A insustentável leveza do não-orgasmo e a falsa liberdade sexual feminina

Eu sou mais uma mulher que, sob a falsa bandeira revolucionária da liberdade sexual feminina, começou sua vida sexual de forma muito precoce. Foi majoritariamente com homens – e com seus incentivos – que minhas primeiras transas se deram há 6 anos, quando eu tinha recém feito 14.

Antes de me envolver em relações sexuais, eu já me masturbava com frequência, muitas vezes no banheiro – gozava sempre e razoavelmente rápido, em paz. Nessa época eu era bem criança e, apesar de já receber olhares invasivos dos homens, não havia caído ainda na serventia compulsória de agradá-los, de existir em sua função.

Não demorou muito para que isso acabasse e me ensinassem que mulheres amadurecem mais cedo que homens. De maneira muito fácil, assimilei, como boa aluna, que era assim mesmo: os meninos da minha idade brincavam de carrinho, enquanto eu já despertava desejo sexual por onde passava – dos mais velhos, afinal, eles sim já haviam amadurecido. Então eu não me preocupava mais com brincadeiras bobas, até porque todos esperavam mais de mim.

Na escola, alguns professores me olhavam de forma diferente. Eu gostava quando eles diziam que eu era inteligente, que eu nem parecia ser tão nova – muitos diziam que eu era bem madura, que parecia ser bem mais velha. Achava ótimo, já que os meninos da minha idade não se interessavam em se relacionar com meninas, e eu já estava vivendo essa fase. Passei a ter meus amigos como bobinhos e a buscar aprovação masculina. Muitas amigas eram muito reprimidas e não falavam abertamente sobre sexo ou sobre seus corpos – mas logo percebi que todos os homens gostavam quando eu falava, diziam que eu era muito livre e diferente (o que me agradava bastante, uma vez que tudo que eu queria era ser livre).

Sentia-me muito bem por não ter tabus sexuais. Era bem-vinda nas rodinhas masculinas e falava que as meninas eram sem graça e cheias de frescura, já que os amigos falavam isso pra mim, dizendo o quanto eu era mais madura e legal que elas.

Aos 14 tive um namorado que deixava implícito que só ficaria comigo quando a gente transasse. Tive um receio, mas eu gostava dele e isso não poderia ser um problema logo pra mim. Quando aconteceu, tive muito orgulho de mim mesma, mas o processo todo foi um pouco difícil: eu me lavei muito antes, procurei uma gilete em casa, usei, e fui. Dessa vez ele gozou, eu não. Tudo bem, me disseram que ia doer muito.

Ele era bem-humorado. Às vezes fazia piada quando transávamos muito, dizia que minha vagina (buceta, né) tava tão larga quanto um túnel. Dizia que meu peito era meio separado, e sorrindo, juntava eles com as mãos, levantando-os um pouco. Falava pra eu me depilar, que tinha muito bigode, etc. Quando estávamos bem, ele disse “até que você é bonita, meio exótica.” Eu sempre fui uma mulher dentro dos padrões violentos impostos e aceitos socialmente – magra, branca – ou seja, não tive dificuldades de ser considerada bonita e agradável. Mas o poder devastador da opressão masculina é cruel e muito difícil de se identificar, principalmente quando se “ama”, e pior ainda, quando se é uma criança – fácil de dominar.

Depois dele, vieram muitos outros. Alguns eram mais sutis, mais gentis. Sugeriam que não gostavam de pelos, brincavam que vagina tinha cheiro de bacalhau, essas coisas assim. Fui aprendendo a ficar mais atraente, comprei umas revistas que ensinavam a dar prazer aos homens, uns sabonetes íntimos com cheiro de morango e passei a tomar pílula anticoncepcional, porque eles diziam que era muito chato usar camisinha. Eu já era tão livre que um deles até me disse: você é a namorada que todo homem quer! É bi, não tem ciúme e é bonita.

Passei anos transando muito. O namorado mais duradouro tentou me fazer gozar duas vezes me chupando, mas eu não consegui. Depois de uma semana ele me deu meu primeiro vibrador. Durante todo esse tempo, eu nem me masturbava mais como quando mais nova, desaprendi, – dedicava tanto meu corpo aos homens que nem pensava muito em sexo quando tava sozinha, afinal, pela regra, eu era sexualmente bem resolvida. Muitas vezes eu nem queria transar. Mas como nunca era tão prazeroso mesmo, aprendi a ceder aos namorados sem tanto sofrimento, pra agradá-los, assim eles seriam mais fiéis e não precisariam buscar outra menina. Esse namorado me falava pra eu ir à academia malhar, até pagava pra mim – dizia que minha bunda podia ser maior, era só eu querer.

Quando ganhei esse vibrador, eu já tinha uns 16 anos. Eu me sentia confortável pra gozar com meu namorado usando ele, e passei a usá-lo sozinha durante os dias que não nos víamos. Só que o tempo foi passando e o sexo começou a ser desgastante, muito porque só ele gozava e eu gozava com o vibrador – e dessa forma eu já me satisfazia sem ele. Um dia ele me disse que era pra eu não me masturbar durante a semana, porque eu perdia a vontade de transar com ele por causa disso. Repetidas vezes quando ele gozava e eu tentava me masturbar depois, continuando o sexo pro meu orgasmo, ele já estava deitado de olhos fechados (mesmo percebendo minha necessidade).

Dos 14 aos 18, foram 4 anos sem saber gozar de forma autônoma. Ninguém conseguia me dar prazer, mas eu me garantia no vibrador. Quando alguns caras percebiam meu problema, eu dizia que era super normal, que pra mim o que importava era o contato, que eu não precisava gozar sempre! Quem precisa? O sexo é bom por tudo, não precisa acabar em orgasmo. Certo. Dessa forma eu me iludi pra dar uma sensação de leveza aos homens, e continuei transando muito sem que gozasse nunca – isso pra mim era normal, desde que transei a primeira vez. Até porque em todo lugar diziam mesmo que mulher é mais difícil de gozar. Então eu me atinha aos manuais para um bom boquete.

Quando algum me chupava, eu não gostava muito – a maioria não se importava, outros não sabiam o que tavam fazendo e eu ficava fingindo prazer, eles ficavam com tesão ouvindo gemidos. Nas raras ocasiões onde era mais ou menos bom, eu tentava relaxar, mas era torturante e impossível: ficava preocupada com meu cheiro, lembrava das revistas que diziam “se tiver um pelinho fora do lugar, o amado vai fugir! Se tiver ferida de depilação é feio!” (acrescentar aqui suas milhares de preocupações quanto mais fora do padrão desejado de mulher você for), pensava que de qualquer forma não gozaria, porque a maioria só chupava durante 5 minutos – quando começava a ficar bom, acabava. Fora isso, quando durava mais, eu já me preocupava por estar sendo cansativo pro rapaz e me sentia um peso por ser tão complicada. Os filmes pornôs mostravam umas três lambidas e só, mesmo.

Comecei a falar pra todos eles que eu tinha um problema, que não conseguia gozar acompanhada, mas que não era pra eles se importarem com isso. Falava isso quando me sentia culpada por não gozar, pra evitar o constrangimento de o cara resolver tentar e falhar. E eu realmente achava que isso era um problema que eu tinha, como uma deficiência, algo de frigidez.

Com 18 anos foi a primeira vez que eu consegui gozar na boca de um homem. Foi extremamente difícil e demorado, mas ele me deu uma mínima segurança com meu próprio corpo e disse estar disposto. Mínima segurança porque ele gostava também de parecer livre, mas na verdade era muito opressor, ainda que mais sutil. Passei a usá-lo nas minhas desculpas: eu tenho dificuldade mesmo, só uma pessoa me fez gozar na vida. Assim os caras transavam comigo com menos pressão.

Aos 19 foi quando entendi melhor tudo o que passei, meus relacionamentos abusivos e minhas feridas consequentes deles. Fiquei um bom tempo sozinha, passei a amar mais meu corpo, entendi meus pelos e meu cheiro. Entendi a cultura pedófila onde meninas são entregues banalmente a homens bem mais velhos, onde mulheres precisam se depilar totalmente para parecerem meninas.

Entendi que dominar meninas é muito fácil, e que moldá-las a seres frágeis e submetidos é natural, e que tal cultura é muito funcional para explorar nossas crianças. Numa sociedade machista, onde o homem detém poder, as mulheres servem como suas propriedades – e é muito mais fácil controlar uma menina em fase de aprendizado, buscando sua autonomia. Destruir sua auto-estima e confiança nessa fase é ainda extremamente eficaz, pois é algo que possivelmente a perturbará para o resto da vida – seja por traumas consequentes ou por absorver tal criação.

Voltei a conhecer meu próprio prazer, como comecei na primeira infância antes de roubarem isso de mim. Descobri que todo o sexo que já havia feito era apenas para agradar homens, reproduzindo inclusive imagens de uma indústria pornográfica – que violenta mulheres – para ser visualmente erótico. Nada daquilo havia me dado realmente prazer, e pra me enquadrar no status mulher livre sexualmente, me podei tanto que tinha vergonha do meu corpo. Tive que passar por situações horríveis que uma menina de 14 anos nunca deveria ter passado. Aprendi que pra eu gozar tem que ser tudo diferente, do meu jeito – e não é nada do que mostram por aí. Tenho amigas que dizem saber gozar, mas que raramente conseguem, por terem medo da reação do cara. O nosso prazer está tão em prol do homem, que é normal fingir orgasmo, um gozo manjado de filme, para que ele fique contente e ache que é um ótimo parceiro.

