salgo

o primeiro orgasmo
de dois mil e quinze
eu me dei e dei
de volta à água
que me expandiu
em impossíveis minutos
eu boiei enquanto
minha pele salgava
quando o sol tocou
o mar eu ardi junto
nesse momento era
queimada todo o
mundo e não houve
um olho sequer que
foi capaz de mover
minha mão
às seis da tarde
meu gozo era peixe
correndo na maré
pela primeira vez
molhou sem precisar
ser secado

Livramento

Vi de perto hoje ser tempo de peixe
Como de praxe
pisei areia na renda do dia
que o mar junto se arrendava

Um menino brincante onde o bigode o anzol poria
não arredou meio pé
Sob meus olhos laranjava a infância encorajada

O horizonte saturava água alta
cor límpido chumbo
Entrava perfeito aquele livro azulzinho
na paleta colorida amarelada até rosar

Apontando meu objeto às direções que o olho via
Até notei que servia a canga também
Todavia
dela já me enjoara
e a saia cor caneta a cintura me apertava

Continuei livrar a cena
Livrei dez barquinhos de sua possível simetria
Livrei também a linha da vara na beira
Livrei dos pescadores a caça
quando não pescaram o que eu fazia

 

10.16