Vai

Foi dada a largada

Ao primeiro sinal pouco melódico
do sino da igreja de cabeceira:
estou desperta

Com o precipitado toque

Polifônico
já sinto meus músculos em pedra
Não é novidade qualquer desrespeito ao meu tempo corpóreo

Tudo é corrida
da qual não exatamente faço parte
senão aliviando outras corredeiras

A igreja sempre perto e desta vez no bolso
Verifico as horas
Às quatro da tarde já choveu o suficiente para que todos voltassemos a
ser bicho

Neste momento meu olho bateu no de uma mulher ofegante, que bateu no
de um rapaz perdido
Tive certa de que sentíamos o mesmo sobre as águas
Comunicação silenciosa
Percebiamos o calor de cada um em mãos antes mesmo de algum passo

E a igrejinha vibrou

Nao anunciava ainda a redenção das seis
A verdade é que pouco me lembro do que veio sendo dito

E eu já estava na cama para amanhã.

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Ali inscrito

A ponta dos dedos
ali
onde o toque se infinita
onde a carne se mistura
onde o contorno carece textura
ali
onde se instiga
onde se interessa
onde o tesão perfura
Quando na saudade escreverá o outro
com essas mãos dele contaminadas
logo ele outro se fará perto
na folha de papel mesa ou chão
onde ele for escrito
inscrito já estava em suas palmas
Se reescreve o outro
eternizado no tato
transforma-o em qualquer texto
formato
parece vontade de letra
virar pele
Cuidado no engano
palavra também fere