Quando ouço que “feminista é tudo mal comida”, percebo o quanto essa frase é útil pra que as mulheres não se libertem de verdade e continuem agindo em função dos homens. Quanto mais você é ciente do próprio corpo e de tudo que te violenta, mais você fugirá disso e mais prazer consigo mesma você terá. Ou seja, dar prioridade pras mulheres ao invés dos homens, foi fundamental pra que eu aprendesse a gozar.

Ainda tenho dificuldade pra gozar, e se não sentir que o outro se importa, me sentirei péssima. É muito fácil voltar a pôr meu próprio prazer em segundo plano, e sei que não me desamarrei disso. A vida inteira tendo meu prazer reprimido, tido como algo errado, e só considerável quando explorado para o bem masculino. Ainda sinto as amarras da obrigação de fazer meus companheiros muito satisfeitos. Ainda recebo deles os olhares de decepção quando não gozam. Ainda transo sem vontade para que eles não fiquem estressados. Ainda sofro. Mas apesar de tudo isso, tenho consciência de que não é um problema meu, e quando me disponho a me fazer gozar, principalmente sozinha, consigo muito rápido, ao contrário do que os manuais ensinam sobre nossa eterna jornada.

Isso é compreender que a liberdade sexual feminina é usada estrategicamente para manutenção de privilégios de dominação patriarcal, e que de liberdade não há nada. Hoje em dia, com 20 anos, ainda acho que nem todo sexo precisa acabar em orgasmo. Mas por lembrar de como fui ofuscada atrás dessa máscara para prazer do outro, tenho cuidado com tal afirmação.

A insustentável leveza do não orgasmo é não desmanchar em preguiça e falta de energia na cama após um gozo, como meus companheiros fazem: fico leve e disposta. Mas é também eternamente carregar esse peso – que pesa em todas as mulheres – sobre meu ser.

AMARras

Sobre outras falsas liberdades, você poderá gostar de:

Sobre aquela mesma coisa de sempre disfarçada de amor-livre / Sobre ciúmes e a posição da mulher na luta não-monogâmica

Anúncios

307 comentários sobre “A insustentável leveza do não-orgasmo e a falsa liberdade sexual feminina

  1. “sob a falsa bandeira revolucionária da liberdade sexual feminina, começou sua vida sexual de forma muito precoce”; é disso q eu falo! Quando digo q nao quero transar so por transar os kras q eu saio me acham infantil, dizem q eu devo me libertar, que eu sou fraca, que o mundo esta na ‘era do feminismo’. Era do feminismo é o caral***, eu me sinto super mal em transar com um kra so por transar, justamente pq usam essa ‘liberdade sexual’ para seus proprios prazeres, e eu nao sou uma mulher objeto, eu quero um amor, nao um penis. Mulher tem que fazer o que quer, seja transar ou nao transar, seja abortar ou nao abortar, ser livre deveria ser nosso ponto maximo, nao o orgasmo fingido

    Curtido por 2 pessoas

      • cuidado com essa afirmativa…é justamente ela que faz com que nós sejamos manipuladas como o texto demonstra..além do mais,é utilizada para justificar nossa exploração sexual.Além do amis,não se esqueçam que os homens sempre fizeram tudo o que quiseram e não se sentem na obrigação de se justificarem para nós;e vivem jogando essa frase na nossa cara: “vcs não fazem o que querem? nós também,ué!”.Políticos também adotam tal mentalidade.Atitudes irresponsáveis não nos libertam.

        Curtir

    • Faça quando vc quiser. Não porque os outros querem. Perdi minha virgindade super tarde (para os padrões) – aos 22. Fui muito julgada pelos amigos. E isso foi há quase uma década. Mas perdi com alguém que eu amava. Acabou, mas na época deu certo, o namoro durou um tempo. Não tenho arrependimentos. Sempre tive uma grande consciência de que os homens mais velhos estavam me cobiçando para se aproveitarem. Também tive professores que me assediaram como a moça do texto e jogaram esse mesmo papinho de que eu era madura e podia me envolver… mas eu era realmente madura, não me preocupava em parecer madura. Por isso não me envolvi com nenhum deles e vivi a minha vida. Aproveitei muito aquela fase e ao invés de fazer amizade com homens mais velhos, sempre fiz amizade com mulheres mais velhas e BEM RESOLVIDAS, que me passaram muito de suas experiências. De fato o papo de que estamos na “era do feminismo, então vem dar para mim” não passa de papo furado de homem babaca. Depois do meu primeiro, que felizmente era legal, outros vieram. Alguns legais… outros, verdadeiros idiotas como os relatados no artigo. Peguei um bom know how a respeito. Até hoje não sei se isso é bom ou ruim. Mas dá para ajudar as irmãs mais novas. Se cuida.

      Curtir

  2. Júlia, tenho 20 anos e passei por uma jornada extremamente parecida com a tua, apesar de não ter iniciado minha vida sexual na casa dos 14. Iniciei minha vida sexual aos 18 anos, foi uma época que parecia incrível, tinha acabado de entrar na universidade, tava começando a entender mais sobre feminismo e o discurso de liberdade sexual veio como a salvação dos anos em que estudei em escola evangélica, que me reprimia, tinha medo de me tocar e minhas experiências eram nulas, pensei, então, que era a minha chance de aprender tudo que não tinha aprendido. Me enganei, e principalmente, me traumatizei.
    Amei homens que olhavam pro meu corpo como um território a ser conquistado, me entreguei para homens, quando nem eu mesma me conhecia, naturalizei abusos como se fossem piadas ou que eu estava sendo frígida demais, acreditei em amor livre por querer ser livre.
    Aos 19 fui amadurecendo nas minhas leituras feministas, percebi as tantas relações abusivas pelas quais eu passei, percebi que havia sido abusada sexualmente (não era uma transa! ele se aproveitou do quanto eu estava bêbada, e eu encarei durante muito tempo como uma transa).
    Hoje, aos 20, faço psicanálise pra aprender a lidar com muitos traumas, tenho raiva de muitos homens, tenho medo de transar, uma agonia nervosa de pegar alguma doença sexualmente transmissível ou engravidar. Dizem que tenho que aprender, superar e me cuidar, aos poucos, tenho tentado, mas ainda é muito difícil se amar quando se foi usada tantas vezes para o prazer alheio, quando se foi apenas um “depósito de porra” pra homem, quando se foi abusada por gente que você jamais esperava. É muito difícil confiar em mim mesma, sabe, e absorver que a culpa não foi minha, ainda acho que foi. Aos 20, também me descobrir e me assumir bissexual, procuro aprender e amar mais as mulheres. Enfim, obrigada pelo texto e desculpa o depoimento tão longo, mas precisava dizer tudo isso ❤ toda solidariedade e todo amor pra ti!

    Curtido por 1 pessoa

    • Só argumento achista e parcial. Nao conclui nada e bota a culpa de absolutamente tudo na existencia dos homens. Feminismo lesbico é injusto nas falas.
      *o machismo tem q acabar sim. Mas essa cultura de culpar tudo que um homem fizer em função de uma maldade historica nao acaba c machismo.. só segrega e gera piada. (E ja sei q vai me xingar :/)

      Curtir

  3. Texto muito bacana, não me eximo em afirmar que de fato tens o dom da escrita, continue assim. Como homem, me consterno um pouco com a ilustração real desta “opressão masculina silenciosa”, contudo, advirto que estes conflitos emocionais muito tem a ver contigo mesma (vc com vc mesma) e com a escolha dos seus parceiros (muitas vezes inconsciente), vejo esta área das nossas vidas (sexual) como a que mais vive a velha “auto-sabotagem”, o que nos impede de sermos felizes verdadeiramente, uma espécie de “auto-flagelação” em busca de nos punirmos por culpas submersas em nosso ego, só Freud e sua velha psicanálise para ajudar-nos a nos conhecer melhor, assim, meio que percebo a entrega há ao tipo “homem padrão”, acriançado, imaturo e egoísta, uma forma de sustenta-se em pontos de vista e explicações emocionais estruturadas que por ventura muito te impedirá de conhecer o verdadeiro “édem” entre um homem e uma mulher. Mesmo esta opressão sendo tão vigente, existem sim milhares de exceções, homens que interagem num grau mais elevado, infelizmente noto tal capacidade em indivíduos mais velhos, eu mesmo hoje com quase 40, olho para trás e vejo o babaca que era, sim… como mesmo dizes, homens demoram muiiiiito à amadurecer, mas isto não é regra, claro, como tudo na vida, já vi amigos de 40 com as emoções de 20 e de 20 com as emoções de 40, de qualquer forma, tudo é uma questão de “verdade e amor” somente assim tudo pode dar certo (Mahatma Gandhi), até mesmo nos discursos feministas que muito faz sentido, porém muitas vezes instiga o ódio a nós pobres homens, que por fim, queremos mesmo é nos entender com vocês mulheres..

    Curtido por 2 pessoas

    • Você tem algum problema pra ter que falar assim, cara? Acha que palavras difíceis significam alguma coisa ao mesmo tempo que não sabe nem escrever éden? Dica: ficar calado é o melhor que você faz. Você não entende nada e se acha tão experiente. Como um perfeito babaca vem você aqui citando Freud e culpabilizando a vítima de ABUSOS, dizendo que o erro está nela e nas escolhas dela? Você é um lixo.

