira sexualmente profunda com várias pessoas ao mesmo tempo; eu, particularmente, não saberia “gerenciar” isso, e, provavelmente, machucaria a mim e a outras pessoas. Então, partindo de uma visão pessoal do que é o amor e tudo mais, eu me encontrei nesse modelo monogâmico (em se tratando de relacionamentos amorosos).Quando sinto “ciúmes” da minha namorada ou penso em como seria ruim um relacionamento aberto, acaba sendo totalmente um sentimento de não compreensão do outro a respeito desse meu ideal e não um sentimento de posse. Posse e apego são coisas diferentes (embora ambos, ao meu ver, devam ser resolvidos).Pode ter sido uma falha na minha interpretação, e até já me desculpo previamente, mas acho que, implicitamente, você bota o relacionamento livre/aberto/afins como preferível (de maneira um tanto impositiva) e esquece alguns outros modelos peculiares de amor-livre. Por exemplo, o fato de não ter nenhum parceiro sexual, amando a todos da mesma forma, sem apego (me refiro aqui mais especificamente a história do Buda, que abandonou a mulher e o harém que possuía para se libertar espiritualmente). E, detalhe, amando a todos da mesma forma, com todos os tipos de amor organicamente incluídos nisso. Por que não sugerir isso também para a derrubada do patriarcado? Acho também que é um tanto errado pensar que o patriarcado ou o machismo é um sistema completamente favorável a todos os homens (pra mim, é como pensar que o governo socialista será favorável a todos os socialistas e desfavorável a todos os capitalistas. exemplo bem tosco, mas…). O homem que quer se emancipar (não apenas como homem, mas como ser humano) também passa por sofrimentos e traumas (“você tem que ser transão”, “você tem que ter a rola grande”, “você tem que prover uma família”, “você tem que ser muscoloso”, “você tem que ter um carro foda”, etc); as coisas não são tão “black or white” assim. Agora, me pergunto: por que não combater o patriarcado e o machismo se valendo, também (note, TAMBÉM, não
    “apenas”), de exemplos como esse (de homens que “não são homens”)? Já que boa parte dos machistas inferiorizam a mulher, por que não mostrar que seres “como eles” conseguem se desfazer disso? Entendo toda a questão da emancipação feminina por si só, mas acho que a igualdade vai além disso; a igualdade e o verdadeiro amor são pautados no querer emancipar o outro, a despeito de tudo, olhar para o outro sempre com ingenuidade, como se fosse a primeira tentativa.

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  19. Muito obrigada por esse texto. Eu sempre achei q havia algo de diferente no ciúme do homem e no da mulher, mas não tinha encontrado nada p responder. e vc colocou de forma tão clara que chega a ser óbvio. homem sente medo de perder a pose, nunca compreende como q outro homem pode ser melhor do que ele, sempre coloca a culpa na mulher q não soube ver as suas ~maravilhosas~ qualidades, pode até ficar amigo do brother q aproveitou e pegou “a vagabunda”. mulher sente insegurança, procura desesperadamente o que foi q ela fez de errado e culpa a outra mulher, tendendo a perdoar o cara. fica com vergonha e sem chão perante a sociedade porque ela não vai ser mulher de um homem só mais pois foi largada/trocada por outra.
    e, claro, isso não acontece por um fator biológico, é totalmente social e cultural.

    eu sofri a minha vida inteira por causa de homens que sentiam ciume de mim, sendo que eu nem tava flertando ou me interessando por mais ninguém. o que fez a maioria dos meus companheiros ficarem loucos de ciumes por mim foi a minha liberdade na vida. sou independente desde muito cedo, nunca nenhum deles precisou pagar algo para mim, tive muitos relacionamentos desde a adolescência, nunca me importei com o que a sociedade tava pensando. Ou seja, nenhum cara nunca conseguiu tomar posse de mim. Eles não compreendiam como eu poderia ser devotada e monogâmica se não era dependente deles. Nunca compreenderam que a minha monogamia estava relacionada apenas ao meu amor/desejo por eles. é uma coisa q parece, eles não esperam de mulher nenhuma.

    todos os relacionamentos que terminei porque o cara chegou ao ponto de ciume doentio me fizeram sofrer muito, pq embora estivesse triste por eles estarem externando o ciume, eu gostava de cada um deles a seu tempo. eu terminei pq não aguentava mais brigas, indiretas, tentativas de controlar minha vida. e eu sofri.

    dsclp o textão. só queria mesmo agradecer e, talvez, minha história acrescente algo para vc e outras comentaristas.
    bjs

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    • obrigada pelo relato, querida. é muito facil e corriqueiro cair na armadilha da posse masculina. e eles fazem acreditar que está tudo certo. “eu acho que voce nao aceita isso porque nao me ama o suficiente.”

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    • COISA LINDAAAAAAAAAA ESSES SEUS TEXTOSSSSSSSSSSS!!!!!!!!

