salgo

o primeiro orgasmo
de dois mil e quinze
eu me dei e dei
de volta à água
que me expandiu
em impossíveis minutos
eu boiei enquanto
minha pele salgava
quando o sol tocou
o mar eu ardi junto
nesse momento era
queimada todo o
mundo e não houve
um olho sequer que
foi capaz de mover
minha mão
às seis da tarde
meu gozo era peixe
correndo na maré
pela primeira vez
molhou sem precisar
ser secado
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Vai

Foi dada a largada

Ao primeiro sinal pouco melódico
do sino da igreja de cabeceira:
estou desperta

Com o precipitado toque

Polifônico
já sinto meus músculos em pedra
Não é novidade qualquer desrespeito ao meu tempo corpóreo

Tudo é corrida
da qual não exatamente faço parte
senão aliviando outras corredeiras

A igreja sempre perto e desta vez no bolso
Verifico as horas
Às quatro da tarde já choveu o suficiente para que todos voltassemos a
ser bicho

Neste momento meu olho bateu no de uma mulher ofegante, que bateu no
de um rapaz perdido
Tive certa de que sentíamos o mesmo sobre as águas
Comunicação silenciosa
Percebiamos o calor de cada um em mãos antes mesmo de algum passo

E a igrejinha vibrou

Nao anunciava ainda a redenção das seis
A verdade é que pouco me lembro do que veio sendo dito

E eu já estava na cama para amanhã.