Livramento

Vi de perto hoje ser tempo de peixe
Como de praxe
pisei areia na renda do dia
que o mar junto se arrendava

Um menino brincante onde o bigode o anzol poria
não arredou meio pé
Sob meus olhos laranjava a infância encorajada

O horizonte saturava água alta
cor límpido chumbo
Entrava perfeito aquele livro azulzinho
na paleta colorida amarelada até rosar

Apontando meu objeto às direções que o olho via
Até notei que servia a canga também
Todavia
dela já me enjoara
e a saia cor caneta a cintura me apertava

Continuei livrar a cena
Livrei dez barquinhos de sua possível simetria
Livrei também a linha da vara na beira
Livrei dos pescadores a caça
quando não pescaram o que eu fazia

 

10.16