Obrigada

O olho que pro meu não olha nem nada vê
Logo procura pedaço onde se entreter
Me fita: é pra ver ou pra comer?
Permaneço enquanto desliga a tevê

O olho que pro meu não olha, nada vê.

Pedaço encontrado
O ouvido que pra mim não olha nada entende.
Quando capaz de pedir me solta
Na verdade já muito passou da hora.
Quando preciso ir embora, fujo, me sento
Aguardo em seu gozo que demora.
O líquido sem culpa que dele jorra, como difere…
Em mim, a mesma cicatriz que chora.

Já lá fora, busco droga que traga minha calma
Um outro se faz cavalheiro:
eu, com minha dor estampada nem sussurro, mas ouço um repreensivo “de nada”.
Me fez o favor de lembrar como sou obrigada.

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