Dos ventos que não mais sopram

Já não bastava sentir a vida sem vento no rosto. Isso posto definido em seu interno, quando o vento não batia, lembrava do mundo enfermo; mas ela já sabia como balançar sua própria saia. Os cabelos já eram tão curtos, o que amenizava a recorrente lembrança de uma vida sem brisa.
Se perguntava, no ponto em que estamos pra quê ainda existe para-brisa e para-lama? Talvez dê sensação de que no asfalto ainda tem chão. Ela não se enganava: essas coisas perpétuas só em palavras.
Vivia em giro eterno, rodopios que dançavam os pêlos de seu corpo. Diziam que ela se bastava, ela sabia que bem assim não era. Era inteira, sim, e de muitos foi composta; mas inventaram essa coisa de se bastar… lhe soava individualista.
“Resolva teus próprios problemas, que são só teus!”
Ainda que fosse necessária a sobrevivência, ela sabia que o vento já faltava aqui e lá.

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3 comentários sobre “Dos ventos que não mais sopram

  1. Nossa, sempre sinto que há uma grande empatia entre seus escritos e meus pensamentos. Você consegue transpor as subjetividades que há no nosso “eu”. Simplesmente, e mais uma vez, muito obrigada! 😀 E, por favor, não deixe de criptografar as sensibilidades que lhe ocorrem, são preciosidades para mim. Grande beijo afetuoso!

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