      Curtido por 1 pessoa

    • Imbecil, acha que falando bonito você ta sendo educado e aparece como esses homens super maduros que você descreve né? Pena que é um idiota que chega aqui citando Freud ao mesmo tempo que culpibiliza uma vítima pelo ABUSO que ela sofreu, dizendo que o problema está nela e nas escolhas dela. Você é um lixo, incapaz de empatia ou de produzir qualquer pensamento que preste tamanha a desonestidade intelectual. “Nós pobres homens”, você tá maluco?

      Curtido por 1 pessoa

      • Só adicionando: a citação de Freud por um sujeito desses não me impressio nada,eu tive o desprazer de estudar as teorias e ele que iniciou essa insanidade de que nós mulheres adoramos ser abusadas emocionalmente e até sexualmente.òbvio que não é assim “na cara”,mas ele alegava que quando as vpitimas de incesto iam se queixar com ele,era tudo “fantasia”,na verdade elas estavam desejando seus tio,pais abusadores,e que era “normal” porque meninas desejam ter relações com o pai numa certa idade (de 8 aos 10 anos,par vcs terem idéia…).E Freud continua sendo ovacionado pelas academias…

        Curtir

    • Márcio, parabéns pelo comentário. Muito cuidadoso e amoroso com a autora e com as mulheres, sem deixar de apontar os desafios da linguagem desenvolvida no texto. Acho que tudo vai de uma experiência pessoal de cada pessoa. A autora me parece ter tido contato com homens muito pouco cuidadosos com ela em si e com a relação entre el@s dois. Homens e mulheres lá no fundo querem se entender. Ao generalizar a condição de homem a este nível muito baixo de sensibilidade (por mais que realmente existam um percentual muito alto de ‘babacas’), o texto perde seu senso de liberdade. Atribuir genericamente aos homens tais características engendra um tipo de violência sutil na linguagem que afasta e reproduz um estado belicoso. Nenhum tipo de violência pode e vai acabar com a violência. Felicidades!

      Curtir

    • Márcio entendi que quando vc cita Freud a ideia que quis trazer é que precisamos nos conhecer fazer auto análise pra resolvermos primeiro as coisas com agente mesmo. Se conseguirmos isso, será mais fácil ser honesta em nossas expectativas pra nós e para aqueles (as) com quem nos relacionamos assim evitando experiências traumáticas. Fui abusada na infância por homens mais velhos, assim como minhas primas e minha mãe. Meu pai foi infiel, abandonou 4 crianças e a esposa epilética que não podia trabalhar. Cresci odiando homens, mas sou hétero e tive que me reconsiliar com eles. Hoje vivo com um homem, ele me faz ter orgasmos, não em todas as transas, também faço sexo só pra deestressa-lo. Não me sinto oprimida por isso. Estamos a 14 anos juntos e tivemos que superar nossos traumas eu com os meus ele com os deles. Nossa relação não é só sexual, compartilhamos projetos, nossa filha, nossas famílias, quando brigamos exijo DR porque tudo que quero é viver em paz e me entender com ele.

      Curtir

    • Márcio entendi que quando vc cita Freud a ideia que quis trazer é que precisamos nos conhecer fazer auto análise pra resolvermos primeiro as coisas com agente mesmo. Se conseguirmos isso, será mais fácil ser honesta em nossas expectativas pra nós e para aqueles (as) com quem nos relacionamos assim evitando experiências traumáticas. Fui abusada na infância por homens mais velhos, assim como minhas primas e minha mãe. Meu pai foi infiel, abandonou 4 crianças e a esposa epilética que não podia trabalhar. Cresci odiando homens, mas sou hétero e tive que me reconsiliar com eles. Hoje vivo com um homem, ele me faz ter orgasmos, não em todas as transas, também faço sexo só pra deestressa-lo. Não me sinto oprimida por isso. Estamos a 14 anos juntos e tivemos que superar nossos traumas eu com os meus ele com os deles. Nossa relação não é só sexual, compartilhamos projetos, nossa filha, nossas famílias, quando brigamos exijo DR porque tudo que quero é viver em paz e me entender com ele.

      Curtir

  4. Putz, que texto! Parabéns! Me identifiquei bastante com as suas experiências, embora algumas tenham sido ao contrário (você desaprendeu a ter prazer sozinha e só foi recuperar isso depois, eu nunca aprendi, e quando aprendi entendi que sempre que eu achava que tinha gozado, na verdade não tinha – e acredito que grande parte das meninas sofre disso, quando você pergunta pra elas sobre orgasmo, elas dizem “ah, eu acho que já tive” – se você acha é porque você nunca realmente teve). Concordo com você quando diz que sexo é mais pelo contato, que não precisa acabar em orgasmo, porque pra mim sempre é assim, e só eu me garanto. E olha, eu não tenho nada contra pornografia, acho que todo mundo gosta de ver essas coisas de vez em quando (ou de vez em sempre), mas não consigo concordar com a maneira como ela é feita, reduzindo a mulher a um objeto sexual masculino. Acho que isso contribui muito para a perpetuação do machismo na nossa sociedade… Mas aí vem a dúvida: o que podemos fazer pra mudar isso? Hoje em dia fui para um lado muito mais independente da coisa: não exijo que a pessoa consiga me dar prazer, mas eu também não exijo nada de mim mesma quanto a dar prazer para a pessoa. Foi para onde consegui escapar, embora às vezes pareça meio errado, não sei… Assim como te diziam que você deveria malhar para ter uma bunda maior, sempre me dizem “porque você não coloca silicone? Ia ficar com um corpo top!” e a resposta é: porque eu não quero. Porque nos foi imposto um padrão de beleza que muitas vezes aceitamos. Quantas mulheres não dizem que esse tipo de cirurgia as fez sentir bem melhor? Porque o negócio já está tão enraizado que a gente nem percebe mais a diferença entre o que a gente acha bonito ou feio para nós mesmos e o que os outros acham e querem que a gente seja. Poxa, escrevi demais… Desculpe o desabafo, só fiquei inspirada por esse texto incrível! Parabéns de novo, fico feliz ao ver que não sou a única com esse tipo de pensamento sobre sexo, orgasmos, etc. 🙂

    Curtir

  5. Oi Júlia, tudo bem?
    Queria deixar uma mensagem pra você, dizer que me apaixonei pelo que você escreveu, e que fico muito feliz por você estar conseguindo reparar isso na sua vida..
    A primeira vez que transei, felizmente foi com meu namorado atual, e apesar de às vezes ele ficar com certo remorso, entende bem que não adianta viver algo fingido, e com isso, temos relações apenas quando ambos estão com vontade. Ocorre que eu nem sempre fui assim.. Quando tinha 17, gostava muito de um cara que era alguns anos mais velhos. Eu queria muito ”segura-lo”, e com isso, fui aconselhada por uma amiga de que eu deveria ceder um pouco mais às vontades dele. Ele era um cara legal até, mas eu ainda me sentia como uma criança naquela época. Na primeira vez que deixei ele por a mão no meu seio, voltei pra casa e corri pro banho.. Me sentia suja, usada, e diminuída como ser humano. Me senti até vulgar por deixar isso acontecer..Tive nojo do meu corpo, vontade de arrancar a pele pra me sentir ”limpa” de novo.. Mas eu queria estar com ele, e aquilo me parecia uma obrigação. Ele deixou q cidade pra crescer na vida. Fez promessas de que iria voltar pra me buscar, mas nossos caminhos se descruzaram. Após algum tempo, me apaixonei de novo por um garoto da minha idade. Ele era um encanto de pessoa, nos dávamos muito bem, até o dia em que ele terminou comigo. Meses se passaram e nos reencontramos, e como eu ainda era apaixonada por ele, me sujeitei a situações que hoje ao lembrar, tenho vergonha de mim.. Ele sempre foi muito honesto, dizia que não iriamos voltar, mas eu queria tanto estar com ele, que apesar de saber que ele transava com outras garotas, ficava junto dele pra me sentir segura.. Esta foi a época que mais senti nojo do meu corpo. Sempre que ficávamos juntos, sentíamos um desejo intenso que era recíproco. Quando acabava, sentia ódio dele e de mim. Demorou pra que eu conseguisse sair dessa, mas foi a partir daí que passei a perceber como tratava a mim mesma. Hoje em dia, não me sinto mais como um objeto, porque pratico melhor o amor próprio, apesar dos vícios que ainda assolam minha vida. Esse foi meu pequeno desabafo à você, Julia. É horrível dizer isso às pessoas, já que elas tem uma tendência de julgar a vida alheia pelo que a vida delas é. Fico triste por você ter passado por isso, mas feliz por ter encontrado no seu texto, um conforto pra tudo que senti e sinto. Espero que minha história possa confortar você também, e olha, você não está só, ok? ❤

    Curtir

  6. Olá, eu sou homem e eu tenho 22 anos e nunca consegui transar com nenhuma mulher, eu sinto pressão quando estou flertando com uma mulher e fico muito nervoso, penso que não sou bonito o suficiente, também acho que não vou agradar, quando eu era adolescente eu era muito magro e as pessoas me zoavam por causa disso, aí eu resolvi fazer academia só para ficar mais forte e tentar agradar as mulheres, mas mesmo algumas olhando para mim hoje eu não consigo chegar e desenvolver um papo, eu ainda me sinto muita pressão por isso não consigo conquistar nenhuma mulher, não tenho atitude pois não tenho experiências, o que vc que tem experiência tem a me dizer para me ajudar?

