A insustentável leveza do não-orgasmo e a falsa liberdade sexual feminina

Eu sou mais uma mulher que, sob a falsa bandeira revolucionária da liberdade sexual feminina, começou sua vida sexual de forma muito precoce. Foi majoritariamente com homens – e com seus incentivos – que minhas primeiras transas se deram há 6 anos, quando eu tinha recém feito 14.

Antes de me envolver em relações sexuais, eu já me masturbava com frequência, muitas vezes no banheiro – gozava sempre e razoavelmente rápido, em paz. Nessa época eu era bem criança e, apesar de já receber olhares invasivos dos homens, não havia caído ainda na serventia compulsória de agradá-los, de existir em sua função.

Não demorou muito para que isso acabasse e me ensinassem que mulheres amadurecem mais cedo que homens. De maneira muito fácil, assimilei, como boa aluna, que era assim mesmo: os meninos da minha idade brincavam de carrinho, enquanto eu já despertava desejo sexual por onde passava – dos mais velhos, afinal, eles sim já haviam amadurecido. Então eu não me preocupava mais com brincadeiras bobas, até porque todos esperavam mais de mim.

Na escola, alguns professores me olhavam de forma diferente. Eu gostava quando eles diziam que eu era inteligente, que eu nem parecia ser tão nova – muitos diziam que eu era bem madura, que parecia ser bem mais velha. Achava ótimo, já que os meninos da minha idade não se interessavam em se relacionar com meninas, e eu já estava vivendo essa fase. Passei a ter meus amigos como bobinhos e a buscar aprovação masculina. Muitas amigas eram muito reprimidas e não falavam abertamente sobre sexo ou sobre seus corpos – mas logo percebi que todos os homens gostavam quando eu falava, diziam que eu era muito livre e diferente (o que me agradava bastante, uma vez que tudo que eu queria era ser livre).

Sentia-me muito bem por não ter tabus sexuais. Era bem-vinda nas rodinhas masculinas e falava que as meninas eram sem graça e cheias de frescura, já que os amigos falavam isso pra mim, dizendo o quanto eu era mais madura e legal que elas.

Aos 14 tive um namorado que deixava implícito que só ficaria comigo quando a gente transasse. Tive um receio, mas eu gostava dele e isso não poderia ser um problema logo pra mim. Quando aconteceu, tive muito orgulho de mim mesma, mas o processo todo foi um pouco difícil: eu me lavei muito antes, procurei uma gilete em casa, usei, e fui. Dessa vez ele gozou, eu não. Tudo bem, me disseram que ia doer muito.

Ele era bem-humorado. Às vezes fazia piada quando transávamos muito, dizia que minha vagina (buceta, né) tava tão larga quanto um túnel. Dizia que meu peito era meio separado, e sorrindo, juntava eles com as mãos, levantando-os um pouco. Falava pra eu me depilar, que tinha muito bigode, etc. Quando estávamos bem, ele disse “até que você é bonita, meio exótica.” Eu sempre fui uma mulher dentro dos padrões violentos impostos e aceitos socialmente – magra, branca – ou seja, não tive dificuldades de ser considerada bonita e agradável. Mas o poder devastador da opressão masculina é cruel e muito difícil de se identificar, principalmente quando se “ama”, e pior ainda, quando se é uma criança – fácil de dominar.

Depois dele, vieram muitos outros. Alguns eram mais sutis, mais gentis. Sugeriam que não gostavam de pelos, brincavam que vagina tinha cheiro de bacalhau, essas coisas assim. Fui aprendendo a ficar mais atraente, comprei umas revistas que ensinavam a dar prazer aos homens, uns sabonetes íntimos com cheiro de morango e passei a tomar pílula anticoncepcional, porque eles diziam que era muito chato usar camisinha. Eu já era tão livre que um deles até me disse: você é a namorada que todo homem quer! É bi, não tem ciúme e é bonita.

