Sobre o desamor do homem e sinonimo de ser humano de cu é rola

Tudo começou a virar prática quando ganhei minha primeira boneca, por volta dos 3 anos. Assim como minhas amigas, nessa idade eu também já aprendia a cuidar de alguém que dependia de mim. Empurrava carrinho, dava banho, trocava roupa, cuidava do cabelo. Quando estava boa nisso e alcancei o instinto materno, pude avançar de nível, então vieram as panelinhas.

Meu irmão era pouco mais novo que eu e, assim como seus amigos, brincava com uns carrinhos – aprendia sobre peças, velocidade, espacialidade. Ele também ganhava uns brinquedos de montar e criar objetos. Não tenho o que reclamar dos meus pais, eles me deixavam brincar de tudo, mas curiosamente algo já estava definido. Quando cresci mais um pouquinho ganhei um Tamagoshi – aquele bichinho virtual que precisava ser cuidado-, que a maioria das meninas tinha (e os meninos não curtiam).

Eu adorava ler! Tinha em casa uns livrinhos, e lembro das histórias de princesas. Eram moças muito jovens que passavam a vida inteira se dedicando a serem boas pretendentes: aprendiam a cozinhar, a limpar a casa, cuidar dos bichinhos, e principalmente aprendiam a estarem lindas, sorridentes e limpas independente do que fizessem. Após tal processo, passavam a esperar o príncipe que as escolhessem. Iam aos bailes mostrarem-se disponíveis e ficavam ociosas nessa espera. Passavam dias se arrumando e competiam com suas amigas. Sobre o príncipe, sua única tarefa era escolhê-la. Ela devia ser muito incrível e ser aprovada por todos, e não devia cometer a afronta de negar o sortudo pedido de casamento. As que negavam acabavam sendo aquelas tias reclamonas e recalcadas, as velhas dos gatos, as bruxas vilãs solteiras com verruga no nariz. Ou seja, malvadas ou inúteis.

Eram contos de fadas, mas na verdade não tanto. A história das mulheres que morreram na caça às bruxas da Inquisição, ou que foram internadas em manicômios, é basicamente a mesma. As que não se adaptavam à tarefa de servidão doméstica – que trás consigo uma infinitude de entrelinhas -, eram perseguidas, sendo condenadas à morte ou a loucura. Nessa época bem familiar a de hoje, qualquer manifestação de sentimento feminino era considerado histeria – as mulheres deviam estar dispostas a sexo com homens a qualquer momento, à atenderem suas necessidades, a não questionarem. Era sintoma de distúrbio psicológico manifestar considerações próprias, qualquer coisa a respeito de si mesma – e para tratar isso criaram o vibrador.

Quando entrei na escola, os livros diziam coisas como “o Homem está no topo da cadeia alimentar”, “o Homem descobriu que a Terra era redonda”. Então eu entendi que homem era sinônimo de ser humano. Ao mesmo tempo, eu ouvia minha avó dizendo que todo homem é igual. Que homem não presta. Que eu não deveria namorar tão cedo. Vovó era bem bacana, mas certamente aquela palavra que ela usava não significava seres humanos, afinal, por mais bacana que fosse, ela não cogitaria falar sobre namorar mulheres também. Então minha cabeça passou a achar que as avós eram moralistas com esse papo de homens não prestarem, simplesmente pra que a gente não namorasse mesmo. Eis aqui o primeiro recado: escutem suas avós.

E começa aqui nosso choque de realidade. Não é atoa que nossas histórias atuais pareçam tanto com a dos contos de fadas que líamos quando crianças; nem com o passado da Inquisição. Não é atoa que nossa vivência adulta se pareça tanto com aquela que nos foi ensinada quando tinhamos 3 anos. Certamente essa educação precoce não foi por acaso: a dificuldade tem de ser aprendida desde muito cedo para que seja assimilada com perfeição.