    Eu quando leio esses tipos de textos sinto raiva, queria ter uma vida sexual ativa como a autora do texto. Queria poder dar prazer a uma mulher e queria poder sentir o prazer do sexo também.

    Curtir

    • Essa pressão vem de vc mesmo, vc se cobra demais, e ao invés de deixar rolar, viver a vida e deixar acontecer, vc “overthink”, dificultando as coisas.
      Relaxa, procure conhecer as pessoas por quem elas são, não por interesse sexual apenas.
      Seja uma pessoa interessante, deixe o caminho aberto para que pessoas se interessem por vc também.

      Curtir

      • Me identifiquei muito com o comentário desse camarada. Pra você que é mulher é fácil dizer que para um homem ter vida sexual é só “deixar rolar” mas a verdade é que o homem tem que fazer esforço se quer sexo. Sei disso porque tenho 27 anos e não tenho vida sexual. De nada adianta socializar, conversar, ser gentil, etc. se o homem não “partr pra cima”. Desculpa pelo improviso, poderia escrever mais e melhor sobre isso, mas o tópico nem é sobre isso. Mas a verdade é que o homem precisa de mérito para conseguir sexo, a mulher não precisa. Seria isso machismo, feminismo, ou apenas uma caractetística imposts pela natureza?

        Curtir

    • Olá Álvaro Campos, essa pressão não vem só de você, vem também dessa sociedade machista em que vivemos, por exemplo, ficar mais forte para agradar as mulheres é uma forma machista de encarar a situação, o que a maioria dos homens não percebe é que o machismo também os afeta, não tanto quanto afeta as mulheres, mas os afeta sim, porque o machismo vai além do domínio sobre as mulheres, ele perpassa pelo domínio do macho mais forte. O que quero dize é que ficar mais forte é uma maneira de impor, de demonstrar poder de se tornar o “macho alfa”, isso atende a expectativa de outros homens e de mulheres machistas (sei que existem vertentes do feminismo que acreditam que mulheres não podem ser machistas mas isso é outra discussão). Enfim, ter uma vida sexual ativa não deve ser um projeto, o sexo não deve ser colocado em um pedestal. Ao que parece você está apegado a um padrão de beleza – construído para deixar as pessoas infelizes que foi reforçado em sua adolescência -, e provavelmente está procurando isso nas mulheres, um padrão de beleza, do qual você se considera distante, e isso gera insegurança da sua parte, e ninguém gosta de insegurança isso afasta as pessoas. Meu amigo, não é possível ter uma relação saudável com alguém sem antes ter uma boa relação com sigo mesmo. Quando você aprender a se aceitar também poderá aceitar os outros como são, e só então poderá ter uma boa relação sexual. É comum homens na sua situação, procurarem por sexo pago, e geralmente isso acaba em mais frustração, e no fim muitos homens acabam culpando as mulheres, recorrendo a falas como: “bonzinho só se fode” “elas gostam é mesmo de dinheiro” e por aí vai, um monte de frases machistas para se eximir da responsabilidade. Entenda que você tem responsabilidade para com você mesmo, mas não se esqueça, ninguém gosta de ser julgado, e o melhor caminho para chegar em alguém é a empatia, todos querem ser compreendidos. Aprenda a se respeitar, para então poder respeitar outras pessoas.
      Um ponto importante, o homem não é o responsável por dar prazer a mulher, isso também é uma atitude machista, elas não são passivas e devem ter o poder sobre o próprio prazer, a responsabilidade do homem consiste em não se preocupar somente com o próprio prazer. Portanto, não tente dar prazer a alguém isso pode ser desastroso, pois você vai partir de um pressuposto provavelmente equivocado, do tipo: “mulheres gostam disso, mulheres gostam daquilo”, esquecendo que cada pessoa tem suas próprias particularidades, os corpos não são exatamente iguais,e o que pode excitar uma mulher não necessariamente vai excitar outra. O único caminho que pode dar certo é o da cumplicidade, e pra isso acontecer, deve haver confiança entre ambos, o casal deve poder conversar e ela deve ter confiança que pode lhe falar sobre o que a excita. Mas não se esqueça que maioria das mulheres foi criada para não sentir prazer, e pior, foram criadas para satisfazer os homens negando a si próprias, isso significa que para algumas alcançar o prazer, passa por um caminho dificil e muitas vezes lento, ambos tem de lutar contra os próprios preconceitos durante o processo. Percebe, não é fácil, então antes de procurar uma vida sexual ativa procure entender a si próprio, (existem profissionais que podem ajudar com isso, eu procurei e tem me ajudado muito), o sexo virá como consequência, quanto mais pressão você colocar mais distante ele se torna, e maior a probabilidade de ser traumatizante tanto para você quanto para sua parceira.
      Uma ultima coisa, não tente conquistar ninguém, isso por só é um erro, pois conquista implica em dominação, e você não vai conquistar uma mulher muito menos dominar ela, o que pode e deve acontecer, é conhecer alguém com quem existam afinidades, e atração, o que resulta em uma relação, ou quem sabe só numa noite e sexo. Mas evidentemente isso também requer atitude, você não vai descobrir ter afinidades com alguém se não se permitir conversar com essa pessoa.

      Curtir

  7. Eu não tenho nem palavras pra esse texto!!!! Eu vim aqui ler já sabendo que seria maravilhoso, mas não sabia que descreveria exatamente o que eu sinto! Muito, MUITO obrigada! Eu, com 21 anos, feminista, sempre tive essa falsa ideia de liberdade sexual, fazendo de conta que amo meu corpo como ele é, mas eu sei que no fundo sempre penso não ser suficiente. Mas o pior é que eu realmente pensei ser frígida em alguns momentos da vida, porque só conseguia gozar sozinha… Enfim, não sei se eu consegui expressar o que eu tô sentindo agora. Mas te juro, foi apenas após ler o teu texto que eu percebi que não sou frígida nada, que a culpa de não gozar não é minha!!! E eu não sei como não percebi isso antes! Te juro, Ju! Você mudou tudo. Não preciso mais me culpar e, agora que entendo, posso tentar me libertar disso. Obrigada.

    Curtir

  8. Menina de 20 anos falando sobre ~falsa liberdade sexual~.
    Perai deixa eu ver se eu entendi, se uma menina de 14 anos não está preparada para o sexo ela é recalcada? Se uma menina escolhe trasar ela fruto do machismo… decida-se.
    Não existe liberdade sexual se vc é obrigada a trasar. Se vc escolhe o parceiro, escolhe dia e hora, escolhe continuar, é sim liberdade sexual.
    Ser responsável pelas próprias escolhas é ser adulta de resto é pura birra adolescente.

    Curtido por 1 pessoa

    • Eu discordo de seu ponto de vista, apenas, pq atrás dessa pseudo escolha está uma máquina de ilusões te fazendo acreditar que vc está escolhendo, quando na verdade o fio da opressão e da manipulação é invisível… Assim vc vê o que querem que vc veja, sente o que querem que vc sinta, faz o querem que vc faça.
      Mas, é claro, vc é responsável pelas suas escolhas. Nisso eu concordo contigo.

      Curtir

  9. lindo texto! senti vontade de me abrir depois de ler. não tem muito tempo que transo, mas, desde que perdi a virgindade, tenho transado com muita frequência. meu namorado é um cara legal, mas já demonstrou alguns exemplos de opressão sutis como as mencionadas. ainda assim, percebi que me sinto muito mais bonita depois que comecei a namorar – o que na verdade é deprimente, pois não consiguia ter autoestima sem que houvesse um homem pra falar que sou bonita. mas essa nem é a questão. eu sempre tenho vontade de transar, mas nunca cheguei ao orgasmo. na verdade, até me masturbando é difícil – só consigo com o chuveirinho. ele sabe dessa minha dificuldade e mesmo assim tenta com oral etc mas eu não consigo gozar. aí ele fica chateado e eu cheguei a fingir algumas vezes. nosso relacionamento é ótimo, eu gosto muito dele, mas não dá pra negar que me incomoda quando acontece de eu o fazer gozar duas vezes em meia hora. eu fico me sentindo muito mal por não conseguir e não vejo como resolver isso. enfim, é reconfortante saber que não sou a única e espero um dia encontrar o jeito certo. só assim me sentirei realmente livre. parabéns pelo texto!

    Curtir

  10. Maravilhoso texto! Incrível como aos 20 anos você já conseguiu refletir e expressar de forma brilhante as duficuldades que as mulheres precisam enfrentar para passar no “crivo” da aceitação masculina.
    Parabéns!

