EM FALTA, GIRAUTA

Agora eu choro num poema
sobre como eles agem
e não se importam se é problema.

Como eles não entendem um abraço
cada contato corporal relembrar fisicamente
o poder ereto
e tudo que passo:

estou à disposição e serventia
se reclamo – tudo que faço –
“que rebeldia!”

Roçar já não mais é cuidar da terra
quem ainda conheceria tal verbo,
podendo satisfazer-se até quando eu não queria?
“eu achei que podia!”

Aos 14, o professor que 42 fazia,
me chamava à sua casa pra ensinar poesia

Pois que minha carne aprendeu no dia-a -dia:

Apagavam minha pulsação que atentava ao errado
Afinal, como dizia, não parecia tão nova
– e agora, quem sabe, não pareço tão invadida –
Se demonstro, ele reprova.

Sempre sabem o que é melhor pra mim
Me leem melhor que eu mesma.
Os sinais do meu desconforto
[ignorados
estando pressionada pelo seu corpo envolto

Há quem disse que sou sutil
Mas lembro: mesmo falando, chorando ou imóvel
ele sempre me engoliu.
(eles), você também
(moço) que passa os olhos sobre essas inúteis palavras
femininas.
Cuidemo-nos, meninas.

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Obrigada

O olho que pro meu não olha nem nada vê
Logo procura pedaço onde se entreter
Me fita: é pra ver ou pra comer?
Permaneço enquanto desliga a tevê

O olho que pro meu não olha, nada vê.

Pedaço encontrado
O ouvido que pra mim não olha nada entende.
Quando capaz de pedir me solta
Na verdade já muito passou da hora.
Quando preciso ir embora, fujo, me sento
Aguardo em seu gozo que demora.
O líquido sem culpa que dele jorra, como difere…
Em mim, a mesma cicatriz que chora.

Já lá fora, busco droga que traga minha calma
Um outro se faz cavalheiro:
eu, com minha dor estampada nem sussurro, mas ouço um repreensivo “de nada”.
Me fez o favor de lembrar como sou obrigada.