urro e pata

Quando não há mais a dizer
e a cabeça ainda fala
é fenômeno de atar-se às mínguas amarras
da língua vasta

Ataca a onça a mensagem
mais sábia
no urro e no silêncio
as patas e pistas
atravessadas dos milênios

Faísca a ideia que tenta
e não acende – amarra
tem-se essa boca cheia de dentes
e não rasga

Nesse muro a linguagem esbarra
se engolindo mal digerida
regurgita no truque mais sábio
no fútil e no cênico
o som e olhos que não compreendem
nas letras
incêndio.

o

Só a mim foi ontem dia da feira
descubro por anúncio do amanhã às oito
por meu ânimo de alimentar melhor
as coisas

só a mim foi ontem mais as perguntas
em segundos rápidos
quantos sábados necessários pra só eu aprender a ignorância
sobre que legumes precisamos comprar?
sua gripe sarou?
meu ombro dói mas a cabeça não
não sei por quão
enquanto
se desejasse seria mais que cinco
Podendo ser mês
por quanto urgem os fatos

Hoje eu fui dedicada
pratiquei bem menos saudosismo
passei tempo catando pimenta que cresceu estando também distante

Me descubro boa em conservar ardência
me confirmo indecisa de não saber se tranco o pote

picote da mesmice

Quero pedir demais: abaixe
Sobre a exatidão das rotas
nada interessa
por conta das dobraduras de
retas – testo encaixe

Para evitar que me pessam
testo pressa, o tardar na curva
não cessou nem o peito
travado impresso na testa

Posso ouvir sobre cortaduras –
preciso – quero pedir demais: tesoura