Passei anos transando muito. O namorado mais duradouro tentou me fazer gozar duas vezes me chupando, mas eu não consegui. Depois de uma semana ele me deu meu primeiro vibrador. Durante todo esse tempo, eu nem me masturbava mais como quando mais nova, desaprendi, – dedicava tanto meu corpo aos homens que nem pensava muito em sexo quando tava sozinha, afinal, pela regra, eu era sexualmente bem resolvida. Muitas vezes eu nem queria transar. Mas como nunca era tão prazeroso mesmo, aprendi a ceder aos namorados sem tanto sofrimento, pra agradá-los, assim eles seriam mais fiéis e não precisariam buscar outra menina. Esse namorado me falava pra eu ir à academia malhar, até pagava pra mim – dizia que minha bunda podia ser maior, era só eu querer.

Quando ganhei esse vibrador, eu já tinha uns 16 anos. Eu me sentia confortável pra gozar com meu namorado usando ele, e passei a usá-lo sozinha durante os dias que não nos víamos. Só que o tempo foi passando e o sexo começou a ser desgastante, muito porque só ele gozava e eu gozava com o vibrador – e dessa forma eu já me satisfazia sem ele. Um dia ele me disse que era pra eu não me masturbar durante a semana, porque eu perdia a vontade de transar com ele por causa disso. Repetidas vezes quando ele gozava e eu tentava me masturbar depois, continuando o sexo pro meu orgasmo, ele já estava deitado de olhos fechados (mesmo percebendo minha necessidade).

Dos 14 aos 18, foram 4 anos sem saber gozar de forma autônoma. Ninguém conseguia me dar prazer, mas eu me garantia no vibrador. Quando alguns caras percebiam meu problema, eu dizia que era super normal, que pra mim o que importava era o contato, que eu não precisava gozar sempre! Quem precisa? O sexo é bom por tudo, não precisa acabar em orgasmo. Certo. Dessa forma eu me iludi pra dar uma sensação de leveza aos homens, e continuei transando muito sem que gozasse nunca – isso pra mim era normal, desde que transei a primeira vez. Até porque em todo lugar diziam mesmo que mulher é mais difícil de gozar. Então eu me atinha aos manuais para um bom boquete.

Quando algum me chupava, eu não gostava muito – a maioria não se importava, outros não sabiam o que tavam fazendo e eu ficava fingindo prazer, eles ficavam com tesão ouvindo gemidos. Nas raras ocasiões onde era mais ou menos bom, eu tentava relaxar, mas era torturante e impossível: ficava preocupada com meu cheiro, lembrava das revistas que diziam “se tiver um pelinho fora do lugar, o amado vai fugir! Se tiver ferida de depilação é feio!” (acrescentar aqui suas milhares de preocupações quanto mais fora do padrão desejado de mulher você for), pensava que de qualquer forma não gozaria, porque a maioria só chupava durante 5 minutos – quando começava a ficar bom, acabava. Fora isso, quando durava mais, eu já me preocupava por estar sendo cansativo pro rapaz e me sentia um peso por ser tão complicada. Os filmes pornôs mostravam umas três lambidas e só, mesmo.

Comecei a falar pra todos eles que eu tinha um problema, que não conseguia gozar acompanhada, mas que não era pra eles se importarem com isso. Falava isso quando me sentia culpada por não gozar, pra evitar o constrangimento de o cara resolver tentar e falhar. E eu realmente achava que isso era um problema que eu tinha, como uma deficiência, algo de frigidez.

Com 18 anos foi a primeira vez que eu consegui gozar na boca de um homem. Foi extremamente difícil e demorado, mas ele me deu uma mínima segurança com meu próprio corpo e disse estar disposto. Mínima segurança porque ele gostava também de parecer livre, mas na verdade era muito opressor, ainda que mais sutil. Passei a usá-lo nas minhas desculpas: eu tenho dificuldade mesmo, só uma pessoa me fez gozar na vida. Assim os caras transavam comigo com menos pressão.

Aos 19 foi quando entendi melhor tudo o que passei, meus relacionamentos abusivos e minhas feridas consequentes deles. Fiquei um bom tempo sozinha, passei a amar mais meu corpo, entendi meus pelos e meu cheiro. Entendi a cultura pedófila onde meninas são entregues banalmente a homens bem mais velhos, onde mulheres precisam se depilar totalmente para parecerem meninas.

Entendi que dominar meninas é muito fácil, e que moldá-las a seres frágeis e submetidos é natural, e que tal cultura é muito funcional para explorar nossas crianças. Numa sociedade machista, onde o homem detém poder, as mulheres servem como suas propriedades – e é muito mais fácil controlar uma menina em fase de aprendizado, buscando sua autonomia. Destruir sua auto-estima e confiança nessa fase é ainda extremamente eficaz, pois é algo que possivelmente a perturbará para o resto da vida – seja por traumas consequentes ou por absorver tal criação.