Obviamente eu contrariei e logo comecei a namorar meninos. Não demorou pra que, vivendo no universo masculino, eu passasse a achar bobas todas as coisas que saíssem de mim ou fossem minhas – gostos, objetos, interesses, vontades, filmes, passeios, modos de falar, de sentar, roupas, etc. Os meninos endossavam bem o coro de “ah mulherzinha”, quando algum colega parecia feminino – leia-se demonstrar sentimentos. Algumas vezes ele simplesmente dizia estar gostando da colega de turma. Alguns meninos na escola me perseguiam e me seguravam forte, puxavam meu cabelo ou me cuspiam água. As professoram me explicavam que eles faziam isso porque, na verdade, gostavam de mim.

Fui crescendo e as experiências foram evoluindo pra visitas em casa, namoro fixo, convivência cotidiana íntima. Eu imaginava que aqueles rapazes com quem compartilhava a vida fossem meus melhores amigos. E eu nunca entendia porque toda semana eu acabava sentindo algo esquisito que chamo de frustração confusa. Tal frustração surgia toda vez que eu precisava me abrir ou expor algum sentimento e o namorado ou não entendia, ou procurava algo melhor pra fazermos. Muitas vezes eles faziam piadinhas, dizendo que eu era chorona, e me chamavam pra tomar sorvete. Quando eu já não podia mais trocar minha necessidade por sorvete e insistia em falar, eles faziam uma expressão de tédio. Não sabiam o que falar, achavam chato, e chegavam sempre ao momento de tentar transar quando estavam exaustos de ouvir aquilo. E se eu não quisesse, eles reclamavam sutilmente sobre essa minha reação. Eu me sentia mal por não satisfazê-los e por sentir essas coisas. Parece que os tempos não mudaram.

Nos programas de comédia na televisão, aprendi que as mulheres são as rainhas das “DR’s”. O que nós mais gostamos de fazer é discutir relação. O curioso é que depois descobri que chamam de DR qualquer conversa onde se exponha sentimentos mais profundos, que fale sobre si e sobre o outro – que fale sobre a relação. E todas as vezes que imaginei uma conversa onde se abrisse pra isso, foi bonito! Só na imaginação. Os homens não aprenderam o que é isso e lidam como se fosse uma afronta. Eles mudam o humor, criam uma aura de briguinha e te culpam por querer levantar questões sempre. Comigo não foi diferente. Perdi a conta de quantas vezes deitei dizendo que estava meio triste por conta de sua reação e o companheiro dormiu. Ou quis transar.

Não demorou pra que eu fosse chamada de histérica – e olha que nunca fui exaltada, apesar de ter mil motivos pra ter sido. Fui me entendendo como aquilo que os homens me chamavam: cheia de questões, problemática, intensa, racional demais. É, fui culpada diversas vezes por racionalizar demais as relações. Me sentia queimada na fogueira toda vez que me abria. Foi então que entrei num ciclo vicioso de relacionamentos abusivos, onde eu me anulava todo o tempo pra relevar minhas pendências em prol do bem estar do homem. Porque, se meu próprio namorado não era capaz de lidar com elas e me ouvir, eu realmente devia estar sendo exagerada. Diziam pra eu ser mais madura e para de jogar pesos sobre eles. Comecei esse processo de crescimento, mas os diálogos mentais não cessaram. Eu conversava com eles mentalmente e sempre era incrível. Era maduro, era carinhoso e acalentava a alma pelo compartilhamento de amizade e dedicação mútua. Não tinha peso nem culpa, nem expectativa elevada – tinha apenas compreensão.

Eu não conseguia entender isso, apesar de me esforçar muito – como sempre. Não entendia como pra mim era tão leve e quando expunha pra eles era tão pesado. Eles diziam que era a forma que eu falava, meio grosseira, cheia de cobranças. Então eu modifiquei totalmente o modo de abordagem. Fiz várias vezes, vários testes diferentes. Passei até a tentar não falar mais nada. Pra mim isso era bem ruim, então passei a falar com muita delicadeza e carinho. Nada mudou, e eles diziam que eu tinha que aprender a ceder pra relação funcionar. Nada mudou, mas a culpa continuava sendo minha. Por que na minha cabeça tudo funcionava tão bem?