    Curtir

  11. A nosso ver, todas as vezes que uma mulher deixa o homem conduzir o sexo ela alimenta o patriarcado, pois essa é uma posição onde a mulher abre mão de si mesma e de sua particularidades psíquica, biológica e enquanto ser. Um homem que realmente ama uma mulher nunca, jamais conduziria o sexo, não se ele tiver uma consciência realmente funcional. Tentar agradar os outros em detrimento de si mesmo é falta de amor próprio, é auto-traição e que prazer há em trair a si mesmo? Ninguém terá jamais prazer ou uma vida plena se trai a si mesmo e a própria natureza. Está bem que nós seres humanos aprendemos que é o homem quem conduz, mais nossos pais não sabiam a verdade, a sociedade não sabia a verdade pois essa verdade jaz a centenas de milhares de ano no passado. Mas se observarmos a mulher, seu corpo, sua mentalidade e sua biologia fica claro que é a mulher quem deve se erguer como que uma Vênus – a deusa do amor – sobre o homem a fim de que toda sua beleza fique a mostra e não enterrada sob o masculino. Será que o ser humano nunca se perguntou porque a pele da mulher é tão sensível? Não seria para ser acariciada e ainda mais durante o sexo? Tal ato só é possível quando todo o corpo dela fica ao alcance das mãos e a única posição, a posição correta em que isso é possível é a posição dela como que uma rainha em seu trono, o trono do amor, do prazer. A mulher não tem pressa assim como o homem e para se amar não se deve ter pressa, mais uma prova que durante um relacionamento íntimo toda racionalidade – característica típica do homem – deve ser deixada de lado e se deve entregar-se ao espaço, à espacialidade – característica da mulher. É no espaço que o tempo se manifesta e, por isso, quando a mulher assume a sua real posição o homem também se aflora. Há de chegar o dia em que mulher alguma se sujeitará a homem nenhum por amar o feminino que representam, por conhecer a sua natureza e eu estarei lá para ver tal momento.

    Curtir

  12. Que triste e, ao mesmo tempo, bonito o seu texto. Temos histórias bastante parecidas, mas com desfechos bem diferentes. Também aprendi a me masturbar cedo, sem querer, se nem saber o que fazia. Logo percebi os olhares masculinos, sobretudo de rapazes mais velhos. Comecei a namorar cedo, com 12 anos, e nessa relação aprendi um pouco mais sobre prazer. Minha primeira transa foi aos 14, também. Também era difícil gozar, mas aprendi, sim, com o tempo. Depois disso tive outro namorado, que também se preocupava em me dar prazer. As minhas piores experiências foram os sexos casuais. Não por culpa ou qualquer outra encanação. Mas é porque eu sinto que sexo é, sobretudo, relação. Algum tempo depois encontrei um outro namorado – e estamos juntos há quase dez anos. O meu prazer é importante pra ele. E sempre foi assim, desde o começo. Hoje, com quase 30 anos, posso dizer sem problemas que o sexo melhora com o tempo. E percebo que funciona assim, também, no universo masculino. Cada etapa é uma aprendizagem. Se desvincular da imagem da mulher que “precisa” dar prazer ao homem é uma passagem importantíssima pra aprender a conhecer o próprio prazer. Nem todo dia eu gozo. E nem todo dia meu namorado goza. Nem todo dia a gente transa. E é sempre bom porque simplesmente não há cobrança nenhuma, nem minha, nem dele. A gente simplesmente vive a nossa relação, o nosso corpo e o nosso sexo, cada dia de uma vez.

    Curtir

  13. Julia, te acho uma mulher corajosa, primeiro por rever e pensar sobre os caminhos que tomou,
    e principalmente por escrever esse texto e compartilha-lo com as pessoas. Pensando sobre o que escreveu
    fico pensando que nem sempre o “fazer” ou “experimentar” sem receios te torna uma pessoa mais madura.
    E acredito que por estarmos em um tempo que o machismo é cada vez mais discutido e colocado em
    contra posição com o feminismo, e assim sendo mostrando que as mulheres são mulheres
    independente de homens, e que mulheres podem sim transar com quem quiserem e quantas vezes
    quiserem sem serem tachadas de vagabunda e entre outros. Porém, isso não quer dizer que elas tem a
    necessidade de fazer isso. Acho que a liberdade sexual se encontra primeiramente num conhecimento de
    si mesma, como você diz no texto, e também no fazer o que tiver vontade e no tempo que tiver
    vontade. Mesmo que esse querer seja agradar o outro, mesmo que esse querer seja cedo, ou bem tarde.
    O mais dificil é conhecer e entender nosso proprio querer, sem que ele seja influenciado ou camuflado, pelo
    que achamos que é certo, ou o que é bom pra nós. Beijos!

    Curtir

  14. Na real, vc tem um problema. O primeiro é se relacionar com idiotas de forma compulsiva. O segundo é querer tanto aparecer pros outros que quis ser a “putinha” da turma com 14 anos e agora quer se aparecer de novo fingindo que alcançou alguma coisa que os outros humanos não, mas de fato nem deve ter alcançado. Essa sua busca por aprovação é óbvia na sua trajetória. Conselho: Viva pra você mesma, querida, chega de viver para os outros, você não deve nada aos homens, às mulheres, ao feminismo, a ninguém. Seja feliz.

    Curtido por 1 pessoa

  15. Nossa! parece que você contou a minha história também…. Apesar de ter tido um pouco mais de sorte, ter encontrado alguns poucos homens que não eram assim.
    mas é 90% a minha história também. Me fez cair várias fichas.
    Gratidão pela coragem do texto!

    Curtir

  16. Adorei seu texto, gosto muito de ler sobre o pensamento feminino, simplesmente porque adoro vocês mulheres. Nunca deixamos de aprender com as experiências de outras pessoas. parabéns.

    Curtir

  17. Primeiramente, parabéns Júlia. Texto incrível que denota uma capacidade de observação e transdução de diferentes emoções em palavras. Como é rotineira essa jornada, não? O que é fantástico, é que algo tão simples (do ponto de vista biológico) como o orgasmo feminino possa envolver tantos diferentes aspectos e características da sociedade. Você pontua perfeitamente na falácia do rápido desenvolvimento para um “uso mais precoce”, no qual homens justificam suas necessidades biológicas e incapacidades argumentativas para se aproveitarem de indivíduos que ainda não tiveram sequer a chance de compartilhar de suas oportunidades. Como homem, sempre tentei pensar nas minhas parceiras, embora acredito que tenha falhado diversas vezes, por diferentes razões. O sexo deve ser bom para todas as partes envolvidas, não um mero ritual de satisfação para uma das partes. Pela minha formação e inclinações à ciência, nunca tive problema com os aspectos naturais envolvendo o corpo e posso afirmar que muitas vezes era uma consternação de minhas parceiras em uma primeiro momento. Posso estar muito errado, ou ser muito parcial, mas para mim, nada é mais estimulante do que uma boa e franca conversa antes do ato, daquelas em que quando tiramos a roupa, nos tornamos apenas duas pessoas nuas, uma diante da outra. Obrigado pelas palavras. Torço para que desenvolva esse talento cada vez mais.

    Curtir

  18. há algo neste texto que me fez lembrar de um texto meu que intitulei “A Maldita Repetição do Padrão”. para falar disso, cito uma frase do texto postado: “Isso é compreender que a liberdade sexual feminina é usada estrategicamente para manutenção de privilégios de dominação patriarcal, e que de liberdade não há nada.”

    pode parecer uma frase exagerada que mais lembraria uma teoria da conspiração, mas ela faz bastante sentido. o que quero dizer é: o “uso estratégico da liberdade sexual feminina” não é algo consciente, é algo ensinado. e não é ensinado de propósito, é algo que vem de muito, muito longe. é um dos zilhões de aspectos da “maldita repetição do padrão” e realmente tem um peso que só afeta as mulheres.

    agora, a origem desse uso estratégico da liberdade sexual feminina tem origem proposital ou natural? infelizmente, pouco importa. ambos causariam, de qualquer maneira, um tipo (dos muitos) de “mal-estar na cultura”, salve Freud.

    Françoise Dolto, Pediatra e Psicanalista francesa, disse uma vez: “Os adultos não têm salvação; temos de trabalhar com as crianças.” sem dúvida, a única maneira de quebrar a repetição do padrão – no caso esta repetição de tratar as mulheres apenas como instrumentos – é atuando na infância e início da adolescência, quando estamos solidificando a maioria dos princípios e valores que nortearão nossas vidas. o problema é abranger todos estes novos humanos que saem da ‘fábrica de humanos’ dia após dia, condenados a pensarem e agirem de acordo com o exemplo que verem por perto (macaco vê, macaco faz) (a história da criança é a história da família).

    infelizmente, e aparentemente, na sociedade atual e parece que durante muitos anos por vir ainda, a ‘solução’ para o problema tratado no texto e tantas outras questões gira em torno do individual e do micro. quem poderá – mulher e homem – estourar as bolhas das repetições de padrões nas quais somos jogados assim que nascemos? é isso que a garota que escreveu o texto em questão está fazendo. individualmente, ela está escapando do que foi ensinada e, consequentemente, ao se expor, está afetando positivamente um micro universo de pessoas – mulheres e homens – que, quem sabe, poderão se livrar de seus cárceres mentais – e físicos. temos que torcer e dar um bom exemplo para que os tantos ‘micros’ que vemos por aí virem ‘macros’.

    Curtir

  19. Sou homem.

    Compreendo na medida em que me é possível, os dilemas, frustrações e conflitos relatados pela autora, entretanto, há de se lembrar de que outros tantos dilemas, são constantemente enfrentados por nós. Na hora certa vai funcionar? Se funcionar será rápido demais? Se não for rápido seremos capazes de fazer a parceira aproveitar? Quanta pressão nos é passada. As mulheres sabem nitidamente quando chegamos lá, não carregam o peso de frustrar a relação e a sociedade não as julga (neste ponto) como julga a nós.

