salgo

o primeiro orgasmo
de dois mil e quinze
eu me dei e dei
de volta à água
que me expandiu
em impossíveis minutos
eu boiei enquanto
minha pele salgava
quando o sol tocou
o mar eu ardi junto
nesse momento era
queimada todo o
mundo e não houve
um olho sequer que
foi capaz de mover
minha mão
às seis da tarde
meu gozo era peixe
correndo na maré
pela primeira vez
molhou sem precisar
ser secado
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e desde então ninguém

Na beira da mesa o copo dágua não é mais este
caso lhe falte o líquido
o amor do sofá na sala vira enfeite
quando escassas as perguntas ficam
tal como qualquer margarida sem abelha
e até a sobre-pele morta da palma infantil
furadinha curiosa com alfinete
que não doía
renovou o caguete
a falta de sentido ficou
nas coisas pequeninas
tipo saúde em pote de margarina
o novo discurso feio da antiga colega Marina
e de homenagem essa rima mais feia ainda
a ração do cachorro nunca foi mais a mesma depois que ele sumiu
desde então ninguém sabe no que ela se transformou
aqueles bilhetes grudados na parede e na geladeira
exibem histórias de personagens que existem só lá
a saudade de bethânia que fazia barulheira
acordando aos pés o vizinho
também existe só lá
e desde então ninguém sabe onde é