Fui procurar ajuda na terapia, fiz meditação, acupuntura. Pra curar minha histeria o vibrador foi insuficiente, mas tentei outros meios. Me tornei uma pessoa muito calma, porém cheia de culpas que não sabia como eram minhas – mas eram. Mas a vontade de conversar não passou. Achei que estava louca ou tinha depressão. Na terapia eu falava “doar” e minha terapeuta dizia que minha boca pronunciava “doer”. Namorar homens é complicado, por conta de toda criação desigual já mencionada: você acaba vivenciando milhões de machismos, silenciamentos e violências sutis ou não. E isso deve ser conversado, assim como qualquer sentimento bom também deve ser conversado – e é essa parte boa a única parte que eles aceitam ouvir. Qualquer coisa dita fora disso, por mais calma e “namoral” possível, era o cúmulo da minha incapacidade de relevar as coisas. O que meus namorados não entendiam é que se eu estava disposta a namorá-los, eu estava automaticamente disposta a relevar um monte de coisas para que isso fosse possível. Começando pelo fato deles serem homens! Mas eles não podiam participar do processo de melhora de hábitos próprios. Toda vez que mencionava algo, era como se eu estivesse fazendo deles um monstro. Eu. Fazendo deles.

Quanto mais eu conversava e convivia com amigas que também namoravam homens, mais eu via o quanto essa história era repetitiva. O quanto todas nós em algum momento nos víamos inteiramente dedicadas sozinhas a manutenção do relacionamento, uma vez que os homens se mantinham incapazes de lidar até com seus próprios erros. Mas tinham facilidade em apontar os nossos. E sim, precisamos falar sobre exploração afetiva. Nós realmente fomos criadas pra servidão, pra disponibilidade e dedicação extrema – o padrão desses relacionamentos é você ser o colo do homem todo o tempo e quando é você quem precisa, se depara com a pontinha de uma perna. São eles os distantes, os que não se preocupam com saúde sexual, os que não gostam de camisinha, os que não dividem o custo do anticoncepcional, os que não te ajudam a lidar com os efeitos colaterais da pílula, os que não gostam de “tretas”. Somos nós mulheres que nos descabelamos pra achar as soluções de tudo, e vamos procurar ajuda com outras amigas – porque você já foi tão chata com ele, que ele deu ultimatos sobre continuar a relação.

Crescemos cuidando de outros seres enquanto esses namorados cresceram desmontando carrinhos. Enquanto passamos a vida sendo afogadas num sonho de casamento e final feliz, os homens estavam sonhando com qualquer coisa. Esse padrão romântico pode parecer coincidência, mas definitivamente não é. Lembro quando meu irmão brincava de casinha comigo. Eu usava uma barbie, e ele queria usar um boneco de um tamanho muito menor pra ser meu marido. Eu brigava com ele e não deixava, dizia pra usar o boneco do tamanho da minha. E não era falta de imaginação: era apenas pelo fato de que o matrimônio foi empurrado goela abaixo das mulheres. E aquilo era importante demais pra mim pra que ele não levasse a sério.

Outra parte do padrão é a destruidora capacidade que as mulheres tem de negligenciar sua própria vida afim do relacionamento. Tanto eu quanto minhas amigas acabamos com frequência faltando aulas, desmarcando encontros e compromissos diversos para podermos cuidar e/ou ficar junto com o companheiro. E o oposto não acontece. Os homens, naturalmente, continuam com seus planos, seus estudos e empregos. Há quem diga que isso é um dom, que as mulheres são os seres iluminados; citam até o espírito materno. Fizeram aquelas frases “por trás de todo grande homem há uma grande mulher”. De cu é rola! Esse anulamento feminino não é bonito. Ele é consequência de colocarem o casamento como prioridade na vida das mulheres e, como os tempos mudaram, você pode substituir “casamento” por “namorado”, “boy”, “pênis”, por exemplo.

