salgo

o primeiro orgasmo
de dois mil e quinze
eu me dei e dei
de volta à água
que me expandiu
em impossíveis minutos
eu boiei enquanto
minha pele salgava
quando o sol tocou
o mar eu ardi junto
nesse momento era
queimada todo o
mundo e não houve
um olho sequer que
foi capaz de mover
minha mão
às seis da tarde
meu gozo era peixe
correndo na maré
pela primeira vez
molhou sem precisar
ser secado
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Em 2015

Uma lágrima escorregou do meu olho esquerdo
Trilhando um caminho novo
Escalou meu nariz e mergulhou em meu olho direito
Alguns meses depois ela novamente fez-se gota e, dessa vez
Deslizou do olho direito e se escondeu no meu ouvido.
Após essas suas viagens, dentre outras não mencionadas,
Tomou-me um pico de total apatia e mal pude recordar do que impulsionava sua partida
Então, espantada, pensei:
Não.