era de amor

Não saberia
quando o tempo resistiu a pressa minando passagem no último segundo
fazendo um dia inteiro de atrasos
pra poder ver que o cheiro
de dois agostos atrás apareceu em cima da geladeira
da cozinha
que não tinha pote pra guardá-lo
resistindo a tanta coisa e mais ainda ao meu desejo duvidoso
de controle
Chegando em casa sem chave a resistência do bicho aos telefones não carregados
com sua cabeça que cheirava a desodorante da despedida
comunicando que não teria ninguém
o mato nascendo e morrendo
nascendo e morrendo resistiu
o lado de fora
do estar trancado.

Nenhuma amena

Um pano de chão
com o peso do molhado
assim eu me sentiria
Hoje acordei pensando solitária
quem mais me torturou
Eles me apertavam e eu me retorcia
Eles na torcida de que eu nao suportasse
um só mais golpe repuxado
Quando pensavam ao máximo me terem definhado
Quando pensavam ao máximo meterem esticado
eu resistia
Deslizava macia,
flanava no vento e pousava no chão
flanela pronta pra me reabsorver
as lágrimas em algodão
Abraço-os por me torcerem de uma vez só
úmida do passado
apesar de despesada
Continuo limpando a nós outras
a sujeira que deles desaba.
em memória e presença de Lucía Perez