A sociedade só valida a existência feminina quando ela arruma um homem. E aí a vovó se contradiz e fala “segura esse macho!”. Os contos de fadas se repetem e acionamos tudo o que aprendemos para conseguir segurá-lo. Me lembro de algumas vezes que eu estava tranquila sozinha e algum homem me pediu em namoro. Diversas vezes não me apeteceu, mas eu aceitei. Outras tantas eu dei seriedade demais a algo que pra mim nem era tão importante – e isso não é sobre irresponsabilidade afetiva, e sim sobre apenas não desejar estar com tal pessoa. Definitivamente eu amo estar sozinha, mas por um motivo que luto contra, meu pensamento sempre está em alguém. Ainda que nem estejamos juntos, parece que eu e minhas amigas vivemos numa busca incansável por uma completude que não nos disseram que está em nós mesmas. Não, isso não é por acaso.

E essa busca é muito triste, porque quando falhamos numa relação é como se tivéssemos falhado enquanto pessoas. Como se fossemos ruins. E realmente sentimos isso, já que é a nossa principal função manter um namoro funcionando. Quando o rapaz termina sentimos um ego ferido que difere muito ao que o homem sente. Enquanto competimos com nossas amigas quem arranja o melhor namorado – mesmo inconscientemente-, esses namorados estão conversando entre eles sobre suas aquisições materiais, intelectuais, degustativas. Os homens foram criados aprendendo posses, lidando com objetos. Quando um rapaz de quem gostamos não nos quer, nos sentimos ruins, feias, desinteressantes e desistimos. Mas quando acontece o oposto, funciona como se tivessemos ativado o botão de insistência deles. Como se eles não conseguissem lidar com esse objeto que não podem ter.

Assim como nos livrinhos infantis, são os homens que decidem quem, quando e onde começar um relacionamento. As mulheres só devem permanecer na vitrine esperando e, se alguma resolve pedir um rapaz em namoro, é chamada de ousada demais ou desesperada pra casar. Não precisamos nem pedir em namoro: estar ficando com um cara e dizer “vamos nos ver de novo?”, ou começar qualquer assunto sobre nossos sentimementos já é o bastante para ser aquele peso gigante inaceitável. Como se realmente quiséssemos namorar todos os homens com quem ficamos. Na maioria das vezes só queremos ter um papo menos superficial mesmo.

Cansada de ser taxada de apressada, tratei de aprender que pra dar certo e ser escolhida, tenho que seguir a lógica dos meninos que me batiam quando gostavam de mim: fingir que não estou interessada! Ou melhor, ser indiferente e cruel. O típico comportamento masculino é esconder sentimentos e ser negligente. Sumir sem dar notícia, se calar sem explicar, aparecer só quando é conveniente, parecer ótimo o tempo todo, fingir que não sente nada. Os filmes de sessão da tarde ensinam bem sobre como as mulheres não devem ligar no dia seguinte ao encontro. Ser indiferente mesmo. É sério que vamos criar relações com tais bases?

Quanto mais moderninhas pessoas com quem ando, isso fica mais explícito. Pra ser mais livre eu preciso não ligar pra nada, estar ok com tudo sempre. Cumprimentar todos sorrindo e aceitar as propostas de beijo, sexo livre e relacionamentos efêmeros que pouco se importam com minha existência. Mas a verdade é que independente do grupo, vai ser assim – com a diferença perigosa de que no grupo dos desconstruídos isso é disfarçado de liberdade. Mas essa liberdade não soa muito masculina? Eu definitivamente não almejo ser desumana como um homem, embora saiba que a criação das mulheres também me fez doentia em vários aspectos. Mas continuam sendo nós, eu, minhas amigas, minha mãe, minha avó e as mulheres em volta, as pessoas que cuidam e se preocupam de verdade com o sentimento dos outros. Somos nós que nunca dormimos quando alguém ao nosso lado diz que está triste. Somos nós que somos transparentes para que o outro não fique inseguro. Eu não desejo destruir isso em mim para ser capaz de me relacionar com outros seres, porque a consideração e cuidado é a base pra qualquer afetividade.

