mix-tipificado

Uniria o antropofagismo
os índios
à bandeira nacional sendo menos, enfim,
flâmula

Eis agora; uniu tanto
que esqueceu ao cifrão
oportunismo:
serão um só povo, índios
os sábios da primária
glândula

Em interesse de órgãos e
ordens outro,
a mistura no liquidificador
das frutas

Mais frutas!,
Mais frutas!, Mais sabor

Nasceu de onde esta? que se perdeu
Será a salvadora da mátria
a energia elétrica

br

Minha letra é um fogo sujo
apropriado da interpretação falha
e bem-vinda
do idioma outro

A letra dele é um fogo sujo
traduzido automatismo virtual
os 13 anos do menino

A poesia se alastra
imunda

Às brechas das máquinas:
brasas!

.

caminho eu vou
volto e paro mas não duro. o chão onde estou
tem frequência de me cansar os pés

quando falo fadigo de minha voz
as pessoas e as pessoas
apreciam muito a fala e eu me canso e vou
durante, calada
na solidão,

amplifico o tom abaixo, mais fino
quando quero e faço
penso se mantenho os convívios como
matéria de fazer artístico
seria essa minha missão divina? mais diabólica
à quem diga “egoísta”.

esboço

Mortas velhas, eis a elas,
tantas escrituras resgatadas
E esta geração audaz
cujo empenho obcecado em três aspectos esmorece
o resto: este texto, eis.

ele, que nem a coragem ativista suporta sob
sua doce viciada
vista

Hilda
morta velha
a quem, como norma, nem a
flacidez adianta

jovem estampa:
belas as capas
jovem estampa revolucionária
contra-capas! Nem elas,
oposições fáceis como a nova esquerda
identitária

Cansada das margens
Ana em pulo, plácida
não tão infanta quanto o que
virou sua cara – azul e rosa, óculos de sol –
eterna prosa poética jovial

talvez a ela mais fiel
o abraço da morte que se repete
após que se morreu:
acelerada

uma a menos
sem sucesso no escape

Não se escapa.
Vendemos rosto e de nossos versos,
esboço.

Edição comemorativa Charitas com fubá

Minha cidade com outras –
coisas parecidas. dentro dela são várias
as empresas de monopólio das distâncias fabricam saudades
e reverenciam nobres cadáveres

Hoje, dia inaugural
buraco no meio de montanha
à esta obra, prima da irrelevância rocha
e irmã da valoração urbanística,
deram nome esperadamente coeso:
algum falecido, este
Fulano P. Nunes

Descobrimos a história e o batismo –
eu, minha mãe e o avô
comendo pastel no vento
sunga azul vestia um senhor – trabalho da esposa -,
que reclamava o P.: inconformava-o o ponto
“P. de quê? É, puto! E isso era mesmo.”
contava pro vento enjoando a engolida
e a letra não de raiva mas p. da pornografia

Pouco a Pouco teve o pastel o gosto
das moças comidas
minha mãe me disse
“Vire para lá, tem outra vista”

e nada:
veio o moço ao meu avô
“você conheceu meu tio, morreu
com um milhão de anos, jornalista?, vou processar a P.refeitura”
o avô, quase osso; não virou
mamãe compensou as tarefas: não conhecemos

O azul pesou
a resposta “olhei achando que ele fosse escritor algo
do tipo, jornalista,
vou ligar para a redação, é Pimentel!”

Meu avô, poeta, com tanta idade à surdez do engodo
poeta não o escutava em nada mas em corpo, como obra, respondia
a responsabilidade da palavra

Voltamos à casa,
trancei os cabelos e os fios
de minha família.

ddd

na matéria de amor nenhuma é herói
pela falta dos contos não há conto para nós
mas este, pra mim
e só –
por agora não querer falar por tantas
e portanto parecer egóica –
não ligo,
sinto muito por ligar números
sem ter tido a dedicação à matemática
tanto como me propuseram ao subjeto
falho não nos problemas mas nas soluções que não sei –
acumulo contas e me peso,
caio por cima de alguns e os peso
ainda mais quando algo os peço sem a dimensão do cálculo
exigido
há dias tento mas não me dispenso
enquanto cada instante mais me despeço,
tentada por alívio das exatas e ao mesmo tempo permanecendo,
cultivo o dúbio desejando que sejam sérios e longos
até logos
sem desejo disso ao fundo
raro quem goste dos números, inclusa eu,
por alguma razão que não a é, continuo tentando as calculadoras com estas gentes
posso pensar agora que é este o erro
e esquecer o apesar
que a mais doída experiência foi com algum que muito gostava.