    Por vezes, nos preocupamos tanto com o desempenho a nós imposto que a cada relação, por mais frequente que tenha acontecido, só queremos que acabe de uma maneira mais ou menos de acordo com o que aprendemos ser o aceitável e o aceitável, não raramente é um desempenho acima do normal. As pessoas nos cobram e nós nos cobramos. Sobram lacunas que poderiam ser preenchidas com menos preocupações e mais atenção ao outro.

    Sempre me preocupei com os sentimentos e sensações de minhas parceiras, perceber (talvez equivocadamente) que ela está atingindo o orgasmo, me da uma sensação de prazer indescritível. Todavia quando isto não ocorre e a garota por seus motivos não se abre, não fala seus desejos, o que gosta, como gosta, coisas que em “teoria” nós homens “deveríamos” saber, (pois temos de ser os “macho alfa” dos filmes pornôs, então nos sentimos inseguros a perguntar também) pouca coisa pode-se fazer.

    O que tenho feito em minhas experiências deste tipo é procurar perdurar o máximo de tempo possível a transa, ao alcançar o orgasmo antes, mantenho-me mentalmente concentrado para atingir mais uma, ou duas vezes seguidas para que, em tese, de tempo da garota chegar também ao seu. Isso demanda um autocontrole que às vezes não alcançamos e gera ainda mais pressão, seguida de insegurança. Quando conseguimos nos comunicar, entrosar e saber como o outro pensa, sente, quer, tudo fica mais claro e simples. Já gozei simultaneamente a uma parceira em pouquíssimos minutos, o que pra muitos seria considerado um fracasso, arrisco dizer: foi ótimo, melhor do que transas de duas horas ou mais, que a um dado momento chegaram a ser cansativas a ambos.

    Determinada vez não consegui iniciar a relação (explicar algum motivo não vem ao caso), tive sorte de minha companheira em questão ser uma pessoa gentil, compreensiva. Naquela situação pra mim humilhante, deitamos, conversamos a respeito e posso dizer que no geral essa experiência quase foi boa -hehe :/ Entretanto, conheço muitas outras mulheres que se tivessem estado lá naquela hora teriam tido uma reação bem diferente e a real humilhação aconteceria. Da forma que aconteceu comigo e poderia acontecer com qualquer outro (provavelmente em algum momento, vá acontecer), a reação de minha parceira foi fundamental. Em outras experiências sexuais com parceiras que se encontraram em condições que a sociedade consideraria desagradáveis, pude ser maduro em compreendê-las, evitando constrangimentos igualmente desnecessários àqueles os quais eu poderia ter passado.

    Desta forma, não acho que se deva restringir a pensar só na mulher, ou no homem. Deve-se pensar nesta relação, no gosto dos dois (até porque, não necessariamente precisa ser uma mulher e um homem e isso não significa que não haverá problemas). Não devemos ser extremos, homens não são maus, mulheres também não. Existem aqueles que vão te ajudar e aqueles que vão te jogar pra baixo em ambos os sexos.
    Claro que cada sexo possui suas particularidades e generalidades, porém, vai muito além do sexo das pessoas e este ir além, é restringir a frase apenas à “pessoas”. Cada uma é diferente, umas mais e/ou menos do que outras.

    Por ultimo e para finalizar esse texto-resposta (que já ficou maior do que esperava) deixo uma pequena correção na minha primeira frase. Não importa se: “Sou homem”, seria interessante pararmos de nos ater em rótulos de gênero e passar a compreender mais nós mesmos e aqueles que estão a nossa volta. Abraço 🙂
    s.a.

    Curtir

  20. Gostei do texto. Tenho 33 anos. fui casada por 10 anos e tenho 2 filhos. Nunca me interessei sexualmente por outras mulheres e não tive tantas experiências sexuais assim, mas, me identifiquei bastante com o texto. Eu sempre tive um pouco de receio do meu corpo, tives estrias de crescimento e sempre tive uma barriguinha saliente apesar de ser magra. Morria de medo de transar, de não saber o que fazer etc. Perdi a virgindade aos 19 depois de 8 meses de namoro, acontece que o namorado sumiu no dia seguinte. E eu internalizei que fui um fracasso na cama. Depois dele conheci um cara bem mais velho que me adorava na cama, mas eu me sentia uma boneca mecanica que só recebia comandos. O seguinte foi o meu ex marido, me respeitava, me apoiava era carinhoso. Nos casamos e o sexo que já não era tão bom foi ficando cada vez mais raro, ele chegou a dizer que eu era larga e que depois de dois filhos eu não era nem ao menos bonita. Nosso casamento acabou e eu resolver experimentar outros homens, vários tipos, pra saber se o problema era mesmo comigo, muitos foram decepcionantes, um chegou a me perguntar se eu não faria uma plástica na barriga. O outro ficou tão nervoso que não deu conta de levar adiante, o outro foi tão rápido que eu fiquei confusa mas todos me queriam denovo. Mas não dei segunda chance pra nenhum. Decidi então focar em outros aspectos da minha vida apesar de me sentir desejada por eles. Nenhum reclamou de vagina larga. Todos pareciam ter gostado bastante. Me fechei pra balanço e nesse meio tempo conheci um rapaz 3 anos mais novo que eu, com menos experiência sexual que eu mas que veio tão disposto a aprender comigo que me fez sentir meio Deusa. Crescemos juntos na cama, eu que só tinha tido 2 orgasmos em toda a minha vida tenho no mínimo 1 em cada duas transas. Percebo que me sinto à vontade com ele, as vezes domino e as vezes me deixo dominar. Mas o mais importante aqui é a vontade dele de me fazer gozar, de me ouvir, de me fazer feliz para que o sexo seja bom. Já brigamos e terminamos várias vezes mas estamos juntos agora Pq ele sabe que pra ficarmos juntos ele precisa me respeitar e ele sabe disso Pq eu tenho sabido me comunicar, expressar a verdade é deixar claro como é importante para mim sentir que ele me ama, me respeita, me aceita e não tem medo de demonstrar tudo isso. Acho que a diferença nesse homem é que ele começou tarde e tem aprendido com uma mulher e não com amigos canalhas. Mas se eu fosse dar uma dica meninas, essa dica seria: _ empoderem-se, fortaleçam-se e não aceitem pouco e sonhem alto. E se forem mães eduquem seus filhos para serem gentis, respeitadores e cavalheiros. Existem homens maravilhosos por aí. E vcs também são naravilhosas e precisam acreditar nisso. Um beijo.

    Curtir

  21. Julia, tudo bem? Eu achei interessante seu texto, o li duas vezes e sei que é foda ter liberdade sexual com o pensamento da maioria da grande maioria dos caras. No entanto, eu acho que generalizar é errado. Sei que as pessoas com quem vc se relacionou representam a esmagadora maioria da população masculina, mas, existem homens que se preocupam com o prazer da mulher. Eu posso me destacar como um deles e dizer que, mesmo que a minha preocupação principal seja o prazer da minha namorada hoje, eu não pensei sempre assim. Eu também tive que elevar meu nivel de consciencia, pois, no inicio da minha vida sexual, aos 16, alem de nao ter a minima noção sobre nada além do que eu via em videos pornograficos (pessima referencia) ou ouvia dos meus amigos (referencia pior ainda), nao tive um pai, por exemplo, pra me falar como tratar uma mulher na cama, porque nunca falamos sobre isso e mencionar isso ainda soa estranho. Enfim, eu tive que partir da sensibilidade pra entender o que é sexo para as duas pessoas. Aos 18, ja havia mudado minha consciencia, e, aos poucos fui entendendo o que sexo siginfica para AMBOS. E sentia, como sinto hoje, vergonha ao lembrar das minhas primeiras relaçōes sexuais. Tudo conta, meio social, influencias externas, culturas, etc, para que vc se importe com voce mesmo e ignore a mulher, vendo-a apenas como um objeto de prazer, um meio para seu proprio fim, tornando cada vez mais expansiva essa cultura hipocrita e feia. O entendimento do sexo tem que vir de sensibilidade, acima de tudo, respeito e principalmente afeto. Tenho uma regra basica que veio estruturada em muito amor, respeito, zelo e paciencia, que sinto pela minha namorada (em entender que ela, assim como voce em alguns aspectos, veio dessa cultura onde a mulher TEM QUE satisfazer o homem e foda-se. E, as vezes ainda tenho dificuldade em fazer algumas coisas como sexo oral, coisa que eu gosto muito mas ela se prende por pensar como vc pensava, devido aos relacionamentos anteriores dela), que é “eu só gozo depois de você”. Eu tento fazer ela entender que o prazer dela pra mim é mais importante que o meu, porque, de fato é, na minha visao pessoal. Porque acima de tudo, a amo e faze-la feliz em todos os sentidos é meu objetivo de vida. Espero que essa consciencia tome mais pessoa, pois e triste ler isso tudo.

