Edição comemorativa Charitas com fubá

Minha cidade com outras –
coisas parecidas. dentro dela são várias
as empresas de monopólio das distâncias fabricam saudades
e reverenciam nobres cadáveres

Hoje, dia inaugural
buraco no meio de montanha
à esta obra, prima da irrelevância rocha
e irmã da valoração urbanística,
deram nome esperadamente coeso:
algum falecido, este
Fulano P. Nunes

Descobrimos a história e o batismo –
eu, minha mãe e o avô
comendo pastel no vento
sunga azul vestia um senhor – trabalho da esposa -,
que reclamava o P.: inconformava-o o ponto
“P. de quê? É, puto! E isso era mesmo.”
contava pro vento enjoando a engolida
e a letra não de raiva mas p. da pornografia

Pouco a Pouco teve o pastel o gosto
das moças comidas
minha mãe me disse
“Vire para lá, tem outra vista”

e nada:
veio o moço ao meu avô
“você conheceu meu tio, morreu
com um milhão de anos, jornalista?, vou processar a P.refeitura”
o avô, quase osso; não virou
mamãe compensou as tarefas: não conhecemos

O azul pesou
a resposta “olhei achando que ele fosse escritor algo
do tipo, jornalista,
vou ligar para a redação, é Pimentel!”

Meu avô, poeta, com tanta idade à surdez do engodo
poeta não o escutava em nada mas em corpo, como obra, respondia
a responsabilidade da palavra

Voltamos à casa,
trancei os cabelos e os fios
de minha família.

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