fome, as coisas

quando penso em fome
um ronco destrona as leis
gritos de olhos grandes, um porco
revela a casa – há pão e amor migalha

sozinha quando penso a fome
ao pedirem amor gigante com olhos
ocultos de malhas,

um ronco destrona, valeis de fibras
me deito na frente de duas pupilas
faço coisas e ainda respiro

tendo aprendido a abrir, abro
e por ter aprendido a nascer,
nasço enquanto finjo que outro crio

a primeira vista retorna
de nós crianças
recém latinas na cama – fazendo coisas
como nossas antigas miradas

caçando mães, pais, pitangas
caçando a vista perdida na fechada fresta
das cercas

que é para deitar aqui, que deito
com rosto descoberto das vezes
ainda frescas
e, frente a frente, aberturas
como quem produz
o princípio dos roncos fecundos

amor, pão, migalhas – vejo
fazer coisas com olhos somados de unos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s