Júlia Vita

Manuscritos meus no Poema do Poeta.

o poema do poeta

juliavitapb11.pngJúlia Vita (1995-) é poeta e artista nascida em Niterói, a mesma cidade onde atualmente reside. Possui poesias publicadas pela revista digital mexicana La Crítica e um de seus textos não poéticos republicado pela revista Casa da Mãe Joanna. Seus textos sobre política afetiva e suas poesias podem ser lidos no blog Versoando e no Facebook. Há uma poesia impressa em coletânea através de concurso nacional e está iniciando processo de publicação individual.

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cachoeira(1)

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3 comentários sobre “Júlia Vita

  1. Ola Julia estava lendo seus textos não apenas pela ascendencia de seu sobrenome, mas me veio toda uma referência vanguardista e anarquista italiana do idos do século passado, principalmente a partir de 1920. O anarquismo italiano talvez seja o mais rico de toda Europa… muitas vezes, principalmente, nos partidarismos, esquecemos o que nos poetas significava os ana + “arché’s” (ἀρχή), ainda mais nas mulheres em pleno e pulsante modernismo. Talvez o anarquismo ali fosse como uma imperativo categórico, uma necessidade fisiológica, um oxigênio. Curiosamente e etimologicamente veio na cabeça umas das mais importantes poetas daqueles tempos que foi Virgilia D’Andrea — sempre perseguida pelo facismo. A vida dela foi só um eterno lutar, exílio, até a morte (cancêr de mama). Seu anarquismo era diferente, não era partidário, era na verdade uma profunda religião particular à esquerda. Uma gnose. Mas essa curiosidade foi ganhando influxos interessantes, genealógicos de raízes profundas.

    O sobrenome Vita apareceu pela primeira vez em Treviso, conhecida em tempos arcaicos como Tarvisium (Taurus), um distrito de Veneza, capital da província de Treviso. Como capital, basicamente viviam
    naquele tempo o podestado, esculturoes, nobres e latifundiários, militares de alta patente, artistas do establishment vigente. Assim como o Smith significaria artesãos na Inglaterra, Vita significava, necessariamente, uma certa ascendência privelegiada. Já o sobrenome D’Andrea é radicalmente o contrário. Embora nascesse na capital, em Veneza, tão próximo, era usualmente o segundo nome adotado por comerciantes, já que Veneza é uma cidade-porto. D’Andrea se apoxima muito do nosso Silva. Mais ainda: era comum naqueles tempos usar como sobrenome o nome do chefe da família e — sendo algumas castas sociais fechadas em seu nicho (comércio, navegação, etc) — o sobrenome se multiplicaria muito rápido. Diferentemente de Vita que era basicamente um sobrenome carregado principalmente pela aristocracia. Curiosamente Virgilia iria viver seus ultimos dias em uma cidade portuária e costeira, New York, assim como voce, que mora em Niteroi. Nem sempre esses influxos precisam ser tão evidentes… as vezes entre os ecos instáveis, no seios de nossas famílias, essas coisas despontam assim, maneirismos, padrões culturais, etc…

    Virgilia fica orfã cedo e acaba por ter uma formação em colégio católico, o qual evidentemente adquire a formação clássica como todo convento que se preze lendo Carducci. Aos doze anos de idade sob forte influência do regicído do Rei Umberto I pelo anarquista Gaetano Bresci (algo que também acirraria o sentimento facista por Mussolini, naquele tempo um socialista — aqui no Brasil, guardadas as proporções ao que se fez com Dilma Roussef — se pensarmos com cuidado essa direita ultraconservadora que instalou-se programaticamente nos jovens do brasil atual), ela começa a esboçar seu “Torce nella Notte” (Tochas pela Noite) em que apela várias vezes (fevorosamente) para Suor Guilia di Marco, famosa por sua “caridade carnal”, uma fransiscana estranha, que causou escandalo na Napoli no início do século XVII por querer ter direito ao seu próprio corpo e o sexo como ato divino não apenas para a reprodução da espécie, radicalmente diferente do que toda a Inquisição pensava e propunha. Sim Giulia foi uma anarquista como seria Virgilia.