      GRATIDAO INFINITA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

      passei por inumerissimas bads por conta desses temas… “ciumes” (insegurança, falta de auto confiança, auto estima, amor próprio), relacoes “livres”, “o machismo nosso de cada dia”…..

      acredito que essas mudanças de paradigmas são APRENDIZADOS MUITO INTENSOS E MARAVILHOSOS PARA TODXS NÓS “EVOLUIRMOS” COMO CONSCIENCIA TERRENA MESMO……… praticar a cada dia mais o desapego, a empatia, a compaixao!!!!!!!!! resgatando o sagrado feminino… a energia da introspecção, da criatividade, do amor, da compreensão……..

      queria deixar uma mensagem especial: SILENCIEM SEUS EGOS (MEDITAÇÃO!!!!), REENCONTREM E SE RECONECTEM A NATUREZA / ESSÊNCIA E DEIXEM A ALMINHA SUSSURAR E GUIAR O CAMINHO!!!!!!!!!!! O AMOR QUE TANTO BUSCAMOS FORA…. ESTÁ DENTRO DE NÓS!!!!! E SENTIMOS ELE A PARTIR DO MOMENTO QUE COMEÇAMOS A ENCONTRAR / ACEITAR / CONVIVER COM OS NOSSOS PRÓPRIOS PODERES PESSOAIS!!!!!

      ❤ ❤ ❤
      MUITO AMOR E LUZ NA CAMINHADA DE TODXSSSSSSSSSSSSSSS!!!!!!!!!!!!

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  20. Muito bom seus textos. Até compartilhei. Embora eu como Negro, suburbano e pobre acabo não compartilhando tão bem a ideia de “amor livre” pq, embora ja tenha vivido isso (na minha experiência de vida ja passei dos 30 hehe). As vezes acho que é meio armadilha sabe. Acho que é mais uma experimentação do que uma coisa pra vida mesmo. Acho importante como experiência e admiro mulheres que realmente conseguem seguir nesse caminho que é tbm uma posicão politica antes de tudo, só nao sei se é pra vida.Vira mais um sexo sem compromisso do que realmente amor livre. Muitas vezes é mais a realidade da parada. Ja conheci varios caras adeptos do “amor livre” que na real tão só afim de sexo fácil.. saca? E alguns são até beeem machistas. Pensando em longo prazo só a vida mesmo.. Longas divagações sobre a vida.. Enfim continue postando e trocando! Parabéns. Abs

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  21. li parcelado o texto. tanto pela questão da extensão (ñ q seja ruim, meu tempo q tá lixo) quanto pela questão do asco que dava de mim e de outros homens que conheço. num relacionamento recente, iniciou, sobre proposta minha, de aberto, “amor livre”, mas me vi, contribuindo pela exposição da menina, em uma quase crise que, na minha intenção foi “protecionismo”, mas que transpareceu e figurou como “ciúme” mas que seria melhor sintetizado em “possessividade”. teu texto me ajudou a refletir sobre isso e a concordar q fui idiota.
    obrigado.
    gostaria de sugestionar, como comentei com esta menina que estou/estava, que acho horrível a mulher não gozar, é tão direito de vocês quanto é dever do homem objetivar proporcionar isso (e infelizmente ainda não consegui este objetivo com ela). mas, tanto por uma infeliz questão cultural que é um assunto pouco discutido, mais falta de bom material e principalmente, a falta de retorno da parceira em dizer “ai tá bom” “faz assim” “ñ faz isso” que sofremos muito, um feedback é necessário. assim, gostaria sugestionar mais textos neste sentido, ajudando os homens a saberem e entenderem (qdo e se possível) mais vocês para que gozem (e mais e melhor).