    Curtir

  22. Júlia, interessante ponto de vista. Apenas te abro os olhos para o fato de que os homens sofrem a tanto quanto as mulheres com esse contexto todo. Quero dizer, em uma sociedade em que se espera performance sexual, o homem é extremamente cobrado para se alçar como figura viril e rochosa (em todos os sentidos). Por exemplo, quando um homem broxa. Quando broxa mesmo. Quando ele realmente é incapaz de manter a relação. O que pensam as mulheres? A primeira coisa que vem à cabeça é: ele não gostou de mim. Logo depois elas pensam: nada disso, não tem nada errado comigo. Ele é frouxo mesmo. Não deu conta do serviço. E assim ficam, sem se dar conta que, na realidade, ele não é nada disso. Ele é apenas um bicho tão ou mais inseguro que ela.
    Assim, muitos homens também não disfrutam como deveriam do sexo por se cobrarem ao extremo para manterem-se dentro de um padrão de masculinidade e virilidade.
    Cada um dos gêneros tem suas preocupações e posso dizer sem medo de errar que ambas são fortes e genuínas.
    Se a mulher não consegue gozar, muitos homens sofrem de ejaculação precoce exatamente por seus traumas e pesadelos. Muitos sofrem de impotência psicológico. E tantos outros também não conseguem gozar (aí a sorte é de suas respectivas)
    Isso tudo é fruto da nossa sociedade, mas é claro que pessoas mais suceptíveis, como você, vão sofrer mais com os preconceitos. Pessoas como você (e como tantos homens) na verdade estão sempre se preocupando com o que os outros vão pensar porque, no fundo, são extremamente vaidosas, e querem ser bem aceitas e queridas pelos outros. É claro que a “sociedade” tem um papel no fato de sermos tão inseguros, porém, me parece essencial reconhecer que as próprias pessoas também tem que fazer uma auto-análise para chegar às conclusões sobre sua própria personalidade.
    No seu caso, resta evidente que há um problema latente de insegurança e auto-afirmação. Você quer se reconhecer como pessoa sexualmente livre a qualquer custo. E isso, infelizmente, pode te levar a ser mais reprimida. O grande truque do sexo está realmente em relaxar e lembrar que, no fundo, trata-se de uma grande brincadeira. Brinquemos com os esteriótipos sabendo que são esteriótipos e vamos também, por vezes, subvertê-lo.
    Por isso tudo, lembre-se. Dizer que um homem “não tem pegada” (e você ja disse ou pensou nisso) e tão nefasto quanto a repressão que você sofre.
    O sexo é a dois: dar e receber é a mágica. Não queira também só receber. O meio termo é ideal.

    Curtir

  23. Julia, não vi os créditos da imagem. Um amigo me alertou sobre ser o trabalho de uma artista que não está referenciada. Poderia ajudar? Obrigada. O texto é maravilhoso, compartilhei.

    Curtir

  24. Deus do céu, por que a maioria (não, não vamos generalizar…) dos homens que comentam, em vez de tentar compreender o que o texto quer dizer, e tentar ao menos aprender algo dali, assumindo as falhas que seu gênero usualmente comete, fica tentando justificar, igualar, banalizando de forma que eles também sejam vítimas? Parecem que vestiram a carapuça, francamente.

    Curtir

    • O foda que eu ser homem tudo que eu falar vai soar como opressor e machista. Se eu entendi bem, você é uma pessoa sincera e tenta até ser imparcial nas suas criticas, mas talvez por uma falta de base antropologica, psicologica e historica você foi parcial em varios momentos. O ruim dessa parcialiadade é autovitmização e a reprodução as avessas de outras ações danosas ja enraizadas na sociedade, como o machismo. É interessante tambem notar que hoje o feminismo anda buscando antes um revanchismo do que uma melhora no ser humano. Todo mundo preocupado com o cuidado e proteção da vitima, mas parece que ninguem esta lembrando de ir na fabrica de agressores e desligar a produção. Como estamos educando nossos filhos homens? O que estamos fazendo para que eles não sejam reprodutores de uma cultura que estraga as mulheres? Praticamente nada….
      E voltando a parte que você foi tendenciosa, não quero te ofender. Acho que isso é fruto do trauma das suas experiencias, e de muitas outras mulheres. Mas por favor, se você conseguir perceber isso, pare e alerte outras mulheres, pois a autovitimização tambem é muito destrutiva e atrasa por demais a resolução urgente do problema. A liberdade nem sempre é saudavel, porque seu excesso, por mais paradoxal que pareça, leva justamente a sua falta. É preciso ter controle uma vez que teorias exatas são perfeitas apenas para maquinas que tem variaveis finitas e não para seres humanos que possuem variaveis infinitas. Isso inclusive já é discutido na filosofia a tempos e tambem temos varios exemplos historicos da tentativa de reprodução de liberdades infinitas. Precisamos de liberdade guiada, e que se possa adaptar. E preciso um pensamento em grupo pois não conseguimos viver sozinhos. Entende que é delicado, e que cada ajuste gera um desajuste?
      E por fim, galera, somos todos seres humanos. Ta na hora de nos unirmos vocês não acham? Separar meninos e meninas no colegio e na vida so contribrui pra essas distorções bizarras que andamos vendo entre homens e mulheres.
      Enfim, a você autora do texto e a todas outras pessoas que lerem, caso achem que meu comentario foi opressivo por falar de liberdade direcionada, ou sobre autovitimização, peço encarecidamente um releitura e uma reflexão sobre minhas palavras, pois deixo meu testemunho de que tentei escrever com o coração.

      Curtir

      • Incrível como tinha que ser um homem pra comentar um lixo desse. “Vitimismo”. Cara, nao silencie, nao duvide, a experiência dela é totalmente a vivência que nós mulheres em busca da liberdade sexual passamos. Você não é mulher, você goza sempre, fica ai no seu canto.

        Curtir

  25. Julia querida! Ler seu texto foi realmente um presente! Confesso que tive um pouco de inveja: aos 20 você esclareceu tantas questões que eu, aos 34, ainda estou tentando desenrolar. Me achava super bem resolvida quando entrei na faculdade e transava, com meu primeiro namorado, em todos os lugares do campus. Fingi orgasmos em todas as relações, orgasmos que eram rápidos e certeiros quando estava sozinha. Com meu segundo namorado a história se repetiu. Depois disso passei anos e anos sem transar com ninguém. Mas me masturbando quase todos os dias, coisa que nunca contei para ninguém porque né, isso não se fala. Voltei a ter relações recentemente. Espero dias melhores, rs

    Curtir

  26. Não costumo comentar em blogs, mas fiquei tão tocada com o que escreveu que resolvi comentar.
    Você já entendeu muito. Tudo que vc descreveu, mulheres de 30, 40, 50 anos também viveram e muitas ainda não entenderam.

    Fazem a gente acreditar que o orgasmo feminino é algo complicado, quando na verdade, é bem simples. Só precisa de atenção e boa vontade. A gente sabe bem como é isso, vai chupar um cara até gozar? Leva um tempão! Mas na nossa vez ficamos preocupadas com o cansaço do cara.

    Sucesso pra vc. E vc ainda vai se livrar de toda essa culpa que ainda resta. E vai se negar a ter sexo com quem não te dá prazer e nem tenta.

    É raro, mas existem homens que conseguem nos dar prazer e não nos usar apenas. Geralmente eles precisam ser ensinados, não se acanhe em dizer o que te dá prazer e o que te faz feliz. Se o cara não ouvir e não se dedicar, manda pastar. A fila anda.

    Curtir

  27. Eu fico muito preocupado com isso, sobre a minha parceira também chegar ao orgasmo, tipo eu tenho 18 anos minha namorada tem 16, sempre que a gente vai fazer algo eu nunca consigo fazer ela chegar ao orgasmo ela sempre acaba desistindo e me fala depôs que estava quase gozando, me deixa muito preocupado isso sé é a minha falta de pratica ou algo que estou fazendo errado :/ .Eu ainda não sei oque é, sou o tipo de cara que não liga pra pelos muito menos para o cheiro da vagina ela mesmo sabe disso, mas sempre diz que tem vergonha de fazer quando não esta depilada não deixando eu fazer nem o sexo oral.

    Curtir

  28. Caramba, me identifiquei completamente com o seu texto! Até pouco tempo eu nunca havia gozado numa transa, e aos poucos fui percebendo o quanto eu deixava de curtir o momento pensando somente em dar prazer ao outro, para que ele não se sentisse mal. Passei por um relacionamento em especial que foi muito abusivo (sexualmente, fisicamente, emocionalmente…), e então a coisa ficou ruim de vez.
    Mas acabei lidando com isso de uma outra forma. Acho até que não é a forma correta, posso estar me “rebaixando”, mas pelo menos no momento é o que me serve: no sexo, sem compromisso, com “amizades coloridas”, me importo comigo e ponto. Faço o que eles fazem. Não me importa nem o nome, e se não está bom, levanto e vou embora. Me dou prazer ao invés de esperar que ele me dê prazer, e se nesse processo ele se satisfaz, tudo bem. Se não se satisfaz, tudo bem tb. Não me importo.
    Me afasto de relacionamentos sérios, dou nome e telefone errados. Não quero me comprometer, não quero me importar.
    Por quanto tempo vou poder manter isso, eu não sei.

    Curtir

  29. SOBRE PÊLOS NA MULHER
    Homem que gosta de sexo não se importa com pêlos, o problema é se for excessivo, atrapalhar, daí é questão de gosto de ambos, isso é algo fácil de resolver, casais tem que ter conversas sadias sobre isso, e não impositórias, depreciativas etc. E não acho que a depilação total remeta à crianças, esse pensamento é doentio. Particularmente gosto com pouco, digamos, ralo, pois não atrapalha e sai do padrãozinho toda lisa.