Há quem diga que os homens aprendem a amar quando viram pais. Eu ainda não acredito nisso, uma vez que nem essa tarefa – cuidar da criança de verdade – é considerada deles. Gastaram dinheiro me dando bonecas na infância com uma finalidade bem estabelecida.
Não parece muito óbvio o quão mais frequente é as mulheres falaram sobre as relações e a manutenção das mesmas? Foram as mulheres as ensinadas a trabalhar isso, aprendendo a se pôr no lugar do outro, aprendendo como é se relacionar. Nós sabemos o que é cuidado e compreensão. Nós é quem sabemos o que é ceder – e até demais. A questão é que esse aprendizado não é ruim e muito menos bobo. Toda pessoa que ame ou acredite no amor, sabe do que estou falando.

E ser a favor disso não significa que sou a favor de que todos casemos e invistamos em famílias tradicionais. É algo bem diferente: apenas que tratemos quem amamos com a devida importância, e que cuidemos todos de nossos afetos. Mas insistir nesse modelo narrado acima significa criar relacionamentos abusivos onde as mulheres são as maiores vítimas. Onde suas existências são sempre invisíveis. Onde tudo que é humano é feminino demais e pesado além da conta. Precisamos entender como abusivos esses namoros onde ficamos confusas, onde lidamos com tudo sozinhas, onde criamos diálogos mentais por não podermos falar de verdade. A história se repete.

E amigos homens, seres inteligentíssimos, revolucionários da liberdade: vocês já deviam ter pensado sobre suas próprias crises existenciais e o mundo infeliz que estamos construindo. Quando o amor – em suas manifestações – é colocado como sentimento essencialmente feminino num modelo social que diminui e ridiculariza tudo que vem das mulheres, é óbvio que vai ser uma sociedade doente.

O sentimento é algo construído para ser apenas feminino. E qualquer observador percebe o quanto as coisas femininas são inferiorizadas. E não, eu não quero amar menos. Não quero tratar os outros com indiferença. Quero ser amiga, quero ouvir quem precisa. Eu quero sim me sentir suficiente sozinha e quero que parem de ensinar as meninas que elas precisam de um marido para serem “a grande mulher por trás dele”. Mas não somos nós, mulheres, que devemos nos adequar as formas masculinas de “amor”, são os homens que devem aprender a amar com o mesmo esforço que nós fizemos!

Deixem seus filhos brincarem de boneca. E quanto aos homens crescidos, não sejam casos perdidos. Sei o quanto vocês reclamam de como os romances são “líquidos” e que os “novos tempos de internet afastam as pessoas”. A questão não é o tempo, como podem perceber. Reconheçam em vocês o desamor. Ouçam suas companheiras, elas cresceram aprendendo a lidar com seres humanos e, dessa forma, a serem humanas. Vocês aprenderão também.

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Leia também: Os homens que não amavam as mulheres

Um abraço especial pra minha amiga Jéssica Mello, com quem aprendo muito sobre – e vivo! – amor, e foi fundamental nas conclusões desse texto a partir de conversas no sofá. Te amo!

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105 comentários sobre “Sobre o desamor do homem e sinonimo de ser humano de cu é rola

  1. Acho bacana ler sobre uma pessoa que tem uma vivência totalmente diferente da sua… acho que serve pra gerar empatia e para evoluirmos, parabéns pelo texto. Existem algumas afirmações aí em que eu não me enxergo (a maioria por falta de vivência), em particular a do ‘botão de insistência’, ele nunca ‘funcionou direito’ em mim, na primeira e única recusa eu já me sentia um lixo e me afastava. Na verdade eu já começava minhas relações de amor platônico me sentindo um lixo e daí eu evitava ao máximo chegar no ponto crítico que iria acarretar em uma rejeição, só o fazia quando o nó no estômago chegava em um nível insuportável.
    Meu último amor platônico foi há 6 anos, nunca namorei, beijei umas 6 mulheres, tive algumas relações sexuais com com menos ainda, vou chegar ao 40 daqui alguns anos, alguma tranquilidade só o tempo traz. Infelizmente do ponto de vista do seu texto, eu me aprofundei na escolha de me afastar das emoções (do meu ponto de vista, isso pode ser errado, mas eu me sinto menos perturbado, talvez com muito menos objetivos para a vida, mas ainda sim, muito mais tranquilo).
    Não sei realmente se amor (por alguém de sua escolha sexual) é algo que possa ser descrito, eu acabei adotando um conceito de que amor é uma obsessão por alguém, um desequilíbrio químico, na borda do amor ‘fraternal’, um construto social para te dar um objetivo para viver enquanto é gado para o sistema.
    Mas eu gosto mais da sua visão.
    Abraço.