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  22. Recentemente (quase dois anos) tento colocar um “amor livre” em prática, mas muitas dificuldades apareceram e ainda aparecem. De qualquer forma, gostaria de compartilhar. Quis por livre e espontânea vontade junto com o meu companheiro tentar quebrar certos paradigmas e ultrapassar barreiras que sempre nos foram impostas. Mas essa desconstrução não se resume em repensar a questão da possessividade apenas, e descobri isso agora, lendo o seu texto. Apesar de ter um típico relacionamento sério, nos damos a liberdade de ficarmos também com outras pessoas. Porém foi algo que eu nunca consegui colocar realmente em prática, apesar dele, mesmo que poucas vezes, já. E é esse o ponto, eu não tenho vontade de ficar com outras pessoas. Me questiono diariamente dessa minha falta de vontade e não chego a nenhuma resposta. Meu namorado não me pressiona em nada, não me chantageia indiretamente ou de forma sútil, pelo contrário, ele super me apoia a passar por essa experiência. Talvez seja minha timidez, talvez seja a influência da sociedade, talvez seja meu olhar muito romancista sobre as coisas, talvez seja minha dificuldade de me atrair por pessoas que não desenvolvo antecipadamente uma admiração ou uma troca de diálogo mais profunda. Talvez seja tudo isso. Ainda não sei. Mesmo sem respostas, cheguei em algumas conclusões… Conclui que não vou me forçar a ter essa vontade para tentar me provar alguma coisa ou ao meu companheiro. Conclui que para amar e espalhar o amor não precisa-se da condição do beijo, dos toques mais íntimos. Conclui que para me sentir livre, não necessariamente preciso me relacionar dessa maneira com outras pessoas. A liberdade em uma relação, para mim, se baseia em duas coisas: você fazer o que tem vontade e, para além disso, não impor ao outro uma vontade que é apenas sua. Apesar de ter isso bem claro na minha cabeça, um aperto no peito muito forte me contamina toda vez que ele conta que beijou alguém. E é isso, apenas um beijo… Por que esse aperto todo? Por que fico triste? Me sinto impotente? E, principalmente, extremamente insegura? No compartilhar com ele essas minhas sensações sempre chegávamos a conclusão de que era ciúmes, uma possessividade impregnada que cada um carrega dentro de si decorrente das imposições feitas por uma sociedade como a nossa. Possessividade essa que reconheço a importância de combatermos e falar que sim, outras relações são possíveis e que o caminho para a felicidade não é apenas o que estamos tão acostumados a ouvir, ver, vivenciar e muitas vezes reproduzir. Seu texto me fez refletir exatamente isso, perceber que esse aperto no peito não é consequência do meu suposto sentimento de posse e sim por não me sentir uma mulher suficientemente boa ao ponto de fazer com que ele não tenha vontade de beijar outras pessoas ou passar a mão em outros corpos tão lindos quanto o meu. Me sentir inferior. Me sentir insegura. Me sentir uma mulher sem graça.
    Só tenho a certeza que não quero me permitir a reproduzir um relacionamento com traços patriarcais. Eu sei que a minha felicidade e satisfação serão plenas a partir do momento que elas tiverem começo e fim em mim mesma e não existirem unicamente para deixá-lo feliz. E é ai que eu me pergunto… Estou em um relacionamento assim para me satisfazer (de todas as formas possíveis) ou satisfazê-lo? A grande questão é essa, como lidar com isso? Como compreender de verdade uma vontade que você não tem, mas ao mesmo tempo entende a importância de dá-la para o seu companheiro? Como se sentir uma mulher satisfeita, potente e segura independente disso?

    Sendo uma pessoa com tantas incertezas e dúvidas, ter a oportunidade de se compreender melhor é muito bom, um alívio. E é assim que me sinto, extremamente leve depois de ler o seu texto. Continue espalhando essa leveza por ai.

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    • Me sinto bem assim apesar de já estar na não monogamia a 7 anos. Nunca houve um período em que eu realmente me sentisse a vontade com tudo. no fundo me sinto bastante amugustiada o tempo todo.
      Não sinto ciúmes ou nada quando ele fica com outra pessoa, mas quando ele está apaixonado aí que começa meu calvário. Começo a duvidar das minhas capacidades e até hoje não achei um jeito de lidar com isso e claro piorado pelo fato que eu não tenho sentimentos por mais ninguém. Se você arranjou um jeito de lidar, me avise por favor

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      • @rcmondschein Não sei se vai te ajudar… Mas o que eu sempre digo é que um amor não substitui e não compete com outro. E eu acredito que isso vale pra qualquer tipo de amor. O exemplo mais fácil é o da mãe. Quando se tem mais de um filho, o amor pelo segundo não diminui o amor pelo que veio primeiro. Acho que isso se reproduz nas relações amorosas também. A chave (pra mim) é entender que as pessoas (ou os amores) não são melhores ou piores, são apenas diferentes. Se você e sua (seu) parceira(o) entenderem isso, a insegurança começa a diminuir.

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  23. Acho foda isso, porque me sinto exatamente desse jeito.. só que sou homem.. e quem tá fazendo esse papel masculino é minha companheira. E eu super tento me desconstruir porque como vc mesma disse a tendência é sempre achar que VOCÊ tá fazendo algo de errado, mas é muito fácil pra alguém se relacionar abertamente quando não se importa nem um pouco sobre o que o outro faz ou deixa de fazer. Eu passei um bom tempo achando que era o desconstruído porque conseguia me envolver com mais de uma pessoa ao mesmo tempo… até aparecer uma que eu não sentia a mínima vontade me relacionar com outras pessoas, e aí começou o calvário. Mas não vejo como posse, na verdade não é ciúmes… quer dizer é também, a ideia de ter outras pessoas no meio de sua história de amor é meio perturbadora, mas acho que a culpa é dos filmes e livros, a idealização do romance… ai ai pior é que não vejo fim pra isso, pois pra ela está super confortável, ela fica com quem quiser, quando precisa de mim ou simplesmente sente falta eu vou estar lá e não a perturbo com minhas inseguranças porque estou chorando sozinho quando sei que ela tá na cama com outro, e me achando maior idiota do mundo por está nessa situação.

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