Nado

Nos dias de menos
sou nada
Quanto mais quieta sou nada
perto das bolsas sendo valores dos calçados correndo saltos sobre as poças
eu, analista de suas poéticas e não desses pulos atlética,
nado embrulhos nos chãos que não piso

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Feroz furo: fuça

Continuo com esta fuça feminal

Um bicho ou outro, dos poucos apercebidos de que estendem-se de mim, adentram-me as íris e tocam astúcia
Eles comem
Feromoniados, a saciez se resolve – astúcia estendida fez!

Fossem talvez o par de olhos três:
explorassem menos os outros perfúrios deste solo fértil

Ópera da carne fraca II

Temos dedicado tempos às escassas infectas comidas
tirado gosto dos pratos escassos infecciosos
pensado como nunca havíamos pensado tanto
sobre posta mesa de quem trabalha os tempos
que dedicamos

Temos reavaliado rumos soletrando reparando danos
pensado como nunca havíamos contado tanto os preços
sobrepostos às rotinas que não nos foram oferecidas
em cardápio único

Tem-se pensado muito:
é possível isto, é possível isto, é preciso esforço
Temos servido no esforço este almoço
sem antes nem hoje provamos qual gosto.

Sem título II

o descontrole, o quê: não se sabe. o vício e repetição, me avisam, desligaram-se das cabeças nossas mãos, querida, me encerram – não há nada que se faça contra – esqueça. tudo isso quando fui esta noite atrás da foto da pior pessoa do mundo de março à agosto. ninguém nunca concordou comigo e nem eu mesma, seja por isso talvez que eu recorra às imagens na espera desse algo que se confirme e se reafirme a cada amenidade da história que passa ao passo que o mundo impõe a traumática e silenciosa suavidade. tenho eu esta necessidade de conservar os assuntos sérios. tendo eu vivido tantos riscos e contado vários deles, inclusive os que vieram concretos, para estas pessoas que amo; que continuam os afagos com as piores pessoas do mundo – é o quê: ri da

Rugas do charme

Voz altiva à grossura precisão:
dedos, mãos retas
os percursos neutros das questões
terão quadris saltados adiante
contra os outros ré marchados

A remarcação ritualística da beleza não terão e nem beleza
serão possíveis os fumos, odores da face ao pulmão

Não provarão a inexistência sacra do que se come
não comerão sem sentido a fome
nunca o sermão das regras dos donos

Aos bons, bônus –
serão notáveis e presenteados os dons

O pequeno poço da dúvida apenas ou menos
A escada perpétua contra desolar de vida que aperta
Entrega, impulso, cartas e outros recebimentos sempre
Não terão assim a violação das faltas, a imobilidade da espera

Terão o tempo e por fim rugas, os vincos autênticos
a sabedoria do passo cartografado nas rugas do charme
Nunca terei as rugas do charme.

Ópera da carne fraca

Disseram que a carne mais barata do mercado era aquela lá a gente sabe qual é chega de falar. Disseram às dez e meia já de estômago roncado que seria anunciado o melhor dos almoços macarrão. Sinal bateu correu correu. Cinco salsichas por prato a gente soltava frouxo o riso do menino roubando umas do outro distraído. Tá sujo esse garfo. Aqui não tem frescura quemdirá condicionado mas se tem cara de sorte a janela vai do seu lado. Tá gostoso eu também queria repetir me dá mais uma aí?

C.E. Ópera da Carne Fraca

às telas

Quando eu ando por aqui, raramente cinco, horário de reparar pelas presenças traçando os fluxos das memórias, imagino você a criança que foi, tamanho, cabelo que teve, sem os grossos pêlos de tempo passado como já te conheci. Você passando por mim bem perto corria? emburrava sofria, brinca. Passo na frente da tua escola margeada ferro e grades, é difícil; essa construção sempre à parte de mim, à parte de muitos dentro; ouvia sinais tocando desviava me intimidava por outras coisas amais. Esse lugar onde você cresceu, tão grande, você, tão mísero ambiente em enormidades; penso na sua expressão de tentar não esbarrar conhecidos; quando a gente vem junto você reencenando as conversinhas das velhas coleiras, eu tentando guiar meu humor não tão mal te achando desnecessariamente rude. Aqui tão vertical. Você se espichando tanto pelas telas. Quando você me disse sobre meu gracejo de pessoa que seguiu e não perdeu criança, daquele jeito de aprender bobo, rir bobo, eu pensei que você havia perdido porque dizia, falhei concluindo desse jeito; esse teu jeito… do contra que é reduzido se dito assim, plantou tanto ódio e tanto amor durando o tempo mais esquisito e próximo até hoje criando briga e vontade: foi sempre tu preservado; a minha criança sempre te encontrou e eu não entendia e pra quê, também? sua rebeldia de pequeno forte, a rebeldia inesgotável de dispersar contradições ou sê-las; onde justo nela a gente se conserva sendo a minha de adulta, sendo a criança minha parte de voar e eu de agora rasgar mão com tua criança de rasgar contenção; faremos quando anos de amor às nossas?

peso excede

Como nunca
pego os vôos
A indisposição tem dúvida se é minha
ou das asas comigo
Não sei quanto peso.

Me amam demais exceto
quando desfaleço
Sou isso com aviso de que não tem
jeito

Pagamos sempre pelo preço excedente
do não dizer noturno
depois de digerir
as que nos couberam letras
engolidas do desconforto

Tenho cisma em me sentar equivocada
destruo as vértebras
e as decisões precipitam

Todos caem

Estão cansadas de mim
as asas

liquidada

formato de escrita
artística chamada
pra editar al público
espaço separado de exibir discurso
al diferente
recital gráfico
pego minha mão e tudo que criara
a ameaço com pontadas múltiplas de garfo
escolho um pedaço comível e ofereço
quem degusta muito crítico infalível
no provável vômito
negativa
penso quem sabe a outra
pego minha mão e tudo que errara
a escavo violenta de mistura e colher
escolho um pedaço bem visto e ofereço
quem vitrina muito crítico infalível no provável
não quer
pego minhas duas mãos
liquidifico

efêmea

Emudo dente que nao cala
desdenhante às insurgências
de sofá

Nas salas
minha revolução em cama

nada dito sobre romântica

movo milênios imundos
sem fita métrica esquartilho
mundos
formalizados em aprendizes de atar prazeres

autogesto
e a dedicação nasce crescente
aos trabalhos braçais
repetição além de vezes
produzidas com orgulho

concentração vencendo
guerra
mental supera
trégua

subo

os oito mil
segundos da vitória

exercitando serena

Eu não estou brava, questione isto por melhor, você, esses olhos de observar bem. Estou perdida no odor do mal esgotamento de minha imagem, detestosa de que me vejam escrever em público furiosa em espaço que se usa pra ser jovem; daqueles exaltando o que hoje é um dia que não tenho, certo. Não brava. Ausentam-me os ânimos, não me graceja nada quando preciso comunicar, exceto quanto vago, as luzes sao belíssimas. Permaneco tolerante a espontaneidade dos encontros fugazes mas não as permanências; as explicações infernais se tornam e odiosa me torno só dizer deste assunto, so tenho virado disto? Você podia com boa vista pegar minhas coisas me dizer se desgasta, fico tremula, em poucos serei vista, fingirei a mulher serena que me evocam, a que eu atuei tao bem ate perde-la entre os exercícios do corpo.