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  2. Sou homem e adorei muito esse texto. De fato, em alguns episódios de relacionamentos que você narrou, vi muito de namoros que tive. Todas minhas ex namoradas me falam que por muitas vezes fui egoísta, e tenho feito um retrospecto sobre esses casos.

    A verdade é que eu, muito cuidado e amado (por família e namoradas) não conheço o verdadeiro sentimento da palavra “cuidar”. A verdade é que não sei bem como me doar em uma relação. Ja tentei ajudar minhas namoradas quando elas estão em momentos mais delicados, mas eu simplesmente não sei COMO. Por varias vezes consegui, mas por várias outras, não. E isso é um retrato de várias construções ao longo do caminho.
    Por exemplo, nesse trecho você cita: “típico comportamento masculino é esconder sentimentos e ser negligente. Sumir sem dar notícia, se calar sem explicar, aparecer só quando é conveniente, parecer ótimo o tempo todo, fingir que não sente nada.” Pode até ser típico, mas muitas vezes não é intencional. Durante toda nossa in^fancia, somos, por uma questão de adequação, forçados a escondermos nossos sentimentos. Lembro de como me era difícil, na adolescência, lidar com a solidão por não ter com quem contar para esses momentos. Acabou que, somando isso a várias decepções no campo das amizades, me tornei bastante fechado (como acontece com muuuitos – e essa carência é bem percebido por mim nos amigos e tal).

    Nunca fui de ser escroto com minhas ex namoradas, seja com ciúmes, ordens e coisas do tipo, mas sempre me faltou esse “cuidado” aí. No meu relacionamento atual, me prometi que seria diferente, que teria mais paciência, iria de fato relevar as coisas, teria traquilidade e tentaria esse cuidado. Só que, além de não ter achado esse cuidado ainda, minha paciência e o fato de relevar coisas que me chateiam acabam sendo entendidos como afastamento. Quando diminuo mais o contato, no intuito de respeitar a liberdade dela e deixá-la livre (como ela é), ela fica insegura sobre meus sentimentos. Eu, de verdade, não sei como lidar. São sempre formas muito distintas de enxergar as coisas e eu fico sem saber o que fazer/dizer. Sinto uma cobrança que talvez não consiga retribuir, e não sei se é porque sou egoísta, porque nao estou apaixonado o suficiente, ou porque não aguento mais passar 2h30 dentro de um onibus.