    há um trecho importante que traduz algo que vi em seus poemas:
    Virgilia D’Andrea: Los vencidos que no mueren (1932)

    ” Anarquía significa la destrucción de la miseria, el odio, la superstición, y la abolición de la opresión del hombre por el hombre; es decir, la abolición del gobierno y el monopolio de la propiedad.
    La individualidad humana es un mundo profundo y misterioso que puede encerrar en sí toda visión de nuevos horizontes de variados y distintos sentimientos y afectos; por lo tanto el individuo, esta parte vital de la vasta armonía universal, debe poder dar libre escape a sus propias inspiraciones, debe tener la oportunidad de intentar toda vía que vea plena de luz y promesa. Debe ser libre de desarrollar sus actividades, inclinaciones y capacidades, sus energías a veces esotéricas, que siente palpitar en sí, todas ellas mutables en el espacio y el tiempo. Debe sentirse árbitro de su propio destino y dirigir el timón de su propia existencia hacia el puerto que sea el supremo sueño de su vida.
    […]
    Nos preguntan: ¿Cuándo dominarán los anarquistas? Dominaremos nunca. Hasta el momento (su lejanía depende de cuán distantes estén vosotros de nosotros) de la realización de una sociedad basada en contratos libres y voluntarios, en la que nadie pueda imponer su voluntad sobre otros porque la asociación será libre y ocupada en el crecimiento y desarrollo en vez de en el sacrificio del individuo, estaremos siempre en nuestro lugar, junto a quienes, como nosotros, no quieren ser oprimidos, ni oprimir, y quienes quieren hacer avanzar a quienes son oprimidos. Seguiremos fuera de todo gobierno y contra todo gobierno para indicarle a las personas la vía a su propia liberación, donde tomarán en sus propias manos su propio bien y felicidad.[…] Nos preguntan nuevamente: ¿No serán entonces siempre vencidos? No! Es sólo que no nos engañamos con que para vencer debamos tomar el lugar del dominador vencido. Aún si la Anarquía no puede realizarse hoy, mañana, o tras siglos, lo esencial para nosotros es marchar hacia la anarquía hoy, mañana y siempre.

    Acho bonito e terrível, como diria Vico, em como a história em sua espiral repete-se sem ser a mesma coisa. Em como seus atores, corrente e contra-corrente, sempre (e inevitavelmente) se chocam. Abaixo segue os texos que traduzi em italiano, foi quase uma necessidade. Caso julgue inconveniente ou descabido sequer publico em meu blog (www.holostasis.blogspot.com)

    um abraço

    centrifuga
    https://versoando.wordpress.com/2017/04/26/centrifuga/

    il centro basso del mio corpo crea l’onda: mio
    costrutto farli costanza sparsa, oliatura di spazi
    ossidati
    degli quasi-ingranaggi dell’età ultra matura

    senza titolo
    https://versoando.wordpress.com/2017/03/30/sem-titulo/

    non c’è distinzione estetica nel disastro
    resti di incustodito strazio psichico

    non esiste la azzurra (1)

    in questo anti-stilo non scelto
    molto meno sembra cortocircuito

    traviato,

    risuonare il interstizio
    cosa è stato perso
    nei monologhi che nessuno ascolta

    (1) La azzurra, referencial ao conceito nacionalista da Italia, de certo modo, reconstroi seu integralismo.

    bruto
    https://versoando.wordpress.com/2017/03/08/bruto/

    più scuro nave al vultorno (2)
    incisioni non al chiaro di luna
    sulla posta dell’acqua
    era lento sale in dolce transito
    niente più acquedotto
    illuminato tutte le scorciatoie taglienti
    tra la gelosia intaglio
    la increspata supplica
    per scaricare il corso che non cessa
    consuma

    (2) “vultorno”, referente na mitologia grega a Eurus, o vento do oeste, irmã de Zephyros e Boreas. Não quis perder a sonoridade de “vulto” no texto original.

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