a frente daqui

O céu foi desabado!
Eu ouvi e não corri
Mastiguei cinco caroços de feijão
e dois de alho

Também não se mexeu o cílio seco do espantalho

Por ali tinha uma pomba
Mastigou dois de milho
E um de pão
Voou embora bem tardar o penúltimo trovão

Mas o céu se furou
Desceram aos cumes todos os homens
da moral dos bons costumes

A vizinha do lado cutucou a da frente
E agora o que será dessa gente
Ela nem respondeu

Desceu o anjo interino reclamando passagem
e cum resmungo qualquer falou o povo anda impedindo

Veio logo a mais harpada anunciação
Prometeu outra terra pra gente desocupada
trinta por cento do lucro refazeria a estrada
e com esforço trabalhado sanaria aflição
de uma vida desgraçada

Nenhum bicho deu um passo até a luz
Nenhum chapéu se moveu ao cumprimento
Todo punho se manteve em próprio piso
Voltou a ser pagão o cultivado paraíso

As roseiras das avós espinharam obstante estação:
daqui pra frente será tudo ocupação.

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ni la tierra ni las mujeres

Por ser território de conquista
de riqueza exploração
afetiva
segurar no lombo o choro de quando a vida chove sendo dia e também morte
Levantar grão em encosta acimentada contendo
nossa história em comum do início ao agora
Não me encosta
é tóxico o chão da gente
forçada a esquecer o que é amar até
Pelo silêncio dos homens
que diziam amar a terra.