temis

todos sabiam quem havia me matado
inclusive delegado
alongando cinco anos leitura de um escrito
contada prantos a escrivão franzino
Franzindo rugas do poder severo
garantida a justiça
Recebeu novamente meu corpo
cinco anos mais velho e mais morto
bom humor fingido ao aguarde da repeticao
de cada detalhe ao aguarde de mal entendido
Eu entendia mal
compreenderem pouco quando se dispõe ser lido
meia década
e era eu quem entendia mal
deixei
por essa altura haver mais a contar na soma
do que nao resolvido
seria
de novo
E daqui a pouco
já estarei fétida
de tantos anos

brassil

Verão brasileiro antropofágico
a época lambuza abrilhanteia os corpos
se amontoam em desejo mas se afastam em quentura
Pra resmungar do crowd
em cachoeiras familiares onde agora não poderá fumar em nu
pois a pouca família do pretinho que te vendeu está banhando
o que voce via de cara lavada
A Itacoatiara lotada
de lixo
da educação que falta pra quem é imbecil
E em toda vida não viu
que areia é natureza e chão é plantio
Quando você cultivava pimenta no reino
da terra roubada e xingava pela evolução da espécie
que deixava copo
descartável o vendedor de mate
num sol de sessenta
anos ainda trabalhava
Pra subir de volta onde gari nenhum subia
senão aqueles que no alto
também ergueram moradia

secular desata

Passados ontens vidas
não previa eu cansar conformidades
seculares batizadas
de amor
 
Assemelhando Leonor
pitada à comida
Alimento ao cansaço
Vera esconder à praia
risca relevo pista
a barriga
 
Ao que se dedicam dicionários
substantivados masculinos
subutilizados
obrigando quem os torne úteis em
substância
 
Esta cesta descanso
dormida a união
À manhã o sonho casar acordada
a partida

terra e medo sem chapéu

Estão todos aqui nesta terra onde não existem chapéus. Estão todos em iminência do surto. Nada protege suas cabeças nada os protege de suas maiores maiores os melhores pensamentos chegam deslizam os cabelos medo; é o perigo sério; muitos desistem muitos mais desempenham a encorajar desistência uns metem folha de bananeira ou outras folhas pra tapar outros batem nas paredes; desadereco periga provoca muito medo; erramos em dizer pouco de quem cuida do brilho dos cabelos

desaprendendo a pular sacadas

Já estou quase chegando. Abra vai esta porta eu trouxe questões; não me lembro do que pediu mas não importa eu trouxe e não deu em sacola. É silenciosa, sao; não a mim mas afora de meu corpo é preciso pouco é preciso apenas que se lide com um rosto que agrada menos mao no rosto tempo corrido no rosto água escorrida no rosto tudo isso em silencio o menor barulho possível; o risco é que assim nesse convívio é propício que adentro outros corpos se ouçam sem poder fugir os próprios estrondos; e muita gente que não me abre as chaves tem pavor estrondoso disso e várias acabo me evitando por demasiada e é quando breve depois as covinhas me matam – naturalmente eu nem as tenho – e me obrigam e me esburacam não só as laterais mas toda; várias que me mantém as fechaduras preferem barulho de escavação obra falha buraco profundo pra nada; eu não tenho rosto de nada; se coubesse em bolsas como todo o mundo das novelas gostariam de ver viriam cheias; mas menos interessante bem menos consumível nao se dividiria em mesa de bater copos chamando de brinde de forma alguma se escutaria em saleta de espera com imagem de pintor suave e revistas exaltando sacolas; como tudo quase tudo que existe agora se fabrica vende e alguém que ganha e muita que perde mas nada disso serve ensacado é preciso que entendam que peguem nas maos pensantes diminuam de pular as sacadas, abra;

arando estorvos

veio em grão de chuva em luz
arado de meu desaconchego
umidade descompacta junto
escorro

ninguém me encontra pois então
sou muitas
faço justa falta de foco
sem que a digam falha
agora que não acham nem a quem
dizê-la – levaria esforço

não perderiam tempo com estas
que me tornei ervas
muito mais
daninhas
eras

oposta

Extremo recado
decisão que não se toma
sem que eu mascavo
estou em cansaço
corro o máximo
de quilômetros
em desencontro não por saudade,
por já tê-la feito além
da saúde do peito
da perna
Não entendo o que
a vida me pede
de amor.

j a

Em cozinha foi quando descobri paixão apesar
de não ser mais o lugar de sentir isso
senão
por testes cuidados e feitiço
foi bem
enquanto me cuidava de não quebrar pratos
escutando riso
preparando para hora de nos
jantar