Voltei a conhecer meu próprio prazer, como comecei na primeira infância antes de roubarem isso de mim. Descobri que todo o sexo que já havia feito era apenas para agradar homens, reproduzindo inclusive imagens de uma indústria pornográfica – que violenta mulheres – para ser visualmente erótico. Nada daquilo havia me dado realmente prazer, e pra me enquadrar no status mulher livre sexualmente, me podei tanto que tinha vergonha do meu corpo. Tive que passar por situações horríveis que uma menina de 14 anos nunca deveria ter passado. Aprendi que pra eu gozar tem que ser tudo diferente, do meu jeito – e não é nada do que mostram por aí. Tenho amigas que dizem saber gozar, mas que raramente conseguem, por terem medo da reação do cara. O nosso prazer está tão em prol do homem, que é normal fingir orgasmo, um gozo manjado de filme, para que ele fique contente e ache que é um ótimo parceiro.

Quando ouço que “feminista é tudo mal comida”, percebo o quanto essa frase é útil pra que as mulheres não se libertem de verdade e continuem agindo em função dos homens. Quanto mais você é ciente do próprio corpo e de tudo que te violenta, mais você fugirá disso e mais prazer consigo mesma você terá. Ou seja, dar prioridade pras mulheres ao invés dos homens, foi fundamental pra que eu aprendesse a gozar.

Ainda tenho dificuldade pra gozar, e se não sentir que o outro se importa, me sentirei péssima. É muito fácil voltar a pôr meu próprio prazer em segundo plano, e sei que não me desamarrei disso. A vida inteira tendo meu prazer reprimido, tido como algo errado, e só considerável quando explorado para o bem masculino. Ainda sinto as amarras da obrigação de fazer meus companheiros muito satisfeitos. Ainda recebo deles os olhares de decepção quando não gozam. Ainda transo sem vontade para que eles não fiquem estressados. Ainda sofro. Mas apesar de tudo isso, tenho consciência de que não é um problema meu, e quando me disponho a me fazer gozar, principalmente sozinha, consigo muito rápido, ao contrário do que os manuais ensinam sobre nossa eterna jornada.

Isso é compreender que a liberdade sexual feminina é usada estrategicamente para manutenção de privilégios de dominação patriarcal, e que de liberdade não há nada. Hoje em dia, com 20 anos, ainda acho que nem todo sexo precisa acabar em orgasmo. Mas por lembrar de como fui ofuscada atrás dessa máscara para prazer do outro, tenho cuidado com tal afirmação.

A insustentável leveza do não orgasmo é não desmanchar em preguiça e falta de energia na cama após um gozo, como meus companheiros fazem: fico leve e disposta. Mas é também eternamente carregar esse peso – que pesa em todas as mulheres – sobre meu ser.

AMARras

Sobre outras falsas liberdades, você poderá gostar de:

Sobre aquela mesma coisa de sempre disfarçada de amor-livre / Sobre ciúmes e a posição da mulher na luta não-monogâmica

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305 comentários sobre “A insustentável leveza do não-orgasmo e a falsa liberdade sexual feminina

  1. Júlia, adorei teu texto! Queria te falar que nem sempre tudo isso tem a ver com maturidade. Perdi minha virgindade aos 25 anos, com meu primeiro namorado, e não tenho problema nenhum em falar disso, mesmo que pra maioria pareça ser bem tarde. Também caí nesse conto de que tinha que agradar o homem, de fingir orgasmo pra que ele ficasse satisfeito, apesar de nunca ter gozado nas nossas relações. Também transei só pra agradar, nem sequer cheguei ao ponto de perder a dor dá penetração, ou seja, nunca foi bom com ele. É difícil nos livrarmos desses pensamentos e mais difícil ainda achar um cara que pense diferente. Obrigada por compartilhar a sua história, sempre é bom saber que não estamos sozinhas!