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  3. Adorei o texto, tb me identifiquei com alguns comentários, inclusive dos homens. Acho que a maior parte das mulheres passam por isso, lutamos durante toda vida em meio a uma confusão de sentimentos. Compartilho de muitos sentimentos com vc, mas sempre fui uma garota deslocada do mundo… sempre fui vista como pouco feminina apesar de bonita, e somente na vida adulta consegui refletir sobre essas coisas, na maior parte do tempo sempre estive em um universo paralelo.
    Fui criada dentro de uma família mega padrão, super machista do tipo mulher rainha do lar e macho provedor… nunca me senti a vontade com isso, o comportamento de ambos, pai e mãe me incomodavam enormemente desde sempre. Achava absurdo minha mãe não trabalhar, ter horário definido pra limpar casa e ter que fazer tudo com perfeição mesmo não querendo, a busca incansável pela beleza e coisas fúteis. Achava ridiculo meu pai ter que se comportar como o macho alfa da familia dele pq a mãe dele queria assim, ele era o “exemplo” que deveria ser seguido. Resultado? pai extremamente machista e mãe com futilidade nas alturas e compreensão rasa da vida, geraram uma criança que queria brincar com os meninos, queria o lego de castelo medieval, adorava cavaleiros do zodiaco, amava ler contos medievais (sempre como o cavaleiro), odiava a barbie, tinha asco da cinderela, não gostava de rosa, saia e cabelo grande… escutava sempre, senta como menina, fala como menina, isso é brinquedo de menino, mulher tem que ter cabelo grande, vê se usa maquiagem, mulher não pode… mulher não deve… mas o incomodo só crescia, mas me faltava maturidade para compreender e questionar. Na adolescência entrei no ciclo vicioso de muitas meninas entram, já estava cansada de lutar contra as coisas e fui tocando o barco, entrei em vários relacionamentos abusivos, muitas vezes não por gostar, mas pq gostavam de mim e não havia motivos para me negar…mas só me dei conta de como isso é errado com a maturidade. Nos ensinam que nós precisamos de homens, eu não precisava, nem queria, mas mesmo assim estava lá pq é assim que as coisas são… hj sei que o que me faltou foi simplesmente alguém pra dizer que eu não precisa de nada, nem era obrigada a nada…
    Sabe eu jamais senti essa necessidade de ter “migas”, até tentei, pq nos ensinam que as mulheres tem que ser assim, cheia da migas pra contar os babados… mas sempre escutava que EU não participava das conversas de maneira adequada (nunca me importei com moda, maquiagem, beleza, revistas, homens… ) muitas vezes me forçava a gostar das mesmas coisas para me sentir parte desse mundo, mas no fundo me sentia deslocada, apesar disso tudo tb escutei que drs e mimimis são naturais da mulher e eu tinha muito disso por ser mulher e blablabla, apesar de não me achar nem um pouco parecida com as mulheres que ao meu ver tinham isso… nunca me senti masculina, nunca tive duvidas sobre ser hetero (apesar de achar que seres humanos simplesmente se apaixonam), sou casada e mãe de um menino… e ainda me pego com esses sentimentos de deslocamento, lutando contra mim mesma e apesar de ter conhecimento da causa se livrar dessa carga de ser o que esperam que nós sejamos é muito pesado, é um fardo muito difícil de se livra, requer policiamento e aprimoramento constante. Acho que textos como o seu, que nos contam experiências, que nos fazem questionar as coisas, que nos trazem incomodo, que nos fazem enxergar nossos erros do passado e presente são de grande importância, mesmo que nem todos concordem com todos os seus pontos de vista (e eles realmente não precisam, são suas experiências). Mas acho que a maioria das mulheres tem muitas experiências em comuns, mesmo sendo tão diferentes umas das outras, esses textos evidenciam isso e nos faz querer discutir onde esta errado, o que precisa mudar e é isso que os homens precisam entender. (no fim fiz um textão e nem sei se me expressei direto, mas ta bom :/ ) abraços

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  4. Texto maravilhoso, achei bom de ler e cheio de força e precisão nos fenômenos descritos!
    Infelizmente já reproduzi vários hábitos masculinos negativos que estão descritos aqui, especialmente a resistência em falar qualquer coisa sobre sentimentos. Me lembrou algumas coisas (das quais não me orgulho) do meu último relacionamento. O negócio é me esforçar para romper esse padrão daqui pra frente.

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  5. Achei o texto ruim, egoísta, generalista. Os “homens” são a besta e as mulheres (leia você ou sua interpretação da vida) oprimidas.

    Na minha humilde opinião, é preciso maior compreensão sua que:
    1 homem nenhum pediu para que tudo fosse como é.
    2 o mundo evoluiu assim.. E olha que maravilha, ele não é perfeito e continua evoluindo.
    3 homens e mulheres são culturalmente diferentes, portanto não crucifique quem também não teve escolha.

