Passa

O quão árduo e comum
fica
o trabalho de se acostumar
com que tudo
passa.

Nosso sorriso sonolento
às segundas de manhã,
modificado
entre tantos cansaços

O medo de não ser
que fez amadurecida
a forma de apertar os passos

A moça em quem esbarrei, oi,
o café que derrubei, ai,
droga,
passa.

Tudo passa.

O nosso amor de sexta passada,
também vai nossa risada de quinta
e encontro na praça.

Se o movimento é circular
ou se é vai-vem-reto-direto,
que importa… a dúvida já foi
com.pressa.

O que senti naquele dia,
no nosso primeiro sexo,
ufa, passa!
Também passa
a uva-passa
do arroz natalino

E como os sorrisos sonolentos
e os encontros-afastamentos,
elas tendem a revisitar

Algumas mais secas,
as rugas já são outras,
umas bem duras,
outras que agradam –
suculenta surpresa.

E voltam, e passam

Passa o engarrafamento
o som, a multidão, a empresa

E já não sei, nesse momento,
quem deixo ir primeiro:
Se passo eu ou se passa o tempo.

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