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  2. Se for levar o assunto ao pé da letra, a unica função do sexo é a reprodução. Então logicamente o gozo é facilmente alcançado pelo homem pois é o papel do macho na natureza, produzir o sêmen contendo os espermatozoides realizando assim a reprodução a partir de tais espermatozoides. O prazer é só uma consequência da ejaculação masculina. O orgasmo será sempre um dilema numa relação em busca de prazer, pois biologicamente não fomos criados para tal satisfação, o homem (homo sapiens) evolucionalmente falando, é quem por egocentrismo, desde sempre cria formas de realização pessoal, que no caso do orgasmo, o homem (sem generalizar) faz da mulher objeto de prazer por obviamente “gozar mais fácil”, e a mulher infelizmente tende a ser retrair por não conseguir tal façanha. É complicada a discussão sobre o assunto, numa reflexão mais crítica, a quem culparemos?

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    • No geral, gostei muito do seu texto, explica bem a visão de uma mulher sobre o assunto e é sempre bom lermos textos assim principalmente para nós homens, pois se estamos dispostos a ter prazer temos de investir nisso, tanto homem quanto mulher, pra que multuamente se obtenha resultados satisfatórios. E é muito mais gostoso quando conseguimos satisfazer nosso parceiro.

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    • jeffsmacedo não concordo com o que disse. Seu discurso é só mais um reflexo do pensamento machista, imposto pela nossa sociedade que, mesmo após ler o presente texto, não entendeu que o problema não é biológico, é social.
      O homem fazer da mulher um objeto de prazer é algo puramente cultural. Nós mulheres crescemos acreditando que isso é um caso “biológico” ou “a natureza fez os homens assim”. Não! Está errado!
      Mulheres podem gozar com muita facilidade! Como a própria autora do texto falou, sozinha conseguimos gozar fácil e rápido.

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    • A reprodução não é a única função do sexo. Se estás a tentar falar da raiz da questão, não faz sentido ignorar o facto da nossa espécie, “evolucionariamente falando”, se distinguir pela nossa capacidade de resolver problemas, comunicar através de linguagens complexas, raciocinar e ter a necessidade de criar estruturas sociais complexas.
      É neste último ponto que entra o sexo, que tem como funções criar laços com outro(s) elementos da espécie, hierarquizar os diferentes tipos de relações com os elementos do nosso grupo (afectos diferentes para relações diferentes), e satisfazer a nossa necessidade, como espécie dependente física e psicologicamente uns dos outros, de intimidade física.
      Se queres falar de evolução e biologia, pensa melhor, estuda melhor, porque o que escreveste é baseado no machismo, não na realidade de como a nossa espécie funciona. Estás-te unicamente a basear na crença machista de que os homens são criaturas irracionais e sem responsabilidades ou necessidades sociais e emocionais. Espécie errada. Se não tens relações saudáveis e equilibradas e não cuidas das pessoas à tua volta, mais vale ires viver para uma gruta sozinho.

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  3. É muito difícil falar sobre outro sexo , a gente nunca foi : falo pela experiência ou melhor pela não experiência até os 16 anos e na década de 60 onde o orgasmo feminino no Brasil era tabu , até então ouvia dizer que as mulheres não gozavam e ao mesmo tempo ouvindo meu pai e minha mãe no meio da noite em que eu acordava cheguei a conclusão que realmente existia , mas ao conversar com jovens de minha faixa etária as duvidas eram as mesmas …

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  4. Sabe oque é curioso ? Ontem a noite eu chorei muito na minha cama, e sabe porque ? porque tenho 17 anos e NUNCA namorei,e lembrei de toda a discriminação e bullying que sofri dos meninos na minha vida inteira, e já fiquei com inveja de uma prima que assim como você começou a vida sexual muito cedo…e sabe oque eu percebo com isso ? que o abuso feminino não tem escapatoria ! Eu ainda sou virgem e me sinto oprimida pelos homens, que ja me chamaram de gorda e feia e mal demonstraram interesse por mim, e voce foi oprimida por muitos anos da sua vida, mesmo tendo “a vida perfeita” que a sociedade vê para uma mulher (no caso namorar) desde seus 14 anos, isso mostra que os homens SEMPRE vão encontrar um jeito pra maltratar as mulheres psicologicamente.

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  5. Poucas prisões são tão angustiantes como ser escravo da própria necessidade de liberdade. Pior que isso, só ter certeza de que apenas os outros têm culpa nesse cartório.

