compasso de alana terrena

quando há você não há chama. há contudo o outro
lado do mundo onde o outro lado do mundo
alcança, em sua vagarosidade,
o fogo. a existência contigo não arde
quando hajo,
embora pense isso das crepitações solares;
teu prefixo ensolarada é solo.

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para isto as anotações

meu amigo duro disse-me entre-trânsitos
meu amigo mudou-se à sp. morro de saudades
pela raridade capturei feito estrofes.
eu poderia dizer é para isto que serve e
para isto que faço
enquanto rememoro meu amigo duro
com suas próprias palavras enfeitadas
de minhas.
ele brilharia oferecendo-me beijos e
críticas todavia este modo não é de fato o que
há. não é de meu amigo duro a saudade
deste poema

não morre a parte retida

temo demais pelo meu amor que não se deixa mulher
diz-me que ofício é ofício e vida; e sexo vida mas
não abre pálpebras e por isso,
sexo mais sexo como dia menos dia.
temo bastante contudo menos que umas
no seguinte: dizem-me que filosofia,
a crítica das artes, os quartos arquitetados
tão bem quanto eternos são dos grandes
e dos grandes, gênios. e por isso,
gênio mais gênio como a vida nossa subtraída.
esta parte pouco temo; que não se deixa perder
diz-me que fica, sem nome; entretanto
filosofia mulher.

a traduzida

Tenho sonhos de leoa com face gueixa
neles, eu comum também a era
Precisava alimentar-se de gente sendo esta
a normalidade do rito,
havia quem se desse oferecido
O flúido fazia-se ao fechar das portas conjunto
ao espanto
Os que me fariam zoológica,
espanto.
As portas abrem-se,
leoa de gueixa sonho meu
chupa as unhas e as paredes brilhos
Como minha roupa de pele
tudo limpo

Curvo ateu

vinte e cinco humanos em listradas camisas vestes
listras. em pé, aborrachado díspar
ao par de alcóolicos hábitos
cintilam cílios à visão turva o milho
não milho de ascender o fogo à força
luz de suas fronteiras margens

vinte e cinco vias fáceis
evocando um não-Deus
pela miséria e derrota de classes prestam corpos
em vestes que não as de manter os seus
em dia com o ateu dia progressista em rede
mais a sede
do mistério em seca

turva e fresca a visão de milho é
fosca. composto sem crítica ao
escopo do brilho,
mantem-se os concursos do rio
e cintilam

arde o buraco entre listras da
fogueira científica
índio.

Júlia Vita

Manuscritos meus no Poema do Poeta.

o poema do poeta

juliavitapb11.pngJúlia Vita (1995-) é poeta e artista nascida em Niterói, a mesma cidade onde atualmente reside. Possui poesias publicadas pela revista digital mexicana La Crítica e um de seus textos não poéticos republicado pela revista Casa da Mãe Joanna. Seus textos sobre política afetiva e suas poesias podem ser lidos no blog Versoando e no Facebook. Há uma poesia impressa em coletânea através de concurso nacional e está iniciando processo de publicação individual.

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cachoeira(1)

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Emily

Emily em seu caderno
muitas flores
você coleciona-nos deste jeito
e este hábito dura-nos
ao que viemos

Emily na capa de seu livro
uma amarela
à cor de Deus
com quem falamos deste jeito
nossas flores mortas,
catarses, mistérios e
desterros

Li tua solidão quando
preciso povoar-me
à cor de Deus
Em mim é como triângulo
prateado esta cor

vestindo o luqi

Esta noite gastei 8,90 em dobro
e uma travessia embarcada
sobre baía
destino evento engodo
Leia comigo e ria,
ele ria
Contando bucóvisqui
e eu com esse rostinho bucólico
em grandes olhos e muitas dores
e muito preço
deveria gostar de me gastar.
Você não sabe o que é amar

Você que nunca bateu em uma mulher,
nunca bebeu uísque no copo de
charuto
Você que nunca foi bucóvisqui,
esteja agora em luto,

Todas,
menos a mulher que enterrei
a única da saudade.
Eu voltei e esquentei minha janta

E preciso fazer poesia desse tipo,
quem gosta de ler isso?
Medo de editora
Medo de editor
Medo de não poder comer farofa
Medo de prender o dedo na porta
Medo de calças vermelhas e meia p&b
Medo de que vocês queiram ler isso

Eu já disse isso.

Minhas feras

Como é fácil me perder de minhas feras
pelo puro tu-não-deves
ou por minha agora negativa
ao feito externo que por elas
me ferira

Invento-me esta, terceira
peça
posso viver tudo e assim estar
lugar algum.
Sob tudo meu controle imune,
ideia nobre

quando algo mais me pesca
enfureço angústia – haja esforço a manter-me dispersa

Não é disto a vida;
tenho morrido demais
na tarefa colaborativa ao matar
o que me contém bicha.

Rugas do chrme

Voz altiva à grossura precisão:
dedos, mãos retas
os percursos neutros das questões
terão quadris saltados adiante
contra os outros ré marchados

A remarcação ritualística da beleza não terão e nem beleza
serão possíveis os fumos, odores da face ao pulmão

Não provarão a inexistência sacra do que se come
não comerão sem sentido a fome
nunca o sermão das regras dos donos

Aos bons, bônus –
serão notáveis e presenteados os dons

O pequeno poço da dúvida apenas ou menos
A escada perpétua contra desolar de vida que aperta
Entrega, impulso, cartas e outros recebimentos sempre
Não terão assim a violação das faltas, a imobilidade da espera

Terão o tempo e por fim rugas, os vincos autênticos
a sabedoria do passo cartografado nas rugas do charme
Nunca terei as rugas do charme.