EM FALTA, GIRAUTA

Agora eu choro num poema
sobre como eles agem
e não se importam se é problema.

Como eles não entendem um abraço
cada contato corporal relembrar fisicamente
o poder ereto
e tudo que passo:

estou à disposição e serventia
se reclamo – tudo que faço –
“que rebeldia!”

Roçar já não mais é cuidar da terra
quem ainda conheceria tal verbo,
podendo satisfazer-se até quando eu não queria?
“eu achei que podia!”

Aos 14, o professor que 42 fazia,
me chamava à sua casa pra ensinar poesia

Pois que minha carne aprendeu no dia-a -dia:

Apagavam minha pulsação que atentava ao errado
Afinal, como dizia, não parecia tão nova
– e agora, quem sabe, não pareço tão invadida –
Se demonstro, ele reprova.

Sempre sabem o que é melhor pra mim
Me leem melhor que eu mesma.
Os sinais do meu desconforto
[ignorados
estando pressionada pelo seu corpo envolto

Há quem disse que sou sutil
Mas lembro: mesmo falando, chorando ou imóvel
ele sempre me engoliu.
(eles), você também
(moço) que passa os olhos sobre essas inúteis palavras
femininas.
Cuidemo-nos, meninas.

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5 comentários sobre “EM FALTA, GIRAUTA

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