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    • Desculpe amigo, mas é claro que os homens “pediram” para que a sociedade fosse assim, afinal quem notoriamente estabeleceu as bases da sociedade e se beneficiou com os provilégios desfrutados pelos homens? As gerações de homens que vieram até alcançar a sua…mas é claro! E nem é válido dizer que homens não disfrutam de privilégios por séculos, pois é explícito e comprovável!
      A essência do texto é… “Homens, que tal deixar o egoísmo de lado, olhar como igual a mulher que está ao seu lado e respeitá-la inclusive com seus direitos de questionamentos e reflexões?” Que tal amar quem está do seu lado sem tentar reduzir os questionamentos da parceira a algo de menor valor e não legítimo? Fruto de “frescura feminina” garanto que vai ser bem melhor para todos, homens e mulheres…afinal nunca é tarde para EVOLUIR DE VERDADE!

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  6. Achei o texto bem legal me identifiquei com algumas situações,infelizmente muitos homens acham que a unica mulher perfeita é a sua própria Mãe ,seria ótimo se eles respeitassem e tentassem nos entender assim com nós tentamos ,só que viver sozinho dentro de um relacionamento é muito dificil.

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  7. Dentro do patriarcado é preciso sim amar menos, se preocupar menos, ser egocêntrica, gostar da solidão e do silencio. O amor em demasia — dado, mas nunca recebido — é a nossa opressão. Uma mulher não tem mais caráter que eu por priorizar sentimentos alheios de quem não a ama quando sou tão egoísta. Ela é só mais bitolada na socialização de seu gênero, assim como me esforço dia a dia para desconstruí-lo. Homens não vão ceder lugares no topo, e não adianta chorar, implorar, pedir com relutância. Ninguém está desposto a abdicar-se quando há pessoas dispostas a servi-las dentro do seu próprio preconceito internalizado. As mulheres tem necessidades que vão além da carência, é dependência financeira também. Mulheres, parem de amar! Ao contrário do que dizem, ódio não se devolve com amor, isso é submissão. Ódio se devolve com indiferença.

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  8. Silêncio! Na atualidade são até utópicas as palavras desse texto… creio q ainda há diferença sim e que a mulher tem que lutar, mas tudo dentro a normalidade, do bom senso, do equilíbrio, da legalidade… Tem mulher que gosta se ser mulherzinha e homem que gosta de ser padrão, e assim como você quer respeito às suas opiniões e posições, deve respeito à essas pessoas também…

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  9. Além do que foi mencionado no texto outro fator que me deixa triste são nossos referenciais de mulheres que acompanhamos quando criança em nosso desenvolvimento, quando crianças logo somos incutidos a entender que a mulher é um corpo que deve exalar sensualidade. As apresentadoras de programas infantis eram mulheres deslumbrantes que falavam o que queríamos ouvir, assim se tornando o estereótipo de uma companheira ideal além de uma mãe. A existência de um machismo e um feminismo que luta por direitos, é um sintoma de uma sociedade doente pelo patriarcado, onde se faz a busca pelo poder. Espero como ser humano me apropriar de cada vez mais conhecimento e conhecimentos para combater essa e outras doenças disseminadas no mundo contemporâneo, e para fazer minha parte no que diz respeito as pessoas que são oprimidas pelo sistema vigente como nesse caso do machismo que causa sofrimento e interrompe vidas em todo mundo, mas uma vez deixo meus préstimos ao texto.

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  10. Aquilo que eu sempre senti nos relacionamentos, mas, que de alguma forma me fez pensar que eu estava cobrando demais, exigindo demais e ficando louca….Esse egoísmo masculino é muito REAL. Também, esse ataque, que nasce instantânea mente no momento em que vc pense em mostrar insatisfação e querer colocar os pingos nos “is” e é taxada de exigente, é muito REAL. Os comentários aqui, as conversas que tenho/tive com amigas sobre relacionamento, tudo corrobora com o que eu li neste texto. Uns vão dizer que é achismo, mas, não é, infelizmente.
    Temos que viver no mundo da empatia, de sermos compreensivas, de dar tudo de nós receber migalhas e se conformar com isso. afinal, homem é assim mesmo não é mesmo?
    Esse texto foi providencial e eu repito em voz alta (pra mim mesma) que eu nunca mais vou me anular por ninguém e eu nunca vou deixar ninguém dizer que eu estou exigindo, dramatizando demais e me fazer pensar que eu estou forçando a barra.

    obrigada por esse texto maravilhoso

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