    SOBRE PÊLOS EM MIM
    Desde o começo de minha vida sexual nunca gostei de ter pêlos, então sempre aparei muito bem ou raspei completamente, o que majoritariamente agradava as meninas e então todo mundo ficava feliz. Agora, se eu me preocupo em como estarei quando for transar, porque não posso gostar de mulher que também seja assim? E de novo, casais tem que ter conversas sadias sobre isso, e não impositórias, se uma namorada/ficante me pedir para deixar os pêlos, por que não?

    SOBRE CHEIRO
    Vagina tem seu cheiro natural, porém, a maioria das mulheres, principalmente as que nunca foram no ginecologista, não sabem qual é esse cheiro natural e saudável! Mas esse cheiro natural existe e é gostoso, dá tesão, ao contrário do mal cheiro. Muitas mulheres não acham que podem ter esse problema por que “tomam banho e se lavam direitinho”, não, não precisa de “sabonete íntimo com cheirinho de morango”, mas precisa se consultar para saber se tem alguma infecção, um problema que possa estar causando isso, e pelo que já lí e conversei com amigas (inclusive uma médica), são em sua maioria superficiais e geralmente fáceis de resolver com o tal sabonete íntimo (que é para corrigir esse problema, e não dar cheirinho de morango). “Ah mas como você sabe que seu pau não fede?” Porque já perguntei, já conversei, já tive “feedback” e principalmente já me consultei algumas vezes com urologista e sei como cuidar diariamente da saúde do meu pênis, assim quando chegar na hora do sexo minha parceira terá vontade e não repulsa.

    SOBRE SEXO ORAL
    Tenho 30 e poucos anos, tive uma vida sexual bastante ativa (já explico o tive), adoro receber sexo oral mas também adoro fazer sexo oral na mulher, porém, em números ficticios, digamos que de 100 mulheres 10 estariam nesse quesito que descrevi como “natural e saudável”, e isso não tem nada a ver com higiene, muito menos com aparência/beleza (sim, tem gente que pensa assim), e sim com os problemas citados acima, onde uma infecção leve, media ou alta causa um mal cheiro leve, medio ou alto, as vezes até insuportável! Esse acredito que seja o principal motivo da falta de sexo oral feito pelos homens.

    SOBRE HOMEM NÃO SABER FAZER SEXO ORAL
    Lógico, mulheres em sua maioria ficam caladas, fingem (como você faz), e ficam aguentando um sexo oral ruim ou mal feito simplesmente porque não querem magoar? Eu sempre falei, elogiei ou demonstrei quanto ta bom, e dei dicas (durante o ato) quando não tava bom, e pasmem!, sempre funcionou porque olha que coisa revolucionária, o diálogo faz as pessoas se entenderem! Eu SEI que a maioria das mulheres não fala, não diz como gosta, como fazer, de que jeito é mais gostoso.. ora bolas, se é o seu prazer porque não fala!?!?

    SOBRE GOZAR
    Isso é uma coisa, estar gostando, só depois disso pode-se falar sobre gozar com sexo oral, por que daí sim o cara já sabe como você gosta e será uma questão de intimidade, persistencia, jeito, só não pode deixar de falar. Eu, que sou homem, também sempre tive dificuldade para gozar, o que para um homem geralmente é bom, a mulher fica mais satisfeita com um cara que não goza rapidinho e pronto acabou, mas também pode ser (e já foi) um problema pois “se não gozou, não gostou?”, já transei inúmeras vezes sem gozar, na grande maioria curti muito mesmo assim, mas muitas se incomodam pq o normal é o cara gozar no final não é? Assim como é difícil fazer uma mulher gozar com sexo oral, posso dizer que a recíproca é verdadeira comigo, muitas não conseguiram, e ai? Pessoas são diferentes, não tem fórmula, mas independente disso o mais importante é se entender, conversar abertamente sobre com seu parceiro para que seja ótimo para ambos e não só “transar por transar”. Dito isso explico o “já tive”, de alguns anos pra cá tenho ficado muito mais seletivo com sexo, no sentido de significar algo e não só fazer por fazer.

    RESUMINDO
    Esse papo que o homem é o problema não é bem assim, podem falar isso dos moleques que estão começando, dos babacas conservadores “bolsominios”, mas se você achar um cara bacana que consiga conversar, converse sempre e bastante, converse sobre sexo para que ao invés de ter uma coleção de casos estranhos e traumáticos, tenha boas experiencias, e quem sabe nisso aparece um parceiro pra vida (para quem quer isso, claro).

    Curtir

  30. Triste e comum estoria.

    Eu vivencie isso com minha ex-companheira, que estamos separados e morando na mesma casa. Por falta de condições financeiras para ela ter o espaço dela. Ainda assim não pressiono e não jogo na cara dela por estarmos no mesmo teto. Mas isso é outra estoria.

    Ela pode ter muitos defeitos, como eu tenho os meus também. Mas uma qualidade dela foi sempre a honestidade. Quando começamos a vida sexual ela tinha 17 e eu 19. Aos 4 meses de namoro, ela perguntou se iriamos ter relação. Nunca quis pressionar ela. Eu estava apaixonado e tenho um respeito intrínseco por todos, princialmente pelas mulheres, pois eu vi meu pai bater na minha mãe e jurei não ser igual a ele. Sempre fui chamado de “bundão” por não assediar as meninas, por não ir para cima.

    Voltando a vida sexual, no começo do relacionamento tínhamos muitas relações, não sei se por paixão e ela querer me agradar e percebia que ela não tinha orgasmos. Me voluntariei para um oral nela e ela não sentia bem. Nunca reclamei de nada. Insisti uns 6 meses, eu queria agrada-la.

    Acreditava ser por trauma de infância, por o pai dela , bêbado chegou a abusar dela quando criança.

    Ela não gostava de mudar de posição, quando estava de bom humor ficava em cima e raramente fazíamos de 4. Numa dessas ocasiões, enquanto penetrava, comecei a massagear o clitóris dela. Ela se empolgou no movimento , mas logo pediu para parar por se sentir “estranha”. Eu disse que ela estava gozando, mas não conseguiu controlar a situação.

    Teve vezes que ela chegou a se desculpar por não transar tão bem. Eu nunca critiquei ou fiz observações maldosas.

    Depois de um tempo eu chegava a quase brigar por sexo, tamanho desinteresse dela . Tenho consciência do meu egoismo e erro naqueles momentos.

    Estamos dormindo em camas, no meu caso no sofá mesmo, há mais de 1 ano. Não procurei sexo casual e nem prostitutas pq para mim o envolvimento emocional é primordial.

    Começei a dar menor importância ao sexo e ao orgasmo e vê que eles não te dão liberdade, te aprisionam.

    Todas as pessoas deveriam ser abertas aos seus sentimentos com quem quer ter relações, palavras machucam , mas entendimento evitam traumas e a sensação de ser “usado” para o prazer alheio.

    Eu me masturbo para liberar uma tensão. Mas lembro com saudades quando tinha uma pessoa curtindo junto.

    Obrigado pela atenção. E fiquem livre para fazer observações e questionamentos. Sejam positivos ou negativos.

    Curtir

  31. Tenho 17 anos, e comecei minha vida sexual aos 16, com meu primeiro namorado porém apesar do meu namorado tentar me agradar o quanto for eu n gozo, eu sinto prazer me sinto porém eu n sei o que é gozar pois n conheço meu corpo tão bem assim pq sempre fui reprimida e o assunto de sexualidade nunca foi mencionado aqui na minha casa pois minha mãe tem a ilusão que toda mulher deve casar virgem, e eu n entendo qual o meu problema eu tenho muita liberdade pra dizer se tá bom se ele tá fzd certo e tal mas n sei o que está acontecendo alguém mais experiente pode me explicar?

    Curtir

  32. Cara Versoando. É complicado você generalizar, mesmo dentro de seu espectro, sobre uma questão que não depende só de si mesma. Penso que tudo vai de sua experiência, ou seja, das relações mantidas com quem você encontrou em seu caminho. Asseguro-lhe que nem todos os homens (ou pessoas) são machistas, patriarcais ou egoístas. Sim, há muito individualismo nas relações sexuais, muito imediatismo, e até falta de alteridade. Realmente, são poucos os parceiros/as que são capazes de compartilhar o prazer. Depende muito do objetivo de cada um quando vocês vão para a cama (ou sofá, ou tapete da sala, chuveiro, jardim, elevador, etc…). Uns, querem gozar logo por questão de necessidade de autoafirmação. Mas há aqueles que não pensam em gozar logo e sim fazer a parceira atingir o orgasmo, e ainda várias vezes antes dele, que não obrigatoriamente tenha que gozar (o homem). Tudo é relativo. Que você tenha mais felizes coincidências (sorte não existe) em encontrar essas pessoas. Nesse mundão maniqueísta, imediatista e superficialista, os seres abissais são fundamentais para a perpetuação do carinho, que eu penso ser gênero. Sexo, é espécie, ou seja, uma forma de carinho. Talvez, quando se tiver ciência disso, as pessoas possam fazer do sexo um exercício de liberdade e não uma rota de fuga…abraço e parabéns pelo texto.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s