parada ensurdecedor

eu queria encontrar voce
e voce também
assistir amanhã ao show do mateus aleluia
bater na porta da anna e relembrar o passeio
na lagoa da pampulha
dizer vamos e ir
atravessar a ponte rio niterói
num domingo azul e calmo
ou na sexta engarrafada
mas rir no seu rosto e brincar é nóis
dentro do onibus
e não ouvir a rua debruçando no meu ombro
sussurrando mais alto que o sino da igreja de santa rosa
vai pra casa
e quanto mais eu ignoraria a rua mais ela jogaria seu peso
no dia seguinte eu ia procurar alguém pra me fazer massagem
mas fracassaria porque precisaria marcar horário combinar
compromisso e talvez estender
e a rua é infinita
eu não sei se as massagens também são

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Vai

Foi dada a largada

Ao primeiro sinal pouco melódico
do sino da igreja de cabeceira:
estou desperta

Com o precipitado toque

Polifônico
já sinto meus músculos em pedra
Não é novidade qualquer desrespeito ao meu tempo corpóreo

Tudo é corrida
da qual não exatamente faço parte
senão aliviando outras corredeiras

A igreja sempre perto e desta vez no bolso
Verifico as horas
Às quatro da tarde já choveu o suficiente para que todos voltassemos a
ser bicho

Neste momento meu olho bateu no de uma mulher ofegante, que bateu no
de um rapaz perdido
Tive certa de que sentíamos o mesmo sobre as águas
Comunicação silenciosa
Percebiamos o calor de cada um em mãos antes mesmo de algum passo

E a igrejinha vibrou

Nao anunciava ainda a redenção das seis
A verdade é que pouco me lembro do que veio sendo dito

E eu já estava na cama para amanhã.