salgo

o primeiro orgasmo
de dois mil e quinze
eu me dei e dei
de volta à água
que me expandiu
em impossíveis minutos
eu boiei enquanto
minha pele salgava
quando o sol tocou
o mar eu ardi junto
nesse momento era
queimada todo o
mundo e não houve
um olho sequer que
foi capaz de mover
minha mão
às seis da tarde
meu gozo era peixe
correndo na maré
pela primeira vez
molhou sem precisar
ser secado
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a gente diferença

Dizeu-me aquela voz
nem de sim nem de não
Em mais de três dias adormecidos
embaixo e bom tom
Que não podia mais ficar

Mastigados os ruídos
Preparei meu colchão
pruma semana de domingos

Foi quando o piso da varanda
me assoviou sobre teus pés:
nem de fica nem de vão

E a maçaneta da portinha estreita
assoprou certeira, entendedora
da nossa mão

Qu’era por isso nosso incontro
Eu quando piso, finco
Quando parto,
nenhuma dúvida em minh’assola.