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  6. Ótimo texto. Minha vida “quase” sexual começou com 15 anos. Eu tinha um amigo, o terceiro cara que fiquei na vida, que eu acreditava abusar de mim, fazia carícias e em uma hora perdi o controle e quando vi ele estava pegando em meus seios e bunda, não gostava, não sentia prazer por conta do psicólogico, mas não tive coragem de dizer para ele que não queria mais aquilo. Depois de um tempo com 16 anos comecei namorar, meu namorado ficava com muitas garotas, tinha fama de pegador, não tinha nem a alma virgem e ao contar isso para um “amigo meu” que era evangelico, ele me pressionou, falou que eu ia terminar “cedendo” e transando com ele, (cedendo? E se eu fizesse por que eu quero? Por que EU MEREÇO sentir prazer também?) Fiquei com isso na cabeça e não cheguei a fazer nada com ele, mas por pior que possa parecer, ele acabou comigo por isso. O próximo cara que fiquei depois de acabar o namoro, me senti na obrigação de dar prazer a ele, fiz minha primeira oral e não deixei ele fazer em mim, por vergonha dos meus pelos, mas não transei com ele. De qualquer maneira quando isso aconteceu eu me senti impura, não falei nada pra nenhuma amiga minha, só para meu amigo, que foi o primeiro cara que citei aqui, nós não ficávamos desde aquela época, mas ele ter sido o primeiro cara com que eu fui “além” de beijos fez eu me abrir em relação a sexo com ele, e ele nunca me julgou em nada, quando perdi minha virindade foi a primeira pessoa que falei. Eu me senti abusada com ele, mas a culpa foi minha em decorrência da pressão social, eu não falei pra ele, não tinha como ele saber que eu nao queria aquilo, eu sei que se eu não quisesse ele não faria mais. Perdi minha virgindade com 18 anos, com um cara que eu tinha uma amizade colorida há mais de um ano, ele sabia que eu ia perder quando me sentisse preparada, mas eu tava, eu queria demais aquilo, mas a unica coisa que me prendia era o fato de “nao vou ser mais virgem” “o que vão pensar de mim?” Ele conversou comigo por horas até acontecer pois disse que eu estava nervosa. Hoje tenho um carinho grande por ele e somos amigos. Hoje com 19 eu não me preocupo mais se a depilação não ta em dia, hoje falo pra amigas minhas que transo, que amo sexo e me masturbo mas ainda tenho que quebrar o tabu da reputação, aquele famoso “vao me achar uma puta”. Mas o fato é que tenho o mesmo problema que você: nunca gozei. Já estive perto mas alguma coisa faz eu não querer atingir o orgasmo por medo da minha reação, por medo de o cara achar estranho. Parace que quanto mais tabus a gente quebra, mais aparece…

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    • Oi Júlia, li o seu texto e me identifiquei porque estou passando por uma situação parecida. Traz conforto saber que não sou apenas eu, mas outras mulheres também passam pela mesma situação, o que mostra que isso não é um problema individual mas da cultura em que estamos inseridas. Tenho 21 anos, já tive relações sexuais e nenhuma delas me fez ter o tão desejado orgasmo. No começo achava que era normal pois ele viria com a experiência,mas o tempo passou e nada. Ultimamente isto se tornou tão incômodo que eu já me percebo criando bloqueios antes da relação, acreditando que o orgasmo não virá outra vez e já esperando por aquele sentimento de frustração e de um corpo- objeto. Antes até sentia prazer, mas agora já não sinto nada nas relações sexuais e procuro evitá-las porque a cada uma parece um atestado da minha incapacidade em sentir prazer e ter orgasmo, como se fosse inteiramente culpa minha. Tenho consciência do quanto ainda desconheço do meu corpo e que antes de ter prazer com o outro, preciso ter comigo mesma, sozinha, e o quão difícil é. Difícil aceitar o próprio corpo, achando-se imperfeita perante o outro. Estou na busca pelo caminho árduo que exige muita desconstrução para chegar ao meu prazer e procurando me emponderar com depoimentos de outras mulheres que passaram por situação parecida. Apropriar-me do meu próprio corpo e ser dona do meu prazer, sem ter vergonha de dizer o que eu gosto e como eu quero que seja o sexo.

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