Já tarde

Eu quero ir embora da sua casa
Mas antes eu quero
Arreganhar minha buceta
te rasgar com os meus pêlos
observar o horror na sua cara
Te ouvir dizer que nao caibo
no porta-retrato da sua sala.

Antes de ir embora
Quero te esfregar que não estou morta –
ainda que você me engane –
eu tenho sangue!

Enquanto você me expulsa,
antes de berrar “sua puta!”
quero te mostrar que meu ventre
ainda pulsa.

Te questionar as tardes de domingo
Quando sobre aqueles corpos
você goza consumindo.

(Te perguntar o que você fez com ela dormindo.)

Quero então que me destrate
Que me culpe pelo seu desastre
Arremesse-me sua injúria
Enquanto alimento minha fúria.

Logo não mais motivo existirá
para arrastar tal demora
Passado tudo isso
Mais uma vez, eu posso ir embora.

29.10.15