Ali inscrito

A ponta dos dedos
ali
onde o toque se infinita
onde a carne se mistura
onde o contorno carece textura
ali
onde se instiga
onde se interessa
onde o tesão perfura
Quando na saudade escreverá o outro
com essas mãos dele contaminadas
logo ele outro se fará perto
na folha de papel mesa ou chão
onde ele for escrito
inscrito já estava em suas palmas
Se reescreve o outro
eternizado no tato
transforma-o em qualquer texto
formato
parece vontade de letra
virar pele
Cuidado no engano
palavra também fere

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EM FALTA, GIRAUTA

Agora eu choro num poema
sobre como eles agem
e não se importam se é problema.

Como eles não entendem um abraço
cada contato corporal relembrar fisicamente
o poder ereto
e tudo que passo:

estou à disposição e serventia
se reclamo – tudo que faço –
“que rebeldia!”

Roçar já não mais é cuidar da terra
quem ainda conheceria tal verbo,
podendo satisfazer-se até quando eu não queria?
“eu achei que podia!”

Aos 14, o professor que 42 fazia,
me chamava à sua casa pra ensinar poesia

Pois que minha carne aprendeu no dia-a -dia:

Apagavam minha pulsação que atentava ao errado
Afinal, como dizia, não parecia tão nova
– e agora, quem sabe, não pareço tão invadida –
Se demonstro, ele reprova.

Sempre sabem o que é melhor pra mim
Me leem melhor que eu mesma.
Os sinais do meu desconforto
[ignorados
estando pressionada pelo seu corpo envolto

Há quem disse que sou sutil
Mas lembro: mesmo falando, chorando ou imóvel
ele sempre me engoliu.
(eles), você também
(moço) que passa os olhos sobre essas inúteis palavras
femininas.
Cuidemo-nos, meninas.